Questões de Concurso sobre Sociologia na Educação

 
 
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“A Educação do Campo é fruto de um debate consolidado na atualidade cujos sujeitos protagonistas são os camponeses, camponesas, educadores, educadoras e militantes de movimentos sociais comprometidos com uma educação voltada para a realidade campesina. Seu principal objetivo é garantir que a escola esteja profundamente ligada à realidade dos sujeitos, respeitando todos os tempos e espaços da vida. Ao pensar em um espaço educativo com esta identidade, busca-se levar em consideração que os trabalhadores do campo possuem o direito de estudar onde moram e de serem respeitados nas suas relações de produção, bem como no seu processo histórico”.


SANTOS, Arlete Ramos dos; et all. Apresentação. In: SANTOS, Arlete Ramos dos... [et al.] (Orgs.) Educação do campo: políticas e práticas. Ilhéus, BA: Editus, 2020, p.11.


A partir do final do século XX, através de movimentos sociais do campo e de pesquisadores, a educação do campo se fortalece no Brasil. Nessa perspectiva, assinale a alternativa CORRETA:


A

A educação do campo, ao priorizar currículos contextualizados à realidade rural, rompe com o princípio constitucional da igualdade, uma vez que institui tratamentos diferenciados para sujeitos que deveriam ser atendidos por uma política educacional homogênea.


B

As políticas de educação do campo expressam uma concepção de Estado mínimo, na medida em que transferem às comunidades rurais a responsabilidade integral pela formulação curricular e pela gestão dos processos educativos.


C

As propostas de educação do campo têm como principal objetivo a fixação da população rural no território, priorizando a capacitação técnica dos sujeitos para o trabalho agrícola.


D

A educação do campo, tal como formulada por movimentos sociais e pesquisadores, incorporada em políticas públicas, compreende o território rural como espaço de produção de saberes, articulando educação, trabalho e cultura, em oposição à lógica de mera adaptação do campo aos interesses do mercado urbano-industrial.


E

A institucionalização da Educação do Campo pelo Estado brasileiro eliminou as tensões entre políticas educacionais e movimentos sociais, uma vez que incorporou integralmente as propostas pedagógicas formuladas pelas organizações camponesas.

“[...] livros didáticos são heuristicamente valiosos para compreender sociologicamente processos de organização do trabalho intelectual numa sociedade. Especialmente por meio do escrutínio dos modos de relação entre agências e agentes produtores e consumidores dos livros, dos fundamentos de formalização dos conteúdos escolares e as condições de rotinização do conhecimento, conseguimos perceber a configuração da qual obras didáticas são produtos e produtoras. [É possível] reconstituir, pelos livros, um processo social que, de modo geral, é ignorado pelos estudos de sociologia do conhecimento. Essa abordagem propõe três noções importantes: a) entende, pois, que não é possível apartar saber escolar dos processos de síntese intelectual de uma sociedade, b) compreende que não se pode dissociar, na análise, o conteúdo dos livros e o contexto de produção e recepção, c) supõe que a noção de configuração permite perceber analiticamente ações relativas às conexões, formalizações, estabilizações e significações de um campo de conhecimento.” (Meucci, 2020, p. 14-15)


Classifique as asserções abaixo apresentadas como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F), considerando a análise sobre o conjunto formal dos conteúdos escolares que a autora propõe no trecho citado a partir de uma perspectiva sociológica configuracional.


( ) Os processos de constituição dos currículos e de suas manifestações formais escritas, como o livro didático, são configurados a partir de agentes especiais do campo educacional, capazes de isolar a influência das macroestruturas de conhecimento e fluxo intelectual a bem do processo de ensino-aprendizagem.

( ) Processos de reorganização pedagógica e curricular, como aqueles produzidos pelo Novo Ensino Médio e pela nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), não estão apartados dos tensionamentos e debates políticos e intelectuais de nível macrossocial.

( ) Os livros didáticos e bases curriculares são produtos e produtores dos processos de sistematização, sedimentação, rotinização e institucionalização do conhecimento socialmente produzido e legitimado.

( )A definição, a legitimação e a manutenção do sistema educacional, bem como do seu conjunto de agentes e instituições, permitem um nível de autonomia a esse campo social, garantindo-lhe a inexistência de adjudicações por parte de outras esferas e campos sociais.

( ) A presença dos campos de conhecimento, como o caso da Sociologia, no currículo da educação básica, configura- se como reflexo dos debates e fluxos intelectuais da sociedade, mesmo que eventualmente apresentados de forma diluída e fragmentada em instrumentos oficiais, como na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).


Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das asserções acima apresentadas:


MEUCCI, Simone. Os livros didáticos da perspectiva da sociologia do conhecimento: uma proposição teórico-metodológica. Revista Brasileira de História da Educação, Maringá, v. 20, e098, p. 1-18, 2020. DOI: 10.4025/rbhe.v20.2020.e098.


A

F, V, V, F, F.


B

V, V, V, V, V.


C

F, V, V, V, V.


D

F, V, V, V, F.


E

F, V, V, F, V.

A violência nas escolas é um problema complexo que exige atuação em rede, pois nenhuma instituição sozinha consegue enfrentá-lo. A escola, ao não receber o suporte esperado da família, recorre constantemente à polícia, mesmo reconhecendo limitações e efeitos negativos dessa prática. Falta aos profissionais da educação formação adequada para lidar com as transformações sociais e com o fenômeno da violência juvenil.


Nesse contexto, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:


I.As instituições que, de acordo com a sociologia clássica, seriam as responsáveis primárias pela socialização do sujeito não têm hoje os mecanismos de controle.


PORQUE


II.O indivíduo contemporâneo possui grande capacidade de reflexividade e maior possibilidade de trans formação das normas.


A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:


A

As asserções I e II são proposições falsas.


B

A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa.


C

A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira.


D

As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.


E

As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificariva correta da I.

O fragmento a seguir serve de base para responder à questão.


“Para compreendermos as características singulares do Ensino de Sociologia no Brasil duas questões devemos considerar: o reconhecimento da intermitência desta ciência no currículo escolar, aspecto que já foi apontado por autores como Santos (2004), Silva (2010) e Moraes (2011). e o fato de ser uma tradição cujas raízes encontram-se na realidade escolar, antecedendo a existência de cursos voltados para a formação específica de cientistas sociais.”


Fonte: Oliveira, A. Revisitando a história do ensino de Sociologia na Educação Básica. Acta Scientiarum. Education, 35(2), 2013, p. 180.


O fragmento evidencia que o ensino de Sociologia, na educação básica, é caracterizado por sua intermitência no currículo escolar. Nessa perspectiva, é correto afirmar que, em 2008, a Sociologia torna-se


A

obrigatória nos três anos do ensino médio; porém, em 2017, com o Novo Ensino Médio, é colocada de forma facultativa até os dias atuais.


B

facultativa nos três anos do ensino médio, tornando-se obrigatória no ano de 2024.


C

obrigatória nos três anos do ensino médio; porém, em 2017, com o Novo Ensino Médio, é colocada de forma facultativa e retorna à obrigatoriedade em 2024.


D

obrigatória nos três anos do ensino médio; porém, em 2017, com o Novo Ensino Médio, seus conteúdos são excluídos do currículo escolar.


E

facultativa nos três anos do ensino médio; porém, em 2017, com o Novo Ensino Médio, há a sua retomada ao currículo, com retorno, apenas, para o segundo ano em 2024.

Refletindo sobre os resultados das aulas a partir do tema, o professor se lembrou da fala de um estudante em relação à letra de canção trabalhada: “A música está certa. Só os adultos são levados a sério. Lá em casa é assim e aqui na escola também. Os adultos criam as regras, e a gente tem que seguir”.


Esse professor decidiu, então, aprofundar o tema do lugar das juventudes nas diferentes instituições sociais. Nesse sentido, uma atividade adequada para cumprir esse objetivo é


A

discussão sobre a atuação dos estudantes em seus diferentes espaços de sociabilidade, a fim de que compreendam as juventudes como categoria que articula direitos de proteção e autonomia.


B

leitura em sala de texto sobre a importância das normas de convivência para evitar o estado de anomia em uma instituição ou grupo social, a fim de que reconheçam os riscos do comportamento insurgente das juventudes.


C

trabalho em grupo no qual os estudantes listem suas demandas de autonomia, a fim de que desconstruam as relações de dominação etária que subjugam as juventudes nas sociedades capitalistas.


D

aula expositiva sobre a uniformidade da categoria juventude nos diferentes momentos históricos, a fim de que observem como a condição biológica e psíquica limita a atuação social dos jovens.

A alternativa que apresenta ações didático-pedagógicas, relacionando adequadamente o tema do corpo com as questões étnico-raciais na fase da adolescência e juventude, é:


A

Elaboração de uma cartografia dos gestos “corretos” e “errados” no seu ambiente familiar, construindo um dicionário padronizado de gestualidades. Esse material será apresentado em formato de exposição para nortear a conduta adequada na escola.


B

Avaliação contendo uma reflexão dos estudantes sobre sua identidade por meio de práticas corporais cotidianas, como a forma do penteado do cabelo. Em seguida, realizar uma roda de conversa, considerando que as técnicas do corpo são entraves para pensarmos identidades.


C

Aula sobre o tema das técnica corporais, expondo aos estudantes os preconceitos que sentem sobre seus corpos, pois as características corporais e padrões de beleza podem validar práticas para melhor uso de espaços democráticos.


D

Debate sobre técnicas corporais, moda e estilos juvenis, ressaltando a forma como jovens racializados se expressam esteticamente nas suas vestimentas, e como isso pode representar formas de pertencimento e resistência.

Considerando a proposta do professor de investigar saberes tradicionais silenciados no entorno dos estudantes, a atividade didática que se adéqua ao debate sobre epistemicídio e racismo epistêmico é:


A

Pesquisa bibliográfica sobre teorias antropológicas clássicas que categorizaram os conhecimentos tradicionais como folclore, objetivando reconhecer como essas classificações são fonte legítima das hierarquias epistêmicas.


B

Coleta de depoimentos de anciãos da comunidade sobre práticas de cura tradicional, comparando cientificamente sua eficácia com medicamentos industrializados para validar empiricamente os saberes populares.


C

Organização de feira cultural com apresentações folclóricas sobre tradições populares, como números de dança, música e teatro, promovendo o resgate e a preservação do patrimônio cultural imaterial da região


D

Mapeamento etnográfico dos conhecimentos ancestrais presentes na comunidade escolar, investigando como foram marginalizados historicamente e quais resistências epistemológicas ainda persistem atualmente.

TEXTO 1


Nas últimas décadas, o avanço expressivo das tecnologias digitais passou a impactar profundamente a vida social, transformando as formas de comunicação e interação. Nesse contexto, o número de usuários de internet no Brasil cresceu de maneira significativa, com ênfase ao acesso via celular — como pode ser observado no gráfico. O acesso constante à internet via celular levou as instituições de ensino a repensarem as normas relativas ao uso de dispositivos eletrônicos em sala de aula, resultando na Lei n. 15 100/25. Esse cenário escancara, contudo, as desigualdades sociais no acesso à internet, que continuam a representar um desafio importante para a democratização da educação no país.


TEXTO 2


Crianças e adolescentes, por dispositivos utilizados para acessar a Internet (2015-2024) Total de usuários de Internet de 9 a 17 anos (%)



Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil: TIC Kids Online Brasil 2024. Disponível em: https://cetic.br. Acesso em: 18 jul. 2025.


As transformações descritas nos textos 1 e 2 podem ser analisadas com base nos aportes teóricos do campo da Sociologia, tanto clássicos quanto contemporâneos. Assinale a alternativa que apresenta uma vertente teórica que auxilie uma professora de Sociologia do Ensino Médio na reflexão sobre a desigualdade no acesso à informação e no letramento digital e uma estratégia didática que considera essa desigualdade.


A

Weber permite refletir sobre a digitalização como intensificação dos processos de racionalização e burocratização na Educação, com o uso de plataformas e métricas de desempenho. Atividade: debate crítico sobre os testes padronizados e o uso de seus resultados para a elaboração de políticas públicas.


B

Habermas permite pensar como as tecnologias digitais podem, por um lado, contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e, por outro, ameaçam a qualidade do debate na esfera pública, especialmente quando o acesso se dá majoritariamente pelo celular. Atividade: comparar a experiência de buscar informações sobre um tema de interesse, usando diferentes equipamentos para acessar a internet.


C

Lélia Gonzalez e Carlos Hasenbalg, em seu trabalho sobre desigualdades no Brasil, permitem tratar da desigualdade no acesso às tecnologias, levando em consideração notadamente o corte racial. Atividade: leitura e resenha de artigos acadêmicos sobre o uso das tecnologias pelas escolas públicas e privadas no Brasil.


D

Anísio Teixeira, ao tratar a educação pública como um caminho de preparação para a vida democrática, permite pensar sobre os limites do controle do uso de ferramentas digitais em ambiente escolar, dada a sua centralidade na sociabilidade das novas gerações de cidadãos. Atividade: criação de uma página em rede social em que se divulguem as infrações na escola.

Em sua maior parte, o debate em torno do homeschooling vincula-se ao princípio da liberdade de escolha dos pais em educar seus filhos, baseado em longa tradição ético-política, que tem influência da religião judaico-cristã e do liberalismo. Contudo, esse tipo de argumentação, pautada no direito individual, não nos parece suficiente e satisfatório. Em uma sociedade plural, é preciso um exercício reflexivo ponderado que almeje encontrar razões que esclareçam e abarquem globalmente as posições de um problema. Associa-se a isso certa preocupação desconfiada com as possíveis consequências de uma educação mais limitada em relação à sua radical dimensão socializadora e de encontro com o outro.


Cledes Antonio Casagrande e Nadja Hermann. Formação e homeschooling: controvérsias. Práxis Educativa, Ponta Grossa, v. 15, p. 1- 16, 2020. Adaptado.


Considerando os elementos apresentados no texto, o debate sobre homeschooling demanda uma análise sociológica que


A

privilegie os direitos familiares como expressão legítima da autonomia moral e política dos grupos sociais.


B

compreenda a educação como extensão da esfera privada, refletindo valores comunitários e tradições culturais.


C

reconheça o pluralismo social como base para a escolha de modelos educacionais diversificados e autônomos.


D

enfatize a formação individual como prioridade frente à interferência institucional sobre a infância.


E

valorize a escola como espaço público de socialização, encontro de diferenças e construção da convivência democrática.

Aos onze anos, Malala Yousafzai já defendia os direitos das mulheres e meninas. Como defensora ferrenha do direito das meninas à educação, Yousafzai esteve frequentemente em perigo por causa de suas crenças. No entanto, mesmo após ser baleada pelo Talibã, ela continuou seu ativismo e fundou o Fundo Malala com seu pai. Aos dezessete anos, Yousafzai se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho.


https://www.womenshistory.org


Considerando o uso de metodologias ativas de aprendizagem, qual das estratégias a seguir é adequada para abordar esse tema em sala de aula, promovendo a valorização da educação e dos direitos humanos, sem incidir em etnocentrismo ou intolerância religiosa?


A

Propor aos estudantes a criação de uma campanha em grupo que defenda o direito à educação de meninas, a partir da análise crítica de contextos culturais e sociais diversos.


B

Realizar uma exposição com cartazes que mostrem histórias de meninas que fugiram da opressão, destacando países em que a religião influencia negativamente o acesso à educação.


C

Conduzir uma roda de conversa em que os estudantes expressem suas opiniões sobre os limites que religiões impõem à liberdade e aos direitos civis.


D

Solicitar que os estudantes escrevam textos sobre Malala, destacando como os valores religiosos comprometem a educação.


E

Exibir documentário sobre Malala e promover debate sobre como o fanatismo religioso pode ser combatido com políticas laicas.

Áudios e mensagens de texto com ataques a indígenas do município de General Carneiro, no interior de Mato Grosso, se tornaram alvos do Ministério Público Federal (MPF). Os comentários ofensivos foram compartilhados em um grupo de aplicativo de mensagens destinado aos moradores da cidade no contexto da pandemia de covid-19. "Ô, companheiro, isso daí só é índio, rapaz... não é gente, não (...). Dentro de General mesmo, o número de infectados é muito pouquinho, graças a Deus. Agora os índios... esse povo aí é sem cultura, sem religião, quem dá conta desse povo aí?", disse um homem em um dos áudios compartilhados no grupo.


Vinicius Lemos. https://www.bbc.com. 'Isso não é gente': os áudios com ataques a indígenas na pandemia que se tornaram alvos do MPF. 27.07.2020. Adaptado.


Considerando o episódio relatado e os objetivos do ensino de Sociologia no Ensino Médio, a proposta mais adequada para trabalhar o tema em sala de aula com uma sequência didática que privilegie o ensino não tradicional é:


A

elaborar uma sequência que combine leitura do caso e uma exposição teórica sobre etnocentrismo e aculturação, com foco na identificação de estereótipos. Em seguida, aplicar fichamentos e resumos individuais.


B

usar o caso como ponto de partida para um debate sobre a relação entre preconceito e cultura, seguido da aplicação de um questionário fechado para medir o conhecimento prévio dos estudantes com base no conteúdo.


C

elaborar uma sequência didática baseada em aprendizagem por problemas, partindo do caso para que os estudantes, em grupos, investiguem os conceitos de etnocentrismo e relativismo cultural. A pesquisa incluiria visões dos indígenas, antropólogos e documentos oficiais.


D

propor uma atividade focada na leitura e discussão conceitual dos termos "cultura" e "religião", usando textos clássicos e exposições individuais. O caso noticiado serviria como exemplo ao final da sequência, após a parte teórica.


E

desenvolver um estudo dirigido com textos acadêmicos que comparem etnocentrismo e relativismo, mantendo o caso como pano de fundo para não gerar conflitos de valores em sala de aula.

Mais de 9 milhões de jovens, entre 15 e 29 anos de idade, já tinham deixado de estudar em 2023 antes de concluir a educação básica. A informação é da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2024″, divulgada em dezembro de 2024. Entre os homens, a necessidade de trabalhar foi a principal razão para o abandono escolar, com 53,5% dos casos. Já tarefas domésticas foi o menor motivo (0,8%). Entre as mulheres, 32,6% abandonaram a escola por gravidez e necessidade de realizar tarefas de casa ou cuidar de criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. A porcentagem foi maior que a necessidade de trabalhar (25,5%) e a falta de interesse (20,9%).


(Rafael Saldanha. IBGE: 9,1 milhões abandonaram a escola sem terminar o ensino básico até 2023. www.cnnbrasil.com.br. 04.12.2024. Adaptado.)


Com bases nos dados apresentados, afirma-se que


A

a alta taxa de evasão escolar indica que os jovens priorizam escolhas imediatas e individuais, demonstrando que a decisão de abandonar os estudos está mais relacionada a aspectos subjetivos do que a fatores estruturais.


B

o abandono escolar está equitativamente distribuído entre todas as classes sociais, indicando que os desafios educacionais enfrentados pelos jovens são independentes de fatores econômicos ou culturais.


C

a evasão escolar por falta de interesse nos estudos confirma que o sistema educacional brasileiro atende parcialmente às demandas da sociedade, mas parte dos estudantes opta por não aproveitar as oportunidades disponíveis.


D

a relação entre necessidade de trabalho e abandono escolar evidencia que as desigualdades socioeconômicas afetam as trajetórias educacionais, restringindo oportunidades para determinados grupos e comprometendo sua inserção profissional futura.


E

o impacto da gravidez na evasão escolar feminina ocorre porque, ao contrário dos meninos, as meninas demonstram menos compromisso com a continuidade dos estudos, evidenciando uma tendência comportamental.

O período que compreende os anos de 1925 a 1942 representa o auge do ensino da Sociologia na escola secundária do Brasil, pois seu prestígio saiu do cenário acadêmico, atingindo o cotidiano das classes médias ilustradas. Ademais, durante os anos de 1942 a 1960, a importância da Sociologia declina-se. Surge o medo da ciência social, pois poderia ser subversiva. As circunstâncias do Estado Novo representaram um obstáculo ao florescimento das atividades de ensino e pesquisa em Sociologia.


Alice Anabuki Plancherel e Evelina Antunes F. de Oliveira (org.). Leituras sobre Sociologia no Ensino Médio, 2007. Adaptado.


Com base no texto e nos conhecimentos sobre o ensino de Sociologia no Brasil, afirma-se que


A

a oscilação do papel da disciplina de Sociologia na formação dos estudantes está atrelada aos contextos políticos e ideológicos de determinado período.


B

a presença da Sociologia no currículo reflete uma valorização pontual, sem que haja implicações mais amplas relacionadas aos projetos educacionais vigentes.


C

o ensino da Sociologia foi mantido em diferentes momentos por ser considerado uma ferramenta alinhada às metas nacionais de desenvolvimento.


D

as mudanças no espaço da Sociologia nas escolas decorreram principalmente de decisões administrativas do sistema de ensino, com pouca interferência de fatores externos.


E

a consolidação da Sociologia como disciplina escolar ocorreu em períodos de maior controle estatal, quando se buscava reforçar a coesão social por meio do currículo.

Trabalhando com o tema sobre o consumo na contemporaneidade, um professor de sociologia citou para seus estudantes a seguinte passagem:


"O consumo na contemporaneidade deve ser compreendido a partir da sua dimensão simbólica, ou seja, os indivíduos passam a adquirir os bens pelas suas virtualidades sociais, ou seja, os bens passam a ser os elementos definidores de um novo sistema de classificação, servindo de parâmetros para os modernos processos de identificação e de exclusão. Desse modo, 'em vez de supor que os bens sejam necessários, em primeiro lugar, à subsistência e à exibição competitiva, suponhamos que sejam necessários para dar visibilidade e estabelecer as categorias da cultura”.


MENDES, Débora. Ideologia de gênero e publicidade: um olhar para além das aparências. São Carlos: Novas Edições Acadêmicas, 2017. p. 19.


Depois de ler a passagem, o professor introduziu os conceitos de Indústria Cultural e Sociedade do Espetáculo, abordando a forma como o consumo, impulsionado pela mídia e pelo marketing, com suas propagandas, molda identidades, comportamentos e relações sociais.

O tema gerou um debate entre estudantes que começaram a discutir se o consumo é um ato de liberdade individual ou se ele é uma imposição social que define os pertencimentos e exclusões dentro da sociedade.

No entanto, a discussão levantou dificuldades sobre a compreensão de como o consumo está diretamente relacionado aos processos de alienação e manipulação cultural.


Com isso, o professor decidiu traçar uma estratégia para aprofundar a compreensão dos estudantes sobre esse fenômeno. Qual das opções a seguir, seria adequada para ajudar o professor?


A

Pedir que os estudantes listem os produtos que consomem no dia a dia e identifiquem quais são adquiridos por necessidade e quais são motivados pela publicidade e pelo desejo de status social.


B

Realizar um teste objetivo sobre os conceitos de Indústria Cultural e Sociedade do Espetáculo, garantindo que os estudantes memorizem as definições de forma clara e direta, compreendo os aspectos do consumismo.


C

Solicitar que os estudantes elaborem um manifesto contra o consumo excessivo, com base em opiniões pessoais e experiências cotidianas, dispensando os conceitos sociológicos discutidos em sala.


D

Exibir trechos de filmes e documentários que problematizam o consumismo e a influência da mídia, solicitando aos estudantes que relacionem essas informações aos conceitos discutidos.


E

Direcionar os estudantes a pesquisarem a história da publicidade e do marketing, destacando campanhas premiadas e casos de sucesso, com foco na valorização da criatividade das marcas e impacto no mercado consumidor.

Texto 1


O projeto de nação de José Bonifácio (1763-1838) tinha por fim último a invenção de uma identidade para o Brasil, por meio da constituição de uma utópica sociedade racial, social, política e culturalmente homogênea. Por isso, seus discursos e propostas conferiam centralidade à temática da educação e da incorporação progressiva dos indígenas, grupos étnicos por ele representados como expressão da índole negativa do brasileiro que, "por natureza, clima e vícios coloniais", era "preguiçoso, indolente e ignorante".


José Gonçalves Gondra e Alessandra Schueler. Educação, pode e sociedade no império brasileiro, 2008. Adaptado.


Texto 2


Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos indígenas, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilingue e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos:


I. proporcionar aos indígenas, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências;

II. garantir aos indígenas, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e nãoíndias.


BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Adaptado.


Assinale a alternativa que expressa corretamente a mudança na concepção de educação indígena ao longo do tempo, conforme os textos.


A

O primeiro texto reconhece a importância da diversidade cultural como pilar para a construção da nação, enquanto o segundo defende a homogeneização dos saberes indígenas como forma de inclusão escolar.


B

Ambos os textos consideram a educação indígena como instrumento de preservação cultural, embora com estratégias diferentes para sua implementação.


C

O primeiro texto representa uma visão etnocêntrica, enquanto o segundo valoriza a interculturalidade e a autonomia dos povos indígenas em suas práticas educativas.


D

O segundo texto aprofunda uma perspectiva civilizatória herdada do primeiro, mantendo o objetivo de substituir os saberes tradicionais indígenas por conhecimentos científicos universais.


E

O primeiro texto sugere uma proposta inclusiva e bilíngue de ensino, enquanto o segundo revela um retrocesso ao priorizar a adaptação dos indígenas aos modelos escolares tradicionais.

A fim de aproximar a escola das diretrizes da Lei n. 14 986/24, a professora de Sociologia apresentou uma sequência pedagógica visando trabalhar aspectos teóricos e experiências de estudantes do Ensino Médio a respeito do lugar ocupado por mulheres no campo científico de forma interseccional. Com esse objetivo, os elementos potencializadores foram


A

na aula 1, apresentar um texto e realizar uma avaliação sobre o tema protagonismo feminino e, na aula 2, convidar uma empreendedora local para uma palestra.


B

na aula 1, propor uma pesquisa fazendo um levantamento dos egressos da escola que ingressaram no Ensino Superior e, na aula 2, debater o tema à luz da categoria Trabalho.


C

na aula 1, levantar as experiências familiares dos jovens com o Ensino Superior e, na aula 2, discutir as experiências à luz do debate sobre racismo e sexismo no Brasil.


D

na aula 1, mapear dados numéricos disponibilizados por entidades governamentais e, na aula 2, discutir as evidências de que as mulheres são lideranças nacionais.

Estudante que deu esponja de aço a professora alegou 'brincadeira para dizer que lugar de mulher é na cozinha'

Em depoimento, adolescente de 17 anos, que trocou de escola depois do episódio, afirma que está arrependido e admite que foi uma atitude machista e ofensiva.


https://oglobo.globo.com, 23.03.2023.


Diante da situação descrita na manchete, uma escola comprometida com a superação do senso comum e com a formação crítica dos estudantes deve


A

reforçar as normas disciplinares, garantindo punições exemplares para atitudes discriminatórias com o objetivo de evitar novos episódios ofensivos.


B

convidar especialistas externos para palestras pontuais sobre igualdade de gênero, assumindo que a mediação do professor pode comprometer a imparcialidade necessária ao tema.


C

propor atividades interdisciplinares que mobilizem os estudantes e estimulem a reflexão crítica sobre o machismo, promovendo a transformação de situações naturalizadas no cotidiano.


D

orientar os professores a evitarem debates sobre machismo em sala de aula, focando apenas nos conteúdos curriculares obrigatórios para não estimular conflitos de opinião entre os estudantes.


E

incentivar que o tema seja debatido em espaços extracurriculares, como rodas de conversa e projetos, evitando que a discussão interfira na sequência planejada dos conteúdos regulares.

Com base nos textos 1 e 2, indique qual é a estratégia didática adequada para conectar temas, como hábitos de consumo, tecnologias e corpos jovens.


A

Um percurso pedagógico que reflita como os corpos juvenis têm autonomia e não são condicionados por tecnologias digitais.


B

Uma experiência de ensino voltada à coleta seletiva de lixo na cidade e em que se demonstra quem são as pessoas recicladoras e os locais de coleta.


C

Um esquema formativo que trate a tecnologia como algo perigoso aos corpos dos jovens e aborde a necessidade de eliminação das inteligências artificiais.


D

Um projeto interdisciplinar que relacione Sociologia, Educação Física e Literatura para problematizar a relação entre corpo, consumo e tecnologia.

 
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