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“Com a revolução tecnológica, a transformação do capitalismo e a derrocada do estatismo...

“Com a revolução tecnológica, a transformação do capitalismo e a derrocada do estatismo, vivenciamos, no último quartel do século [XX], o avanço de expressões poderosas de identidade coletiva que desafiam a globalização e o cosmopolitismo em função da singularidade cultural e do controle das pessoas sobre suas próprias vidas e ambientes.” (Manuel Castells, O poder da identidade, [10ed. brasileira] 2021, p. 50)


Em O poder da identidade, publicado pela primeira vez em 1997 e em edições posteriores de 2004 e 2010, Manuel Castells afirma que a construção social das identidades é central para entender o mundo contemporâneo, pois este é moldado pelas tendências conflitantes do processo de globalização e das identidades locais. Sobre a compreensão de Castells sobre a relação entre formas e origens de construção de identidade e as formas de ação coletiva no mundo contemporâneo, é INCORRETO afirmar que:


A

identidade legitimadora é introduzida pelas instituições dominantes da sociedade no intuito de expandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores sociais e, em seu processo constitutivo, dá origem a um conjunto de organizações e instituições, bem como uma série de atores sociais estruturados e organizados que, embora às vezes conflitantes, reproduzem a identidade que racionaliza as fontes de dominação estrutural.


B

A identidade de resistência é criada por atores que se encontram em posições/condições desvalorizadas e/ou estigmatizadas pela lógica da dominação, construindo, assim, trincheiras de resistência e sobrevivência com base em princípios diferentes dos que permeiam as instituições da sociedade, ou mesmo opostos a estes últimos.


C

A identidade de projeto está associada ao processo em que os atores sociais utilizam qualquer tipo de material cultural ao seu alcance e constroem uma nova identidade capaz de redefinir sua posição na sociedade e, ao fazê-lo, de buscar a transformação de toda a estrutura social.


D

O fundamentalismo religioso, o nacionalismo fundado na etnia, as comunidades territoriais e a autoafirmação nacionalista são exemplos de resistência coletiva, geralmente com base em identidades que, aparentemente, foram definidas com clareza pela história, geografia ou biologia, facilitando, assim, a “essencialização” dos limites da resistência.


E

Para Castells, as características de ações coletivas como os protestos classificados como movimentos sociais em rede - Occupy de 2011 nos EUA, a Revolução Egípcia de 2011 e as manifestações de junho de 2013 no Brasil, dentre outros - indicam que, na era da informação, há grande tendência de que novas identidades de projeto surjam da rearticulação das identidades legitimadoras desenvolvidas durante a era industrial.