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Com base na obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, o professor de Sociologia elaborou um plano de aula cujo objetivo é discutir criticamente a fome como efeito da sociedade capitalista. Assim, indique a alternativa que apresenta metodologia e atividades adequadas a esse objetivo.
Metodologia: Aula expositiva. Atividades: Solicitar aos estudantes que elaborem individualmente um resumo do texto de Carolina Maria de Jesus e apresentem dados sobre a cotação das commodities no mercado internacional.
Metodologia: Aula dialogada. Atividades: Solicitar aos estudantes que elaborem um texto sobre desigualdades do acesso à alimentação e debatam sobre o significado de comer bem, as condições necessárias para isso e quem lucra com a fome
Metodologia: Assistir ao filme Histórias da fome no Brasil. Atividade: Aplicar um questionário com questões objetivas sobre o mapa da desigualdade no Brasil.
Metodologia: Assistir ao filme Histórias da fome no Brasil. Atividade: Aplicar uma prova com questões objetivas sobre o mapa da fome no mundo.
Analise o infográfico a seguir que faz parte do Atlas da Violência 2024.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA); FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Atlas da Violência 2024. Brasília: Ipea, 2024. Disponível em: https://www.ipea.gov.br. Acesso em: 16 abr. 2025.
A partir desses dados, uma professora de Sociologia deseja propor uma atividade didática que busque provocar reflexões críticas e pensar alternativas que contribuam para reduzir a violência entre os jovens. Considerando os princípios das metodologias ativas, assinale a proposta de atividade adequada.
Promover uma roda de conversa com base no infográfico, estimulando que os estudantes pesquisem causas sociais da violência e realizem uma campanha pela valorização da vida.
Solicitar aos estudantes que elaborem um resumo técnico com os principais dados do infográfico, destacando os grupos mais afetados e suas características demográficas.
Propor que os estudantes analisem o infográfico individualmente e respondam questões objetivas sobre os números apresentados para treinarem a interpretação quantitativa.
Explicar o infográfico em sala e pedir que os estudantes comparem os dados com estatísticas de outros países, focando na compreensão geográfica da violência.
Trabalhar o infográfico em uma aula expositiva, destacando a importância do combate à violência juvenil como responsabilidade exclusiva das forças de segurança pública.
O que é o homem? (...) Se pensamos nisto, a própria pergunta não é uma pergunta abstrata ou "objetiva". Nasceu daquilo que refletimos sobre nós mesmos e sobre os outros e queremos saber, em relação ao que refletimos e vimos, o que somos e em que coisa nos podemos tornar, se realmente e dentro de que limites somos "artífices de nós próprios", da nossa vida, do nosso destino. E isto queremos sabê-lo "hoje", nas condições dadas hoje, pela vida "hodierna" e não por uma vida qualquer e de qualquer homem.
GRAMSCI, Antônio. Os intelectuais e a organização da cultura. 1982.
Analisando o texto sob a ótica educacional, a função social da escola
deve ser compreendida como um mecanismo de transmissão de saberes acumulados, conforme defendido pelas correntes tradicionais do pensamento pedagógico.
encontra-se alicerçada na ideia de que a escola é um espaço de reprodução das estruturas sociais, segundo a vertente tecnicista da educação.
precisa ser historicamente situada, pois a escola também é atravessada pelas condições materiais, culturais e políticas, como apontam vertentes críticas da educação.
reside em promover a adequação do indivíduo aos valores e normas atemporais da sociedade, função defendida por teóricos escolanovistas.
restringe-se ao desenvolvimento subjetivo do educando, desconsiderando a historicidade da escola como mediadora cultural.
Enquanto a Sociologia, no que tange às Ciências Sociais, reflete sobre a desigualdade e a diversidade cultural, bem como os processos identitários e fenômenos, em articulação com as múltiplas maneiras de organizações políticas. Sociologia, Geografia, Filosofia e História tornam-se instrumentos na compreensão das práticas sociais e culturais das linguagens, das ciências, das tecnologias e das Ciências Sociais Aplicadas. A presença das Ciências Sociais Aplicadas, na área de Ciências Humanas, dá-se a partir da amplitude na concepção de área, pois os objetos de conhecimento e saberes das diferentes disciplinas se constituem enquanto direito de aprendizagem das juventudes. Portanto, conhecimentos da Economia, Psicologia, Direito e outras perpassam todo o Ensino Médio e permitem compreensão ampla dos fenômenos sociais e dos processos tecnológicos diversos, amparados nos conhecimentos das Ciências Humanas.
GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO. Documento de referência curricular para Mato Grosso: etapa ensino médio. Cuiabá: Secretaria de Estado de Educação, 2021.
A partir do texto, é possível compreender que a presença da Sociologia no Ensino Médio ganha sentido mais amplo quando
seus temas contribuem para refletir sobre desigualdades e identidades sociais, mesmo que a relação com transformações tecnológicas seja pouco desenvolvida.
sua abordagem privilegia debates estruturais que, embora relevantes, tendem a se concentrar em dimensões mais estáveis da realidade social.
seu conteúdo se articula a processos históricos e políticos, ainda que nem sempre dialogue diretamente com campos como o jurídico e o econômico.
sua leitura da realidade por meio de discussões sociais e culturais é ampliada, ainda que aspectos contemporâneos da sociedade ocupem lugar secundário.
seu ensino se abre ao diálogo com diferentes campos do saber, ampliando a compreensão dos fenômenos sociais em suas múltiplas dimensões.
A Base Nacional Comum Curricular da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHSA), composta pelos componentes curriculares de Sociologia, Filosofia, Geografia e História, propõe o aprofundamento das aprendizagens essenciais, objetos do conhecimento e ampliação das habilidades desenvolvidas no Ensino Fundamental, sempre orientada por uma formação ética, propondo a articulação de temas, conceitos e teorias. A área tem como princípios: a justiça, a solidariedade, a autonomia, a liberdade de pensamento e de escolha. Também é inerente à área a interculturalidade, a equidade, a compreensão e o reconhecimento das diferenças sociais, étnicas, de gênero e culturais, bem como o respeito e a prática dos direitos humanos, a desnaturalização das explicações dos fenômenos sociais e o combate aos preconceitos de qualquer natureza.
GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO. Documento de referência curricular para Mato Grosso: etapa ensino médio. Cuiabá: Secretaria de Estado de Educação, 2021. Adaptado.
De acordo com o texto, a área de Ciências Humanas, integrada pela Sociologia, é essencial na escola porque
reforça marcos históricos e culturais compartilhados, contribuindo para a coesão social.
orienta valores éticos universais, voltados para uma moral comum entre os estudantes.
favorece a reflexão crítica sobre desigualdades, diferenças e direitos na vida coletiva.
promove o entendimento das diferenças sem comprometer a unidade do conhecimento.
aborda os fenômenos sociais com neutralidade, evitando interferências valorativas.
Um professor de Sociologia deseja promover uma reflexão crítica sobre as dinâmicas da sociedade do trabalho e da sociedade do desempenho com seus estudantes do Ensino Médio, partindo da obra “Sociedade do cansaço” de Byung-Chul Han. Para isso, ele decide apresentar a seguinte passagem da obra durante sua aula:
"Na sociedade do trabalho e do desempenho de hoje, que apresenta traços de uma sociedade coativa, cada um carrega consigo um campo, um campo de trabalho. A característica específica desse campo de trabalho é que cada um é ao mesmo tempo detento e guarda, vítima e algoz, senhor e escravo. Nós exploramos a nós mesmos. O que explora é ao mesmo tempo explorado. Já não se pode distinguir entre algoz e vítima. Nós nos otimizamos rumo à morte, para melhor poder funcionar. Funcionar melhor é interpretado, fatalmente, como melhoramento do si-mesmo."
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2017.
Com essa passagem, o professor deseja propor uma atividade que incentive a compreensão crítica de seus estudantes sobre o impacto do desempenho e da autoexploração no mundo do trabalho contemporâneo. Entre as estratégias pedagógicas a seguir, qual delas é adequada para atingir o objetivo do professor?
Solicitar que os estudantes façam um resumo do texto e identifiquem suas palavras-chave, elaborando um roteiro de compreensão sem discutir suas implicações sociais com exemplos do cotidiano.
Propor um debate em sala de aula propondo aos estudantes relacionar a passagem com suas próprias experiências e com exemplos da cultura contemporânea, como redes sociais e a busca incessante por produtividade.
Pedir que os estudantes pesquisem sobre o autor do texto e façam uma apresentação expositiva sobre sua biografia e principais conceitos citando exemplos de aplicação desses conceitos.
Aplicar um teste objetivo com perguntas diretas sobre o significado da passagem, priorizando a memorização do conteúdo e apropriação do tema, sem apresentar exemplos do cotidiano.
Pedir que os estudantes elaborem uma redação em caráter narrativo sobre a importância do esforço individual no sucesso profissional, reforçando o papel do mérito pessoal para obter o sucesso profissional.
Durante uma aula de Sociologia, o professor apresentou aos estudantes o seguinte trecho:
“É certo que Keynes não nos legou uma obra acabada e definitiva; ensinou-nos, no entanto, que a operação de uma economia monetária não pode ser compreendida a partir de modelos analíticos ancorados na Lei de Say. Mais importante ainda, incorporou à Economia a grande descoberta filosófica do século XIX, cristalizada na máxima — “O Homem está só” — ou seja, não podemos contar com a “mão invisível” para garantir o suprimento dos bens e serviços e para gerar todos os empregos requeridos por aqueles que desejam trabalhar. Keynes nos ensinou que a ação do Estado, através da política econômica, é um ingrediente básico do bom funcionamento do sistema capitalista. Ou seja, o ativismo do Estado é um complemento indispensável ao funcionamento dos mercados para se obter o máximo nível de emprego possível e, portanto, maximizar o nível de bem-estar da coletividade.”
SILVA, Adroaldo Moura. Apresentação: Keynes e a teoria geral. In: KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 20.
O professor explicou a passagem, afirmando que a economia não pode depender exclusivamente do mercado para garantir empregos e o suprimento de bens e serviços, pois, para Keynes (1883-1946), a ação do Estado é essencial para corrigir falhas de mercado e promover o bem-estar da sociedade.
Os estudantes começaram a discutir se o papel do Estado na economia deveria ser ampliado ou reduzido, e quais seriam os impactos dessa escolha no bem-estar social. Alguns estudantes argumentaram que a intervenção estatal é necessária para garantir direitos básicos, enquanto outros defenderam que o livre mercado deve prevalecer, com o mínimo de interferência governamental.
Diante desse debate, o professor percebeu que havia dúvidas sobre o conceito de Estado de Bem-Estar Social e sua relação com a economia keynesiana. Qual seria a estratégia pedagógica adequada para aprofundar a compreensão dos estudantes sobre o tema?
Pedir que os estudantes leiam textos de Keynes e Adam Smith e façam um resumo comparando suas visões sobre o papel do Estado na economia.
Aplicar um teste com perguntas objetivas sobre os princípios do Estado de Bem-Estar Social e a economia keynesiana, garantindo que os estudantes memorizem os conceitos principais.
Propor um debate no qual um grupo defenda o Estado de Bem-Estar Social e outro argumente a favor do liberalismo econômico, incentivando a pesquisa sobre diferentes modelos econômicos.
Exibir um documentário sobre crises econômicas e pedir que os estudantes analisem de que forma a ausência ou a presença do Estado influenciou a resolução dos problemas sociais.
Solicitar que os estudantes pesquisem exemplos históricos de políticas de bem-estar social em diferentes países e expliquem como essas políticas afetaram a economia e a qualidade de vida da população.
O chamado conflito de gerações é um problema causado pelo choque entre as visões de pessoas que nasceram em épocas distintas. Na sala de aula, esse fator tem influência no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. Esta é a conclusão do professor da USP, Hugo Tourinho Filho. Em entrevista, ele avaliou que “o fato de existir um conflito não significa que ele só traz problemas. Quando isso é abordado de uma forma que possibilita o aprendizado entre gerações, é muito interessante o convívio.” Outro desafio é vencer a “superficialidade do conhecimento adquirido”, que, muitas vezes, é impactado pela grande quantidade de informação presente nos mecanismos de busca online. Para o professor, a resposta para isso é apostar na abordagem da importância de todo tipo de conhecimento. “Nós temos que formar a juventude em cidadãos que tenham criticidade, e capacidade de julgar. Da matemática à filosofia, todas as disciplinas são essenciais”.
(Bruna Sales. Estudante da Geração Z deve ser protagonista no processo de ensino, avalia professor. www.cnnbrasil.com.br, 12.07.2022. Adaptado.)
A partir das reflexões trazidas pelo texto, é possível compreender que o conflito de gerações no ambiente escolar exige do professor uma postura que
se mantenha fiel às práticas pedagógicas consagradas, de modo a preservar o saber acumulado das gerações anteriores, sem abrir concessões às mudanças culturais recentes.
reconheça os limites da tecnologia no processo educativo, evitando que os estudantes substituam o conhecimento formal pelas informações disponíveis em meios digitais.
valorize a tensão geracional como oportunidade de diálogo e aprendizagem mútua, atualizando constantemente suas abordagens para mediar criticamente os múltiplos referenciais presentes na sala de aula.
promova a adaptação dos conteúdos escolares aos repertórios culturais juvenis, priorizando as práticas que mais se alinhem aos hábitos digitais da nova geração.
aceite a distância entre gerações como um fator permanente, concentrando-se em assegurar a transmissão dos conteúdos com neutralidade e distanciamento ideológico.
No âmbito de uma atividade interdisciplinar, a escola realizou uma pesquisa sobre o posicionamento dos estudantes a respeito do tema da maioridade penal. Na pesquisa, 62% dos estudantes se posicionaram a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O professor de Sociologia resolveu usar os resultados dessa pesquisa como base para uma de suas aulas. A alternativa que descreve uma ação pedagógica com abordagem dos resultados de pesquisa conforme a perspectiva weberiana é:
Aula expositiva dialogada sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, discutindo a importância da defesa dos direitos humanos dos jovens para a garantia da cidadania.
Aula expositiva sobre os sentidos da ação social, aplicando em seguida uma atividade de pesquisa com grupo focal para entender melhor a opinião dos estudantes da escola sobre o tema.
Palestra com especialista sobre juventude e violência, buscando debater o aumento dos índices de violência em cidades médias e grandes e formas de lidar com esse aumento.
Roda de conversa com os estudantes, visando desconstruir o senso comum presente na turma a respeito do tema da violência e juventude no Brasil contemporâneo.
Durante uma atividade em grupo, realizada em uma plataforma digital, um estudante adepto de uma religião de matriz africana é alvo de comentários depreciativos por parte de alguns colegas, que associam sua opinião a práticas negativas e evitam interagir com ele. O mediador é chamado para intervir e precisa agir de acordo com os princípios da mediação de conflitos e das normativas legais sobre o respeito à diversidade religiosa no ambiente escolar.
Diante dessa situação, identifique a abordagem mais eficaz a ser adotada pelo mediador:
Reconhecer que diferenças culturais podem gerar atritos e, por isso, orientar o aluno vítima da intolerância a evitar expressar sua fé dentro da escola para preservar a harmonia do ambiente.
Identificar os alunos envolvidos na prática da intolerância, aplicando os dispositivos legais que criminalizam a discriminação religiosa para servir de exemplo aos demais estudantes.
Criar um espaço de escuta ativa e diálogo entre os alunos envolvidos, promovendo reflexões sobre diversidade religiosa e respeito às diferenças, além de ações pedagógicas articuladas que envolvam toda a comunidade escolar no enfrentamento da intolerância religiosa.
Relatar o caso diretamente à gestão escolar e aos responsáveis dos estudantes envolvidos, recomendando que a resolução do conflito ocorra em um ambiente externo à escola, uma vez que se trata de uma questão pessoal e familiar.
Considerar que manifestações de preconceito fazem parte da construção social dos alunos e que qualquer intervenção direta poderia reforçar antagonismos, sendo mais adequado permitir que o grupo de estudantes resolva suas diferenças espontaneamente ao longo do tempo.
Tendo em vista o questionamento do estudante sobre a confiança nas instituições, o conjunto de instrumentos avaliativos adequado para verificar se os estudantes desenvolveram compreensão crítica sobre os elementos que configuram a crise de legitimidade das instituições democráticas contemporâneas é:
Análise de caso complexo envolvendo situações reais de crise institucional, avaliando a capacidade dos estudantes de articular teorias políticas contemporâneas com análise crítica de contextos específicos.
Prova objetiva com questões sobre conceitos básicos de democracia, verificando se os estudantes memorizaram definições de legitimidade, representação e participação política conforme teorias clássicas.
Seminário expositivo em que os estudantes apresentam biografias de teóricos da democracia, demonstrando conhecimento sobre autores e suas principais obras.
Redação sobre a importância da democracia, verificando se os estudantes conseguem expressar opiniões pessoais coerentes sobre valores democráticos universais.
O sistema educacional brasileiro sempre sofreu com financiamento inadequado e problemas no acesso, na permanência dos alunos e na atratividade da carreira docente. Com a redemocratização, diversas mudanças foram feitas visando a resolver ao menos parte desses problemas.
A Constituição de 1988 atuou nessas mudanças ao:
garantir aos analfabetos o direito ao voto e aumentar a vinculação de gastos com educação;
desvincular a obrigatoriedade federal dos gastos com educação básica, passando essa responsabilidade aos estados e municípios;
desvincular a obrigatoriedade federal dos gastos com educação, permitindo que os estados e municípios atuassem mais ativamente nesse quesito;
estabelecer que estados e municípios deveriam investir no mínimo 25% de suas receitas em educação, e a União, 18%, permitindo a uniformização da qualidade da educação em todo o país;
estabelecer, por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), a forma de financiamento da Educação Básica pelos estados e municípios.
Considere o trecho que segue.
“Classe, raça, gênero, diversidade sexual, religiosidades, idades, entre outros são constituintes da realidade social e pedagógica na qual toda e qualquer prática educativa é realizada. Educar, como sabemos, é mais do que ensinar e aprender e do que dominar metodologias. Consiste em um campo denso e, para que aconteça de forma emancipatória, precisa realizar-se articuladamente à justiça social. Isso vale tanto para as práticas quanto para as políticas educacionais da educação básica e do ensino superior.”
Fonte: GOMES, Nilma Lino. Estudos e pesquisas sobre educação, raça, gênero e diversidade sexual. Educação & Sociedade, 2023, p. 44.
Nesse sentido, a Sociologia, no contexto escolar, pode contribuir para uma educação pautada
na reprodução das desigualdades sociais e no respeito à cultura nacional.
na promoção da justiça social e de um pensamento neutro.
na construção do pensamento acrítico e na igualdade social.
no respeito às diferenças e na promoção da diversidade.
na manutenção de hierarquias sociais e na promoção da diversidade.
Como em toda ciência, as diferenças, os conflitos de “escola” ou de “correntes teóricas” não impedem a existência de um campo de referências e de aquisições comuns por quem pratica ordinariamente sua profissão: aquisições teóricas (exigência de um modo de pensamento relacional contra os modos de pensamento essencialistas, o método comparativo antropológico) e metodológicas (observações, entrevistas, questionários e modos de tratamento dos dados quantitativos).
(Bernard Lahire. Adaptado)
Para Bernard Lahire, a existência de distintas correntes teóricas nas ciências sociais indica
a pseudocientificidade das ciências sociais.
o relativismo teórico e metodológico radical.
o domínio teórico-metodológico do marxismo.
a necessidade de compatibilizar tais correntes.
a possibilidade de debates críticos na área.
Uma professora elaborou um plano de aula sobre diferentes formas de organização do Estado. A alternativa que apresenta o objetivo geral adequado a um plano de aula para a 2ª série do Ensino Médio, sobre o funcionamento das instituições estatais, é:
Identificar como ações de funcionários públicos podem ser caracterizadas como dominação carismática.
Compreender como a teoria sobre dominação legal se relaciona com a burocracia moderna.
Mapear processos administrativos da prefeitura contra funcionários por uso indevido do cargo.
Verificar se a população residente no município aprova o trabalho dos funcionários da prefeitura.
Leia o texto a seguir para responder a esta questão:
O trabalho de Paulo Freire tem um salto qualitativo porque ele faz uma formulação muito sagaz sob o ponto de vista do trabalho de base. Ele reconhece que a população, os trabalhadores do campo, estavam imersos no que ele chama de uma “consciência intransitiva” ou em uma “interação com uma transitividade ingênua”, que é o pensamento do senso comum. Paulo Freire identifica que era necessário interagir com esse pensamento intransitivo e fatalista. Então, era esse o problema a ser enfrentado para que fosse possível levantar questões a partir do senso comum.
Cátia Guimarães. ‘Acho que Paulo Freire, com suas grandezas e limites, abriu caminho para pensar o senso comum’. www.epsjv.fiocruz.br. 16.09.2021. Adaptado.
Com base no excerto e considerando o papel do professor de Sociologia na construção de um pensamento crítico de seus estudantes, é importante que o professor reconheça que
é recomendável reduzir a exposição a ideias baseadas no senso comum, que dificultam o entendimento teórico dos conteúdos. para que o ensino de Sociologia avance de forma eficiente.
é necessário considerar as visões prévias dos estudantes e utilizá-las como ponto de partida para provocar reflexões que rompam com explicações superficiais e naturalizadas do mundo social.
ele, ao lidar com visões pouco elaboradas dos estudantes, deve concentrar seus esforços na explicação dos conceitos sociológicos, priorizando a exposição clara dos temas.
o uso de metodologias ativas pode enriquecer o ensino de Sociologia, mas só faz sentido quando os estudantes já superaram as ideias comuns que trazem de fora da escola.
a Sociologia na escola tem como função exclusiva apresentar teorias e autores, contribuindo para que os estudantes tenham contato com diferentes interpretações da sociedade.
Ao trabalhar o conceito de mais-valia dentro do pensamento marxista, o professor apresentou aos estudantes a seguinte situação hipotética:
Uma empresa contrata uma operária para trabalhar 8 horas por dia e paga a ela R$ 80,00 por jornada. Após um estudo, a empresa descobre que, em 4 horas, a operária já produziu o equivalente a R$ 80,00 em mercadorias. Nas 4 horas restantes do dia, ela continua produzindo e gera mais R$ 80,00 de valor para a empresa. Em seguida, para fundamentar a situação acima, o professor apresenta um trecho da obra de Karl Marx, O Capital:
"O valor de uso da força de trabalho, o próprio trabalho, pertence tão pouco a seu vendedor quanto o valor de uso do óleo pertence ao comerciante que o vendeu. O possuidor de dinheiro pagou o valor de um dia de força de trabalho; a ele pertence, portanto, o valor de uso dessa força de trabalho durante um dia, isto é, o trabalho de uma jornada. A circunstância na qual a manutenção diária da força de trabalho custa apenas meia jornada de trabalho, embora a força de trabalho possa atuar por uma jornada inteira, e, consequentemente, o valor que ela cria durante uma jornada seja o dobro de seu próprio valor diário – tal circunstância é, certamente, uma grande vantagem para o comprador, mas de modo algum uma injustiça para com o vendedor.”
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Boitempo, 2015. p. 199
Após a explicação e exposição dos conceitos, o professor apresenta para os estudantes uma atividade, na qual os estudantes precisam escolher uma das alternativas, que melhor representa uma leitura crítica e coerente com o pensamento marxista sobre a relação entre trabalho e remuneração. Qual das opções a seguir, os estudantes devem escolher?
A relação é justa, pois a operária aceitou trabalhar por esse valor e a empresa apenas aproveitou a produtividade.
A diferença entre o valor produzido e o valor pago é explicada pela liberdade de contrato entre patrões e empregados.
A operária foi explorada, pois o capitalista apropriou-se de parte do valor que ela produziu sem remuneração correspondente.
A empresa agiu de forma correta, pois pagou o valor de mercado da força de trabalho, independentemente de quanto ela produza.
A situação reflete um acordo benéfico para ambas as partes, típico do modelo capitalista equilibrado.
Uma professora de Sociologia de uma escola urbana apresentou o rap Feminicídio, da rapper Anarandà, ao trabalhar com a temática da violência contra as mulheres e meninas. Nesse contexto, considera-se que
a professora pode se valer do conceito de corpo-território para evidenciar que as instituições públicas e a legislação atendem aos direitos das mulheres e meninas indígenas e favorecer a discussão sobre o feminicídio no Brasil.
o recurso pedagógico utilizado pela professora — o rap —, por ser uma linguagem artística da juventude, naturaliza a violência contra mulheres indígenas, induzindo os estudantes indígenas a aceitarem essa condição.
o recurso pedagógico utilizado pela professora, ao se valer de um rap na voz de uma indígena, introduz a noção de corpo-território, trazendo a temática do epistemicídio, da violência e dos direitos indígenas para uma perspectiva interseccional.
a professora não atinge seu objetivo com o recurso pedagógico escolhido, porque a violência entre os povos indígenas é um resquício do período colonial e está entranhado na sociedade.
Uma professora busca avaliar uma turma que passou por aulas sobre os estudos de juventude, corpo, gênero e sexualidade com base no conhecimento antropológico. A alternativa que apresenta uma forma de avaliação que prioriza a autonomia discente e dialoga com os métodos de pesquisa da Antropologia é:
Prova teórica dissertativa, individual e sem consulta, na qual os temas corpo, sexualidade e juventude apareçam relacionados em questões elaboradas pela docente.
Relato de experiência de campo no qual os estudantes tenham tido uma experiência de convivência com outros jovens, com a atenção voltada às temáticas de gênero e sexualidade.
Apresentação de seminários de textos antropológicos, predefinidos pela professora, que versem sobre temáticas como cultura, tradição e raça na contemporaneidade.
Prova objetiva com itens retirados de outras provas da área, como Enade e Enem, para que seja possível um processo de treinamento para responder tais questões.
Considerando a proposta dos estudantes de criar uma comissão para mapear problemas e formas de participação na escola, a estratégia didática que mobiliza os princípios metodológicos das Ciências Sociais para desenvolver uma postura investigativa e científica é
aplicar questionários sobre satisfação escolar, utilizando escalas numéricas em questões abertas para garantir objetividade na coleta de dados e facilitar a tabulação estatística.
realizar observação participante e entrevistas semiestruturadas, analisando criticamente as relações de poder e os mecanismos de participação existentes.
organizar debates livres entre estudantes com base em suas percepções acerca dos problemas escolares, registrando as opiniões mais frequentes a fim de elaborar um relatório descritivo.
convidar especialistas externos para palestras sobre gestão escolar democrática, solicitando aos estudantes que elaborem resumos sistematizados das apresentações.