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Texto para questões de 60 a 62
Durante uma aula de Sociologia no Ensino Médio, o professor apresenta duas abordagens distintas sobre o aquecimento global: de um lado, dados científicos sobre mudanças climáticas; de outro, os saberes ancestrais do povo Krenak sobre os ciclos naturais e a relação entre humanidade e natureza. Um estudante questiona: “Professor, qual conhecimento está certo? O científico ou o indígena?”. O professor explica que, segundo Ailton Krenak, a modernidade ocidental criou uma “humanidade” como conceito universal que nega outras formas de existir e conhecer, impondo um modelo civilizatório único que desconsidera os saberes tradicionais dos povos originários. A discussão se aprofunda quando o professor introduz o conceito de “epistemicídio”. Os estudantes começam a reconhecer como esse processo se manifesta em suas próprias experiências: a desvalorização dos conhecimentos de suas avós sobre plantas medicinais, a ausência da história afro-brasileira nos currículos ou o preconceito contra religiões de matriz africana. O professor propõe que investiguem, em seu entorno, quais conhecimentos tradicionais foram silenciados e como isso afeta a construção de suas identidades e visões de mundo.
Considerando a proposta do professor de investigar saberes tradicionais silenciados no entorno dos estudantes, a atividade didática que se adéqua ao debate sobre epistemicídio e racismo epistêmico é:
Pesquisa bibliográfica sobre teorias antropológicas clássicas que categorizaram os conhecimentos tradicionais como folclore, objetivando reconhecer como essas classificações são fonte legítima das hierarquias epistêmicas.
Coleta de depoimentos de anciãos da comunidade sobre práticas de cura tradicional, comparando cientificamente sua eficácia com medicamentos industrializados para validar empiricamente os saberes populares.
Organização de feira cultural com apresentações folclóricas sobre tradições populares, como números de dança, música e teatro, promovendo o resgate e a preservação do patrimônio cultural imaterial da região
Mapeamento etnográfico dos conhecimentos ancestrais presentes na comunidade escolar, investigando como foram marginalizados historicamente e quais resistências epistemológicas ainda persistem atualmente.