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“A aceleração econômico-industrial na Era Vargas não...

“A aceleração econômico-industrial na Era Vargas não influenciou somente no âmbito sócio-econômico mas implicou, também, em transformações político-educacionais que se expressaram na regulamentação da educação formal e não formal. Na educação não formal com as políticas de recreação, já a educação escolar contou com as Reformas Francisco de Campos (1931-1936) e Gustavo Capanema (1942-1946), conhecida também como “Leis Orgânicas de Ensino”. Por meio de decretos-lei, o governo brasileiro expandiu o ensino industrial, instituiu o SENAI, e organizou o ensino secundário em dois ciclos: o ginasial, com quatro anos, e o colegial com três anos, além de reformar o ensino comercial.

Naquele contexto de expansão industrial e reformas educacionais, o engenheiro Roberto Mange ao lado de Euvaldo Lodi e Roberto Simonsen idealizaram o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), introduzindo na maneira de ensinar o proletariado brasileiro novas concepções político-pedagógicas”.

(CAMARGO, Filipe Pêgo. Ensino profissional brasileiro: a proposta de Roberto Mange comparada a aspectos do projeto educativo de Antonio Gramsci. X Congresso Nacional de Educação. EDUCERE. Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Curitiba, 7 a 10 de novembro de 2011).

Considerando o texto apresentado e os estudos realizados por Augusto Zanetti e João T. Vargas em Taylorismo e fordismo na indústria paulista: o empresariado e os projetos de organização racional do trabalho (1920-1940) (2007), dentre os princípios introduzidos por Roberto Mange no processo de racionalização do ensino profissional brasileiro, pode-se citar:


A

Aplicação da avaliação mental e psicológica dos indivíduos (psicotécnica) e a inserção das séries metódicas de ofício a racionalizar o processo de aprendizagem; aprendizado estreitamente ligado com a realidade industrial e educação moral e cívica para a formação do caráter individual.


B

Escola desinteressada, sem função utilitarista, que tinha, nos Conselhos de Fábrica, formas organizativas para aliar o trabalho produtivo com a educação, concebido, assim, como centro formador de uma cultura profissional ocupada não apenas com a futura função dos educandos.


C

Escola integral, pública, laica e obrigatória, articulada em rede, para cuidar desde a higiene e saúde da criança até sua preparação para a cidadania; a grande função da Educação deve ser a de preparar o homem novo para o mundo novo que a máquina e a ciência estão exigindo.


D

A ideia de uma educação voltada para o desenvolvimento capaz de habilitar a juventude brasileira à tomada de consciência do processo de autonomia nacional e preparando-a para as tarefas materiais do fortalecimento e construção da civilização brasileira.