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No processo histórico dos debates sobre a residência destacam- se os seminários nacionais como espaço importante de discussão sobre a formação e a política de saúde. O I Seminário Nacional de Residências Multiprofissionais em Saúde, ocorrido em 2005, teve como eixos (Cfess, 2017):
estratégias para a construção de multidisciplinaridade, visando atender ao preceito da integralidade; construção de diretrizes nacionais para as residências multiprofissionais; composição da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (Cnrms); e criação do sistema nacional das residências multiprofissionais.
construção de alternativas que permitissem acompanhar as ações dos residentes; garantia da formação em serviço com qualidade; criação da Comissão de Residência Multiprofissional (Coremu) para o acompanhamento das residências multiprofissionais; e configuração do sistema nacional das residências multiprofissionais.
construção de normativas legais; instrumentalização das ações desenvolvidas junto às residências multiprofissionais; definição das atribuições dos tutores, preceptores e residentes; e garantia de financiamento para os sujeitos que compõem as residências multiprofissionais.
estratégias para a garantia da formação em serviço com qualidade; identificação dos problemas apresentados pelas residências multiprofissionais; construção de normativas legais para dirimir lacunas existentes; definição das atribuições dos sujeitos envolvidos.
Alguns desafios, no campo da assistência social, em sua perspectiva de integralidade, ainda não foram superados, segundo autores como Monnerat e Souza (2011). Entre os principais fatores influenciadores, destacam-se determinações sócio-históricas, políticas e econômicas que contribuem para que alguns obstáculos, afeitos ao processo de elaboração, implementação e execução dessa política, não sejam superados. Quando se consideram esses obstáculos, persistentes no campo da assistência social, como um das políticas que compõe o tripé da Seguridade Social Brasileira, cita-se/citam-se:
A sua lógica contributiva, as particularidades de sua dinâmica e formas de operacionalidade junto ao setor saúde e sistema previdenciário.
A previsão do atendimento integralizado e universal das necessidades mais ampliadas da população, como mecanismo de legitimação do sistema de proteção social brasileiro.
A imprecisa definição do que vem a ser uma política, programas, projetos e serviços, no âmbito da tipificação socioassistencial, mesmo considerando a suficiente aplicação de recursos financeiros.
A omissa atuação das organizações não governamentais que, mesmo tendo forte capacidade técnica setorial e recursos financeiros, responsabilizam o Estado pelo desenvolvimento de todas as ações ligadas à política de assistência social.
A interveniência de um clientelismo político, somada à precariedade do trabalho profissional desenvolvido por um corpo técnico que, com expressiva frequência, são contratados, temporariamente, para desenvolverem atividades em um campo com expressiva trajetória assistencialista.
Residentes de serviço social ingressam nos Programas de Residência Multiprofissional em Saúde por meio de um exame de seleção, são matriculados e recebem uma bolsa de trabalho tornando-se, conforme o Cfess (2017):
profissionais em formação que participarão de um programa de pós-graduação com carga horária que envolve aulas teóricas e práticas, supervisionados por um docente da instituição.
profissionais em treinamento no serviço que privilegiam o aprendizado pela prática, tendo a obrigatoriedade de uma reflexão teórica, supervisionados por um docente da instituição.
trabalhadores em formação que participarão de um programa de pós-graduação com carga horária que envolve aulas teóricas e práticas, supervisionados por outro trabalhador da instituição.
trabalhadores em treinamento que privilegiam o aspecto político-pedagógico no serviço, conforme as atividades teóricas e teórico-práticas, sendo supervisionados por outro trabalhador da instituição.
Sobre a atuação do Serviço Social na Saúde, a partir do texto de Francis Sodré, “O Serviço Social entre a prevenção e a promoção da saúde: tradução, vínculo e acolhimento”, é correto afirmar:
O assistente social tem sua prática de visita domiciliar legitimada como “autoridade sanitária” na investigação dos casos de abandono de crianças, envolvimento com tráfico de drogas, violência contra mulheres, higiene, alimentação inadequada a doentes ou idosos.
O trabalho de diálogo, atenção, orientação e escuta é uma das atividades previstas nos indicadores e metas a serem alcançados nas “métricas” administrativas de gerenciamento dos serviços de saúde.
As visitas domiciliares, enquanto importante ferramenta de promoção à saúde, têm sido realizadas por assistentes sociais e agentes comunitários, mediadas pelas metas de ação de prevenção e contabilizadas nos boletins de produtividade.
Na equipe interdisciplinar, o assistente social é o responsável pela articulação com a rede de proteção sócio assistencial e pelo acompanhamento das condicionalidades do Programa Bolsa Família relacionadas à saúde.
O modelo biomédico adotado pelas diretrizes do SUS demarca a questão social como endógena à saúde, demandando a atuação do Serviço Social, profissão que tem a questão social como matéria-prima de sua intervenção.
Para Bravo e Matos (2009), uma atuação competente do Serviço Social na Saúde pressupõe, EXCETO:
estar articulado e sintonizado ao movimento dos trabalhadores e de usuários que lutam pela real efetivação do SUS.
conhecer as condições de vida e trabalho dos usuários, bem como os determinantes sociais que interferem no processo saúde-doença.
buscar a necessária atuação em equipe, tendo em vista a interdisciplinaridade da atenção em saúde.
desestimular a intersetorialidade, tendo em vista realizar ações que fortaleçam a articulação entre as políticas de seguridade social, superando a fragmentação dos serviços e do atendimento às necessidades sociais.