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O reconhecimento da historicidade da situação de subdesenvolvimento requer mais do que assinalar as características estruturais das economias subdesenvolvidas. Há que se analisar, com efeito, como as economias subdesenvolvidas vinculam-se historicamente ao mercado mundial e a forma em que se constituíram os grupos sociais internos que conseguiram definir as relações orientadas para o exterior que o subdesenvolvimento supõe.
(CARDOSO, Fernando Henrique; FALETTO, Enzo. Dependência e desenvolvimento na América Latina − ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: LTC, 1970).
Em conformidade com o excerto acima, pode-se afirmar que uma das inovações introduzidas pela linha teórica desses autores, no estudo do desenvolvimento, relacionase com
o reconhecimento da particularidade das situações concretas de desenvolvimento no contexto de vinculação das colônias com o imperialismo pós-industrial.
a acentuação dada ao caráter estrutural da dependência e à relação entre aspectos econômicos e processos políticos de dominação entre países e entre classes em cada contexto nacional.
a ênfase na articulação entre o projeto econômico do capital estrangeiro multinacional e o projeto político de incorporação das novas classes médias ao sistema de dominação.
a demonstração de que as configurações de blocos de poder hegemônicos interferem nas relações de interdependência política entre países centrais e periféricos, mas não nas de dependência econômica.
o relevo dado à formação política autônoma das classes sociais internacionais na conformação de um quadro histórico concreto e situacional de desenvolvimento econômico independente e associado.


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