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Considere o trecho a seguir: “O hospital é o lugar onde desde o começo se pretendeu que imperasse a ordem médica, e isso não poderia, sob hipótese alguma, ser diferente, pois o hospital é o lugar onde, ao transformar-se em templo moderno da Ciência, através das atividades básicas de assistência ao doente, ensino e pesquisa, se dão também os maiores avanços científicos concernentes à área médica” (MORETTO, 2020). Levando em conta o lugar privilegiado que a medicina ocupa no interior do hospital, no que concerne à distinção entre discurso médico e discurso psicanalítico, é correto afirmar que
apesar de haver antinomia entre Psicanálise e Medicina, não se pode falar da Psicanálise que ela se constitui como avesso da Medicina, uma vez que a primeira nasce, ainda que por meio de um desvio, no interior da segunda.
a ordem médica impossibilita a entrada de outros discursos no hospital. Se há psicanálise no hospital, isto se deve à resistência ao discurso médico, pois este, bastando-se a si, produz apenas fenômenos tratáveis pela própria medicina.
diante do ser doente, o objeto de interesse do médico, além da doença, é também sua fala, pois é fato comprovado o papel da subjetividade na vivência e causação da doença orgânica.
o discurso psicanalítico precisa se apropriar do discurso do sujeito e transformar os significantes de sua fala em signos, em sinais psicanalíticos, em nome de uma pretendida objetividade científica e terapêutica.
o discurso médico tem uma função silenciadora, em que a fala do sujeito é ouvida para ser descartada, ao passo que o discurso psicanalítico tem uma função silenciosa, que promove a proliferação da fala do sujeito.