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Leia o excerto a seguir:
“Ao estudarem de forma científica e organizada a realidade que conhecem por vivência [...], as crianças tendem a assimilar melhor os próprios conceitos científicos, pois é a realidade delas que passa a adquirir sentido. Ao estudarem, por exemplo, as dinâmicas migratórias que constituíram a própria cidade onde vivem, as crianças tendem a encontrar cada uma a sua origem, segmentos de sua identidade, e passam a ver a ciência como instrumento de compreensão da sua própria vida, da vida da sua família. A ciência passa a ser apropriada, e não mais apenas uma obrigação escolar.” (Dowbor, L. Educação e apropriação da realidade local. Estudos Avançados [online], v. 21, n. 60, 2007).
Se o autor do excerto aí evidencia sua visão positiva com relação a uma educação alinhada aos aspectos que compõem a realidade local em que os alunos estão inseridos, que posicionamento ele demonstra ter com relação aos professores?
Pensar a educação escolar como fator de desenvolvimento local implica ter como requisito que o professor seja conterrâneo de seus alunos e da escola em que atua, pois é essa coesão regional que garantirá uma efetiva apropriação da realidade local.
A aproximação com a comunidade profissional local (incluindo de líderes comunitários a gerentes de banco; de sindicalistas a empresários; de profissionais liberais a desempregados) é bem-vinda como forma de inserir na escola conhecimentos específicos que o professor ainda não tem.
Professores atuantes na perspectiva de uma apropriação da realidade local devem prevenir-se a fim de evitar tornarem-se mediadores científicos ou pedagógicos do território ou da comunidade em que se inserem.
Professores atentos ao desenvolvimento local devem ter como princípio curricular a compreensão do contexto cultural de cada regionalidade, com a precaução de não confrontar os conteúdos que ensinam a partir das realidades vividas.
Ao atuarem na perspectiva de uma apropriação da realidade local, os professores atualmente têm a difícil tarefa de renunciar às modernizações, em excesso num mundo cada vez mais tecnológico.