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Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito. Umas tantas...

Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito. Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrepito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes. Pelas ruas ermas, onde o transeunte é raro, não matracoleja sequer uma carroça; de há muito, em matérias de rodas, se voltou aos rodízios desse rechinante símbolo do viver colonial – o carro de boi. Erguem-se por ali soberbos casarões apalaçados, de dois e três andares, sólidos como fortalezas, tudo pedra, cal e cabiúna, o sangue, a vida para sempre refugiram. Vivem dentro, mesquinhamente, vergônteas mortiças de famílias fidalgas, de boa prosápia entroncada na nobiliarquia lusitana. Pelos salões vazios, cujos frisos dourados se recobrem da patina dos anos e cujo estuque, lagarteado de fendas, esboroa à força de goteiras, paira o bafio da morte. Há nas paredes quadros antigos, crayons, figurando efigies de capitães-mores de barba em colar. Há sobre os aparadores Luiz XV brônzeos candelabros de dezoito velas, esverdecidos de azinhavre. Mas nem se acendem as velas, nem se guardam os nomes dos enquadrados – e por tudo se agruma o bolor rancido da velhice. São os palácios mortos da cidade morta. (LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas. São Paulo: editora brasiliense, 1972, p. 3)


O trecho de Monteiro Lobato aponta para alguns dilemas desse fenômeno das cidades. A questão urbana atravessa inúmeras abordagens sociológicas. Quanto ao tema da cidade, é CORRETO afirmar:


A

Em Max Weber, a cidade ocidental é caracterizada pelo acúmulo de diferentes funções de regulamentação da vida econômica, política e cultural dos cidadãos. Não é apenas as cidades ocidentais que reúnem tais características.


B

Em Manuel Castells, para se pensar a cidade, exigiria uma separação clara entre a análise do espaço urbano e as lutas sociais e processos políticos.


C

Em Georg Simmel, a grande cidade será o lugar da criação de condições psicológicas para a diminuição dos estímulos nervosos dos indivíduos que moram na metrópole.


D

Em Zygmunt Bauman, um dos traços da cidade contemporânea é a crescente sensação de medo e insegurança, bem como o afastamento em relação às localidades e às pessoas fisicamente vizinhas, mas social e economicamente distantes.


E

Em Pierre Bourdieu, a análise em torno da cidade surgirá a partir do debate dos chamados efeitos de lugar, ou seja, o urbano está livre dos efeitos de naturalização, no qual as diferenças produzidas pela lógica histórica podem parecer surgidas da natureza das coisas.