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“O vigia na guarita (...) é novo no serviço e tem a...

“O vigia na guarita (...) é novo no serviço e tem a obrigação de me barrar no condomínio. Pergunta meu nome e destino, observando os meus sapatos. Interfona para a casa 16 e diz que há um cidadão dizendo que é irmão da dona da casa. A casa 16 responde alguma coisa que o vigia não gosta e faz ‘hum’. O portão de grades de ferro verde e argolões dourados abre‐se aos pequenos trancos, como que relutando em me dar passagem.(...) A casa 16, no final do condomínio, tem outro interfone, outro portão eletrônico e dois seguranças armados. Um rapaz de flanela na mão abre a portinhola e me faz entrar no jardim com um gesto de flanela (...). O empregado não sabe que porta da casa eu mereço, pois não vim fazer entrega nem tenho aspecto de visita.(...) Obedecendo a sinais convulsos da flanela, contorno os automóveis na garagem transparente, subo por uma escada em caracol e dou numa espécie de sala de estar (...). Eis minha irmã de pegnoir, tomando o café da manhã numa mesa oval”.

(Chico Buarque. Estorvo. São Paulo: Companhia das Letras,1991,pp. 14‐16).


O autor reflete sobre a experiência de viver atrás dos muros, vigiado por seguranças, comum em muitas metrópoles brasileiras.Em termos sociológicos, este trecho literário exemplifica o fenômeno da segregação urbana, entendida como:


A

Delimitação de enclaves fortificados, pelos quais se realiza a separação espacial e social de certos grupos.


B

Oposição entre as áreas rurais, ocupadas por moradias populares, e as urbanas, ocupadas pelas classes mais privilegiadas.


C

Definição das funções urbanas, associando cada zona urbana a uma atividade específica: comercial, industrial, residencial.


D

Oposição entre o centro, dotado dos principais serviços urbanos, e a periferia,subequipada e longínqua.


E

Apartação e isolamento de grupos sociais em guetos, cerceados por barreiras à circulação livre e democrática pela cidade.