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Aquarela do Brasil, que inicialmente recebeu o nome de Aquarela Brasileira, foi composta pelo mineiro Ary Barroso no final dos anos 30, durante a Era Vargas. A música é considerada a fundadora do samba-exaltação:
Brasil, meu Brasil brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda a canção do seu amor
(Disponível em: https://www.letras.mus.br/ary-barroso/163032/.)
Até então o samba era voltado à malandragem. A partir daí, o Estado Novo investiu pesado no uso da música como veículo de sua ideologia exaltando o trabalho, chegando a distribuir verbas a escolas de samba, com a condição de que trocassem temas que evocassem a malandragem por temas nacionalistas e patriotas incentivando ao trabalho. Vários autores da sociologia se debruçam no estudo da ideologia, seu significado e presença na história, sendo que:
Para Marx, as ideologias seriam representações do mundo elaboradas pelas classes dominantes que visam à manutenção e à reprodução das relações.
Na visão de Gramsci, os trabalhadores não são submetidos a uma ideologia mas, simplesmente, a uma teia tecnológica que dispensa ideologias.
Para Gramsci, por exemplo, as classes dominadas, apesar de não possuírem ideologia própria, aceitariam a ideologia dominante por interesses econômicos.
Marx, apesar de aprofundar seus estudos no campo econômico contra o capitalismo, elencou a cultura como único campo estratégico de luta trabalhista.
Para Marx e para Gramsci, o processo de dominação se dá na cultura pela capacidade de convencimento, em uma disputa por hegemonia entre essas classes.