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“A desorientação que se expressa na sensação de que não se...

“A desorientação que se expressa na sensação de que não se pode obter conhecimento sistemático sobre a organização social, devo argumentar, resulta, em primeiro lugar, da sensação de que muitos de nós temos sido apanhados num universo de eventos que não compreendemos plenamente, e que parecem em grande parte estar fora de nosso controle. Para analisar como isto veio a ocorrer, não basta meramente inventar novos termos, como pós-modernidade e o resto. Ao invés disso, temos que olhar novamente para a natureza da própria modernidade a qual, por certas razões bem específicas, tem sido insuficientemente abrangida, até agora, pelas ciências sociais. Em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as consequências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes. Além da modernidade, devo argumentar, podemos perceber os contornos de uma ordem nova e diferente, que é “pós-moderna”; mas isto é bem diferente do que é atualmente chamado por muitos de “pós-modernidade.”

(GIDDENS, Antony. As consequências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991).

No fragmento exposto, Giddens remonta à ideia de que não basta ao estudioso inventar novos termos. Para o autor, a noção de modernidade é constituída:


A

Pela ideia de que não é possível nenhum conhecimento sistemático das ações ou inclinações humanas ou do desenvolvimento social.


B

Pela separação entre tempo e espaço, pelo desenvolvimento de mecanismos de desencaixe e pela produção de conhecimento sistemático sobre a vida social.


C

Por um deslocamento das tentativas de fundamentar a epistemologia, pela perda de fé no progresso planejado humanamente e pelo desaparecimento da grande narrativa.


D

Pela produção de ambiente de risco dominado pelas vicissitudes do mundo físico, pela preponderância da violência humana e crescente contribuição da religião.