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“Trata-se de um fenômeno tão complexo quanto incômodo e preocupante, que vem minando o tecido social e infiltrando-se em todos os setores da vida contemporânea. É um fenômeno diante do qual não há possibilidade de neutralidade [...]. Afinal, não há como ignorá-la ou fugir dela, a violência se presenta a qualquer hora e em toda a parte, seja nos espaço públicos ou privados, podendo-se mesmo arriscar dizer que já se encontra infiltrada nas mais recônditas frestas da subjetividade do homem contemporâneo”, escreve Maria Eucares Motta, no prefácio do livro de Hebe Signorini Gonçalves. Sobre o fenômeno da violência, elas revelam, ainda, que:
Há como reduzir o fenômeno da violência a meramente uma questão da segurança pública ou a casos de polícia.
A violência não pode ser analisada de maneira simplista e, sobretudo, que não basta responsabilizar setores específicos nem se fundamentar em critérios tradicionais que se contentam em criminalizar a pobreza, demonizar o usuário de drogas ilícitas ou responsabilizar o tráfico de armas e drogas.
A negligência, o abandono, a prostituição, os maus-tratos, o abuso sexual e a pedofilia, com todas as políticas de proteção às crianças e adolescentes surgidas no século passado, pararam de atormentar as crianças neste novo século.
Todos − governo, comunidade, família − interiorizaram adequadamente o seu dever legal de proteger integralmente todas as crianças e jovens, independentemente de serem ou não seus próprios filhos e de suas condições econômicas e sociais.
A produção acerca da violência contra a criança pode ser interpretada apenas com base no exame da violência como manifestação dotada de racionalidade e produtora de sentido.


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