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Sobre a relação família-Estado na sociedade brasileira...

Sobre a relação família-Estado na sociedade brasileira contemporânea, a partir do duplo estatuto conferido às famílias: de responsável pela provisão de cuidados a seus integrantes e de titular de proteção social por parte do Estado, através de políticas públicas, é INCORRETO afirmar que:


A

O valor família é pouco discutido e frequentemente tomado por autoevidente, torna-se necessário problematizar a construção de seu sentido como necessariamente protetora e provedora de cuidados adequados a seus membros, bem como suas implicações para análise de interações permeadas por violência em seu âmbito.


B

A utilização do plural na grafia da palavra família reafirma a admissão da existência de uma diversidade de arranjos como significativo contraponto à prática recorrente de evocação de uma única imagem idealizada de família como referência e parâmetro para se conceber e pensar pesquisas, intervenções e políticas.


C

O modo como estão organizadas as relações de parentesco em nossa sociedade também contribui para a existência de muitas diferenças entre as relações mães-filhos e pais-filhos, reiterando a importância da interveniência da divisão sexual do trabalho no que se refere também às relações de parentalidade, para além das de conjugalidade.


D

A família, nas sociedades ocidentais contemporâneas, é a instância encarregada da proteção e provisão material e afetiva de seus membros, o que exige dos grupos familiares determinadas configurações e modos de funcionamento padrões e, quando isso não ocorre, as famílias são potencialmente produtoras de desajustes.


E

Na abordagem da divisão sexual dos cuidados em âmbito familiar, a discussão acerca das relações de gênero e geração – com a transformação de diferenças em desigualdades de poder – consiste em um ponto de relevância para compreensão dos processos de distribuição e prevalência do poder entre as diversas faixas etárias, igualmente incidindo sobre a atribuição de responsabilidades e obrigações.