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Segundo Nasio (1991, p. 37-38), para a teoria psicanalítica, a teoria da conversão continua extremamente atual. Mais atual ainda quando a pensamos a partir da modificação introduzida por Freud em 1900: a origem da histeria é uma fantasia inconsciente, e não mais uma representação. E o que se converte é uma angústia fantasística, e não mais uma sobrecarga da representação.
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Freud considerou que já não era necessário, para explicar o aparecimento de um sintoma de conversão, descobrir um evento traumático real na história do paciente.
O fato de a fantasia ser um trauma significa que todos os traumas são fantasias e, nesse sentido, se todos os traumas são fantasias, sejam eles reais ou psíquicos, inscrevem-se necessariamente na vida das fantasias.
A representação dolorosa já não precisava surgir de uma sedução sexual longínqua, praticada por um adulto. Bastava, agora, pensar em nossa infância, imaginar o desenvolvimento de nosso corpo pulsional e compreender que cada experiência vivida quando éramos crianças, no nível das diferentes zonas erógenas – boca, ânus, músculos, pele, olhos – tinha o valor exato de um trauma.
Para Freud, o termo trauma já não se referia essencialmente à ideia de um evento externo, mas designava um acontecimento psíquico carregado de afeto, um verdadeiro microtrauma local, centrado numa região erógena do corpo e consistindo na ficção de uma cena traumática que a psicanálise deu o nome de fantasia.