Questões de Concurso sobre Sociologia na Educação

 
 
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Com base na obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, o professor de Sociologia elaborou um plano de aula cujo objetivo é discutir criticamente a fome como efeito da sociedade capitalista. Assim, indique a alternativa que apresenta metodologia e atividades adequadas a esse objetivo.


A

Metodologia: Aula expositiva. Atividades: Solicitar aos estudantes que elaborem individualmente um resumo do texto de Carolina Maria de Jesus e apresentem dados sobre a cotação das commodities no mercado internacional.


B

Metodologia: Aula dialogada. Atividades: Solicitar aos estudantes que elaborem um texto sobre desigualdades do acesso à alimentação e debatam sobre o significado de comer bem, as condições necessárias para isso e quem lucra com a fome


C

Metodologia: Assistir ao filme Histórias da fome no Brasil. Atividade: Aplicar um questionário com questões objetivas sobre o mapa da desigualdade no Brasil.


D

Metodologia: Assistir ao filme Histórias da fome no Brasil. Atividade: Aplicar uma prova com questões objetivas sobre o mapa da fome no mundo.

Analise o infográfico a seguir que faz parte do Atlas da Violência 2024.


Imagem associada para resolução da questão


INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA); FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Atlas da Violência 2024. Brasília: Ipea, 2024. Disponível em: https://www.ipea.gov.br. Acesso em: 16 abr. 2025.


A partir desses dados, uma professora de Sociologia deseja propor uma atividade didática que busque provocar reflexões críticas e pensar alternativas que contribuam para reduzir a violência entre os jovens. Considerando os princípios das metodologias ativas, assinale a proposta de atividade adequada.


A

Promover uma roda de conversa com base no infográfico, estimulando que os estudantes pesquisem causas sociais da violência e realizem uma campanha pela valorização da vida.


B

Solicitar aos estudantes que elaborem um resumo técnico com os principais dados do infográfico, destacando os grupos mais afetados e suas características demográficas.


C

Propor que os estudantes analisem o infográfico individualmente e respondam questões objetivas sobre os números apresentados para treinarem a interpretação quantitativa.


D

Explicar o infográfico em sala e pedir que os estudantes comparem os dados com estatísticas de outros países, focando na compreensão geográfica da violência.


E

Trabalhar o infográfico em uma aula expositiva, destacando a importância do combate à violência juvenil como responsabilidade exclusiva das forças de segurança pública.

O que é o homem? (...) Se pensamos nisto, a própria pergunta não é uma pergunta abstrata ou "objetiva". Nasceu daquilo que refletimos sobre nós mesmos e sobre os outros e queremos saber, em relação ao que refletimos e vimos, o que somos e em que coisa nos podemos tornar, se realmente e dentro de que limites somos "artífices de nós próprios", da nossa vida, do nosso destino. E isto queremos sabê-lo "hoje", nas condições dadas hoje, pela vida "hodierna" e não por uma vida qualquer e de qualquer homem.


GRAMSCI, Antônio. Os intelectuais e a organização da cultura. 1982.


Analisando o texto sob a ótica educacional, a função social da escola


A

deve ser compreendida como um mecanismo de transmissão de saberes acumulados, conforme defendido pelas correntes tradicionais do pensamento pedagógico.


B

encontra-se alicerçada na ideia de que a escola é um espaço de reprodução das estruturas sociais, segundo a vertente tecnicista da educação.


C

precisa ser historicamente situada, pois a escola também é atravessada pelas condições materiais, culturais e políticas, como apontam vertentes críticas da educação.


D

reside em promover a adequação do indivíduo aos valores e normas atemporais da sociedade, função defendida por teóricos escolanovistas.


E

restringe-se ao desenvolvimento subjetivo do educando, desconsiderando a historicidade da escola como mediadora cultural.

Enquanto a Sociologia, no que tange às Ciências Sociais, reflete sobre a desigualdade e a diversidade cultural, bem como os processos identitários e fenômenos, em articulação com as múltiplas maneiras de organizações políticas. Sociologia, Geografia, Filosofia e História tornam-se instrumentos na compreensão das práticas sociais e culturais das linguagens, das ciências, das tecnologias e das Ciências Sociais Aplicadas. A presença das Ciências Sociais Aplicadas, na área de Ciências Humanas, dá-se a partir da amplitude na concepção de área, pois os objetos de conhecimento e saberes das diferentes disciplinas se constituem enquanto direito de aprendizagem das juventudes. Portanto, conhecimentos da Economia, Psicologia, Direito e outras perpassam todo o Ensino Médio e permitem compreensão ampla dos fenômenos sociais e dos processos tecnológicos diversos, amparados nos conhecimentos das Ciências Humanas.


GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO. Documento de referência curricular para Mato Grosso: etapa ensino médio. Cuiabá: Secretaria de Estado de Educação, 2021.


A partir do texto, é possível compreender que a presença da Sociologia no Ensino Médio ganha sentido mais amplo quando


A

seus temas contribuem para refletir sobre desigualdades e identidades sociais, mesmo que a relação com transformações tecnológicas seja pouco desenvolvida.


B

sua abordagem privilegia debates estruturais que, embora relevantes, tendem a se concentrar em dimensões mais estáveis da realidade social.


C

seu conteúdo se articula a processos históricos e políticos, ainda que nem sempre dialogue diretamente com campos como o jurídico e o econômico.


D

sua leitura da realidade por meio de discussões sociais e culturais é ampliada, ainda que aspectos contemporâneos da sociedade ocupem lugar secundário.


E

seu ensino se abre ao diálogo com diferentes campos do saber, ampliando a compreensão dos fenômenos sociais em suas múltiplas dimensões.

A Base Nacional Comum Curricular da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHSA), composta pelos componentes curriculares de Sociologia, Filosofia, Geografia e História, propõe o aprofundamento das aprendizagens essenciais, objetos do conhecimento e ampliação das habilidades desenvolvidas no Ensino Fundamental, sempre orientada por uma formação ética, propondo a articulação de temas, conceitos e teorias. A área tem como princípios: a justiça, a solidariedade, a autonomia, a liberdade de pensamento e de escolha. Também é inerente à área a interculturalidade, a equidade, a compreensão e o reconhecimento das diferenças sociais, étnicas, de gênero e culturais, bem como o respeito e a prática dos direitos humanos, a desnaturalização das explicações dos fenômenos sociais e o combate aos preconceitos de qualquer natureza.


GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO. Documento de referência curricular para Mato Grosso: etapa ensino médio. Cuiabá: Secretaria de Estado de Educação, 2021. Adaptado.


De acordo com o texto, a área de Ciências Humanas, integrada pela Sociologia, é essencial na escola porque


A

reforça marcos históricos e culturais compartilhados, contribuindo para a coesão social.


B

orienta valores éticos universais, voltados para uma moral comum entre os estudantes.


C

favorece a reflexão crítica sobre desigualdades, diferenças e direitos na vida coletiva.


D

promove o entendimento das diferenças sem comprometer a unidade do conhecimento.


E

aborda os fenômenos sociais com neutralidade, evitando interferências valorativas.

Um professor de Sociologia deseja promover uma reflexão crítica sobre as dinâmicas da sociedade do trabalho e da sociedade do desempenho com seus estudantes do Ensino Médio, partindo da obra “Sociedade do cansaço” de Byung-Chul Han. Para isso, ele decide apresentar a seguinte passagem da obra durante sua aula:


"Na sociedade do trabalho e do desempenho de hoje, que apresenta traços de uma sociedade coativa, cada um carrega consigo um campo, um campo de trabalho. A característica específica desse campo de trabalho é que cada um é ao mesmo tempo detento e guarda, vítima e algoz, senhor e escravo. Nós exploramos a nós mesmos. O que explora é ao mesmo tempo explorado. Já não se pode distinguir entre algoz e vítima. Nós nos otimizamos rumo à morte, para melhor poder funcionar. Funcionar melhor é interpretado, fatalmente, como melhoramento do si-mesmo."


HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2017.


Com essa passagem, o professor deseja propor uma atividade que incentive a compreensão crítica de seus estudantes sobre o impacto do desempenho e da autoexploração no mundo do trabalho contemporâneo. Entre as estratégias pedagógicas a seguir, qual delas é adequada para atingir o objetivo do professor?


A

Solicitar que os estudantes façam um resumo do texto e identifiquem suas palavras-chave, elaborando um roteiro de compreensão sem discutir suas implicações sociais com exemplos do cotidiano.


B

Propor um debate em sala de aula propondo aos estudantes relacionar a passagem com suas próprias experiências e com exemplos da cultura contemporânea, como redes sociais e a busca incessante por produtividade.


C

Pedir que os estudantes pesquisem sobre o autor do texto e façam uma apresentação expositiva sobre sua biografia e principais conceitos citando exemplos de aplicação desses conceitos.


D

Aplicar um teste objetivo com perguntas diretas sobre o significado da passagem, priorizando a memorização do conteúdo e apropriação do tema, sem apresentar exemplos do cotidiano.


E

Pedir que os estudantes elaborem uma redação em caráter narrativo sobre a importância do esforço individual no sucesso profissional, reforçando o papel do mérito pessoal para obter o sucesso profissional.

Durante uma aula de Sociologia, o professor apresentou aos estudantes o seguinte trecho:


“É certo que Keynes não nos legou uma obra acabada e definitiva; ensinou-nos, no entanto, que a operação de uma economia monetária não pode ser compreendida a partir de modelos analíticos ancorados na Lei de Say. Mais importante ainda, incorporou à Economia a grande descoberta filosófica do século XIX, cristalizada na máxima — “O Homem está só” — ou seja, não podemos contar com a “mão invisível” para garantir o suprimento dos bens e serviços e para gerar todos os empregos requeridos por aqueles que desejam trabalhar. Keynes nos ensinou que a ação do Estado, através da política econômica, é um ingrediente básico do bom funcionamento do sistema capitalista. Ou seja, o ativismo do Estado é um complemento indispensável ao funcionamento dos mercados para se obter o máximo nível de emprego possível e, portanto, maximizar o nível de bem-estar da coletividade.”


SILVA, Adroaldo Moura. Apresentação: Keynes e a teoria geral. In: KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 20.


O professor explicou a passagem, afirmando que a economia não pode depender exclusivamente do mercado para garantir empregos e o suprimento de bens e serviços, pois, para Keynes (1883-1946), a ação do Estado é essencial para corrigir falhas de mercado e promover o bem-estar da sociedade.

Os estudantes começaram a discutir se o papel do Estado na economia deveria ser ampliado ou reduzido, e quais seriam os impactos dessa escolha no bem-estar social. Alguns estudantes argumentaram que a intervenção estatal é necessária para garantir direitos básicos, enquanto outros defenderam que o livre mercado deve prevalecer, com o mínimo de interferência governamental.


Diante desse debate, o professor percebeu que havia dúvidas sobre o conceito de Estado de Bem-Estar Social e sua relação com a economia keynesiana. Qual seria a estratégia pedagógica adequada para aprofundar a compreensão dos estudantes sobre o tema?


A

Pedir que os estudantes leiam textos de Keynes e Adam Smith e façam um resumo comparando suas visões sobre o papel do Estado na economia.


B

Aplicar um teste com perguntas objetivas sobre os princípios do Estado de Bem-Estar Social e a economia keynesiana, garantindo que os estudantes memorizem os conceitos principais.


C

Propor um debate no qual um grupo defenda o Estado de Bem-Estar Social e outro argumente a favor do liberalismo econômico, incentivando a pesquisa sobre diferentes modelos econômicos.


D

Exibir um documentário sobre crises econômicas e pedir que os estudantes analisem de que forma a ausência ou a presença do Estado influenciou a resolução dos problemas sociais.


E

Solicitar que os estudantes pesquisem exemplos históricos de políticas de bem-estar social em diferentes países e expliquem como essas políticas afetaram a economia e a qualidade de vida da população.

O chamado conflito de gerações é um problema causado pelo choque entre as visões de pessoas que nasceram em épocas distintas. Na sala de aula, esse fator tem influência no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. Esta é a conclusão do professor da USP, Hugo Tourinho Filho. Em entrevista, ele avaliou que “o fato de existir um conflito não significa que ele só traz problemas. Quando isso é abordado de uma forma que possibilita o aprendizado entre gerações, é muito interessante o convívio.” Outro desafio é vencer a “superficialidade do conhecimento adquirido”, que, muitas vezes, é impactado pela grande quantidade de informação presente nos mecanismos de busca online. Para o professor, a resposta para isso é apostar na abordagem da importância de todo tipo de conhecimento. “Nós temos que formar a juventude em cidadãos que tenham criticidade, e capacidade de julgar. Da matemática à filosofia, todas as disciplinas são essenciais”.


(Bruna Sales. Estudante da Geração Z deve ser protagonista no processo de ensino, avalia professor. www.cnnbrasil.com.br, 12.07.2022. Adaptado.)


A partir das reflexões trazidas pelo texto, é possível compreender que o conflito de gerações no ambiente escolar exige do professor uma postura que


A

se mantenha fiel às práticas pedagógicas consagradas, de modo a preservar o saber acumulado das gerações anteriores, sem abrir concessões às mudanças culturais recentes.


B

reconheça os limites da tecnologia no processo educativo, evitando que os estudantes substituam o conhecimento formal pelas informações disponíveis em meios digitais.


C

valorize a tensão geracional como oportunidade de diálogo e aprendizagem mútua, atualizando constantemente suas abordagens para mediar criticamente os múltiplos referenciais presentes na sala de aula.


D

promova a adaptação dos conteúdos escolares aos repertórios culturais juvenis, priorizando as práticas que mais se alinhem aos hábitos digitais da nova geração.


E

aceite a distância entre gerações como um fator permanente, concentrando-se em assegurar a transmissão dos conteúdos com neutralidade e distanciamento ideológico.

No âmbito de uma atividade interdisciplinar, a escola realizou uma pesquisa sobre o posicionamento dos estudantes a respeito do tema da maioridade penal. Na pesquisa, 62% dos estudantes se posicionaram a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O professor de Sociologia resolveu usar os resultados dessa pesquisa como base para uma de suas aulas. A alternativa que descreve uma ação pedagógica com abordagem dos resultados de pesquisa conforme a perspectiva weberiana é:


A

Aula expositiva dialogada sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, discutindo a importância da defesa dos direitos humanos dos jovens para a garantia da cidadania.


B

Aula expositiva sobre os sentidos da ação social, aplicando em seguida uma atividade de pesquisa com grupo focal para entender melhor a opinião dos estudantes da escola sobre o tema.


C

Palestra com especialista sobre juventude e violência, buscando debater o aumento dos índices de violência em cidades médias e grandes e formas de lidar com esse aumento.


D

Roda de conversa com os estudantes, visando desconstruir o senso comum presente na turma a respeito do tema da violência e juventude no Brasil contemporâneo.

Durante uma atividade em grupo, realizada em uma plataforma digital, um estudante adepto de uma religião de matriz africana é alvo de comentários depreciativos por parte de alguns colegas, que associam sua opinião a práticas negativas e evitam interagir com ele. O mediador é chamado para intervir e precisa agir de acordo com os princípios da mediação de conflitos e das normativas legais sobre o respeito à diversidade religiosa no ambiente escolar.


Diante dessa situação, identifique a abordagem mais eficaz a ser adotada pelo mediador:


A

Reconhecer que diferenças culturais podem gerar atritos e, por isso, orientar o aluno vítima da intolerância a evitar expressar sua fé dentro da escola para preservar a harmonia do ambiente.


B

Identificar os alunos envolvidos na prática da intolerância, aplicando os dispositivos legais que criminalizam a discriminação religiosa para servir de exemplo aos demais estudantes.


C

Criar um espaço de escuta ativa e diálogo entre os alunos envolvidos, promovendo reflexões sobre diversidade religiosa e respeito às diferenças, além de ações pedagógicas articuladas que envolvam toda a comunidade escolar no enfrentamento da intolerância religiosa.


D

Relatar o caso diretamente à gestão escolar e aos responsáveis dos estudantes envolvidos, recomendando que a resolução do conflito ocorra em um ambiente externo à escola, uma vez que se trata de uma questão pessoal e familiar.


E

Considerar que manifestações de preconceito fazem parte da construção social dos alunos e que qualquer intervenção direta poderia reforçar antagonismos, sendo mais adequado permitir que o grupo de estudantes resolva suas diferenças espontaneamente ao longo do tempo.

Tendo em vista o questionamento do estudante sobre a confiança nas instituições, o conjunto de instrumentos avaliativos adequado para verificar se os estudantes desenvolveram compreensão crítica sobre os elementos que configuram a crise de legitimidade das instituições democráticas contemporâneas é:


A

Análise de caso complexo envolvendo situações reais de crise institucional, avaliando a capacidade dos estudantes de articular teorias políticas contemporâneas com análise crítica de contextos específicos.


B

Prova objetiva com questões sobre conceitos básicos de democracia, verificando se os estudantes memorizaram definições de legitimidade, representação e participação política conforme teorias clássicas.


C

Seminário expositivo em que os estudantes apresentam biografias de teóricos da democracia, demonstrando conhecimento sobre autores e suas principais obras.


D

Redação sobre a importância da democracia, verificando se os estudantes conseguem expressar opiniões pessoais coerentes sobre valores democráticos universais.

O sistema educacional brasileiro sempre sofreu com financiamento inadequado e problemas no acesso, na permanência dos alunos e na atratividade da carreira docente. Com a redemocratização, diversas mudanças foram feitas visando a resolver ao menos parte desses problemas.


A Constituição de 1988 atuou nessas mudanças ao:


A

garantir aos analfabetos o direito ao voto e aumentar a vinculação de gastos com educação;


B

desvincular a obrigatoriedade federal dos gastos com educação básica, passando essa responsabilidade aos estados e municípios;


C

desvincular a obrigatoriedade federal dos gastos com educação, permitindo que os estados e municípios atuassem mais ativamente nesse quesito;


D

estabelecer que estados e municípios deveriam investir no mínimo 25% de suas receitas em educação, e a União, 18%, permitindo a uniformização da qualidade da educação em todo o país;


E

estabelecer, por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), a forma de financiamento da Educação Básica pelos estados e municípios.

Considere o trecho que segue.


“Classe, raça, gênero, diversidade sexual, religiosidades, idades, entre outros são constituintes da realidade social e pedagógica na qual toda e qualquer prática educativa é realizada. Educar, como sabemos, é mais do que ensinar e aprender e do que dominar metodologias. Consiste em um campo denso e, para que aconteça de forma emancipatória, precisa realizar-se articuladamente à justiça social. Isso vale tanto para as práticas quanto para as políticas educacionais da educação básica e do ensino superior.”


Fonte: GOMES, Nilma Lino. Estudos e pesquisas sobre educação, raça, gênero e diversidade sexual. Educação & Sociedade, 2023, p. 44.


Nesse sentido, a Sociologia, no contexto escolar, pode contribuir para uma educação pautada


A

na reprodução das desigualdades sociais e no respeito à cultura nacional.


B

na promoção da justiça social e de um pensamento neutro.


C

na construção do pensamento acrítico e na igualdade social.


D

no respeito às diferenças e na promoção da diversidade.


E

na manutenção de hierarquias sociais e na promoção da diversidade.

Como em toda ciência, as diferenças, os conflitos de “escola” ou de “correntes teóricas” não impedem a existência de um campo de referências e de aquisições comuns por quem pratica ordinariamente sua profissão: aquisições teóricas (exigência de um modo de pensamento relacional contra os modos de pensamento essencialistas, o método comparativo antropológico) e metodológicas (observações, entrevistas, questionários e modos de tratamento dos dados quantitativos).


(Bernard Lahire. Adaptado)


Para Bernard Lahire, a existência de distintas correntes teóricas nas ciências sociais indica


A

a pseudocientificidade das ciências sociais.


B

o relativismo teórico e metodológico radical.


C

o domínio teórico-metodológico do marxismo.


D

a necessidade de compatibilizar tais correntes.


E

a possibilidade de debates críticos na área.

Uma professora elaborou um plano de aula sobre diferentes formas de organização do Estado. A alternativa que apresenta o objetivo geral adequado a um plano de aula para a 2ª série do Ensino Médio, sobre o funcionamento das instituições estatais, é:


A

Identificar como ações de funcionários públicos podem ser caracterizadas como dominação carismática.


B

Compreender como a teoria sobre dominação legal se relaciona com a burocracia moderna.


C

Mapear processos administrativos da prefeitura contra funcionários por uso indevido do cargo.


D

Verificar se a população residente no município aprova o trabalho dos funcionários da prefeitura.

Leia o texto a seguir para responder a esta questão:


O trabalho de Paulo Freire tem um salto qualitativo porque ele faz uma formulação muito sagaz sob o ponto de vista do trabalho de base. Ele reconhece que a população, os trabalhadores do campo, estavam imersos no que ele chama de uma “consciência intransitiva” ou em uma “interação com uma transitividade ingênua”, que é o pensamento do senso comum. Paulo Freire identifica que era necessário interagir com esse pensamento intransitivo e fatalista. Então, era esse o problema a ser enfrentado para que fosse possível levantar questões a partir do senso comum.


Cátia Guimarães. ‘Acho que Paulo Freire, com suas grandezas e limites, abriu caminho para pensar o senso comum’. www.epsjv.fiocruz.br. 16.09.2021. Adaptado.


Com base no excerto e considerando o papel do professor de Sociologia na construção de um pensamento crítico de seus estudantes, é importante que o professor reconheça que


A

é recomendável reduzir a exposição a ideias baseadas no senso comum, que dificultam o entendimento teórico dos conteúdos. para que o ensino de Sociologia avance de forma eficiente.


B

é necessário considerar as visões prévias dos estudantes e utilizá-las como ponto de partida para provocar reflexões que rompam com explicações superficiais e naturalizadas do mundo social.


C

ele, ao lidar com visões pouco elaboradas dos estudantes, deve concentrar seus esforços na explicação dos conceitos sociológicos, priorizando a exposição clara dos temas.


D

o uso de metodologias ativas pode enriquecer o ensino de Sociologia, mas só faz sentido quando os estudantes já superaram as ideias comuns que trazem de fora da escola.


E

a Sociologia na escola tem como função exclusiva apresentar teorias e autores, contribuindo para que os estudantes tenham contato com diferentes interpretações da sociedade.

Ao trabalhar o conceito de mais-valia dentro do pensamento marxista, o professor apresentou aos estudantes a seguinte situação hipotética:


Uma empresa contrata uma operária para trabalhar 8 horas por dia e paga a ela R$ 80,00 por jornada. Após um estudo, a empresa descobre que, em 4 horas, a operária já produziu o equivalente a R$ 80,00 em mercadorias. Nas 4 horas restantes do dia, ela continua produzindo e gera mais R$ 80,00 de valor para a empresa. Em seguida, para fundamentar a situação acima, o professor apresenta um trecho da obra de Karl Marx, O Capital:


"O valor de uso da força de trabalho, o próprio trabalho, pertence tão pouco a seu vendedor quanto o valor de uso do óleo pertence ao comerciante que o vendeu. O possuidor de dinheiro pagou o valor de um dia de força de trabalho; a ele pertence, portanto, o valor de uso dessa força de trabalho durante um dia, isto é, o trabalho de uma jornada. A circunstância na qual a manutenção diária da força de trabalho custa apenas meia jornada de trabalho, embora a força de trabalho possa atuar por uma jornada inteira, e, consequentemente, o valor que ela cria durante uma jornada seja o dobro de seu próprio valor diário – tal circunstância é, certamente, uma grande vantagem para o comprador, mas de modo algum uma injustiça para com o vendedor.”


MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Boitempo, 2015. p. 199


Após a explicação e exposição dos conceitos, o professor apresenta para os estudantes uma atividade, na qual os estudantes precisam escolher uma das alternativas, que melhor representa uma leitura crítica e coerente com o pensamento marxista sobre a relação entre trabalho e remuneração. Qual das opções a seguir, os estudantes devem escolher?


A

A relação é justa, pois a operária aceitou trabalhar por esse valor e a empresa apenas aproveitou a produtividade.


B

A diferença entre o valor produzido e o valor pago é explicada pela liberdade de contrato entre patrões e empregados.


C

A operária foi explorada, pois o capitalista apropriou-se de parte do valor que ela produziu sem remuneração correspondente.


D

A empresa agiu de forma correta, pois pagou o valor de mercado da força de trabalho, independentemente de quanto ela produza.


E

A situação reflete um acordo benéfico para ambas as partes, típico do modelo capitalista equilibrado.

Uma professora de Sociologia de uma escola urbana apresentou o rap Feminicídio, da rapper Anarandà, ao trabalhar com a temática da violência contra as mulheres e meninas. Nesse contexto, considera-se que


A

a professora pode se valer do conceito de corpo-território para evidenciar que as instituições públicas e a legislação atendem aos direitos das mulheres e meninas indígenas e favorecer a discussão sobre o feminicídio no Brasil.


B

o recurso pedagógico utilizado pela professora — o rap —, por ser uma linguagem artística da juventude, naturaliza a violência contra mulheres indígenas, induzindo os estudantes indígenas a aceitarem essa condição.


C

o recurso pedagógico utilizado pela professora, ao se valer de um rap na voz de uma indígena, introduz a noção de corpo-território, trazendo a temática do epistemicídio, da violência e dos direitos indígenas para uma perspectiva interseccional.


D

a professora não atinge seu objetivo com o recurso pedagógico escolhido, porque a violência entre os povos indígenas é um resquício do período colonial e está entranhado na sociedade.

Uma professora busca avaliar uma turma que passou por aulas sobre os estudos de juventude, corpo, gênero e sexualidade com base no conhecimento antropológico. A alternativa que apresenta uma forma de avaliação que prioriza a autonomia discente e dialoga com os métodos de pesquisa da Antropologia é:


A

Prova teórica dissertativa, individual e sem consulta, na qual os temas corpo, sexualidade e juventude apareçam relacionados em questões elaboradas pela docente.


B

Relato de experiência de campo no qual os estudantes tenham tido uma experiência de convivência com outros jovens, com a atenção voltada às temáticas de gênero e sexualidade.


C

Apresentação de seminários de textos antropológicos, predefinidos pela professora, que versem sobre temáticas como cultura, tradição e raça na contemporaneidade.


D

Prova objetiva com itens retirados de outras provas da área, como Enade e Enem, para que seja possível um processo de treinamento para responder tais questões.

Considerando a proposta dos estudantes de criar uma comissão para mapear problemas e formas de participação na escola, a estratégia didática que mobiliza os princípios metodológicos das Ciências Sociais para desenvolver uma postura investigativa e científica é


A

aplicar questionários sobre satisfação escolar, utilizando escalas numéricas em questões abertas para garantir objetividade na coleta de dados e facilitar a tabulação estatística.


B

realizar observação participante e entrevistas semiestruturadas, analisando criticamente as relações de poder e os mecanismos de participação existentes.


C

organizar debates livres entre estudantes com base em suas percepções acerca dos problemas escolares, registrando as opiniões mais frequentes a fim de elaborar um relatório descritivo.


D

convidar especialistas externos para palestras sobre gestão escolar democrática, solicitando aos estudantes que elaborem resumos sistematizados das apresentações.

   
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