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Texto para questões 68 e 69
TEXTO 1
Ao longo do processo de colonização, os povos indígenas vivenciaram processos de genocídio e de epistemicídio, sendo desconsiderados seus direitos aos modos próprios de vida, conhecimentos ancestrais e territórios. Nas últimas décadas, fortaleceram suas demandas por direitos. Nesse movimento, as mulheres indígenas têm se colocado em luta na defesa dos seus direitos, incluindo o direito a uma vida livre de violências. Dessa perspectiva surge o conceito de corpo-território como uma expressão que liga a espoliação do território à violência contra os corpos das mulheres
TEXTO 2
São joia esmeralda princesa minha rainha
Te passo essa mensagem não cai nessa ladainha
Conheço a história de quem se apaixonou
O homem mais bonito logo te abandonou
Muito das princesa não teve essa sorte
O homem mais amado se transformou em morte
Quebrando torturando no silêncio a sua amada
Mesmo no silêncio é grito de madrugada.
MC ANARANDÀ. Feminicídio. Disponível em: www.youtube.com. Acesso em: 16 jul. 2025 (fragmento)
Uma professora de Sociologia de uma escola urbana apresentou o rap Feminicídio, da rapper Anarandà, ao trabalhar com a temática da violência contra as mulheres e meninas. Nesse contexto, considera-se que
a professora pode se valer do conceito de corpo-território para evidenciar que as instituições públicas e a legislação atendem aos direitos das mulheres e meninas indígenas e favorecer a discussão sobre o feminicídio no Brasil.
o recurso pedagógico utilizado pela professora — o rap —, por ser uma linguagem artística da juventude, naturaliza a violência contra mulheres indígenas, induzindo os estudantes indígenas a aceitarem essa condição.
o recurso pedagógico utilizado pela professora, ao se valer de um rap na voz de uma indígena, introduz a noção de corpo-território, trazendo a temática do epistemicídio, da violência e dos direitos indígenas para uma perspectiva interseccional.
a professora não atinge seu objetivo com o recurso pedagógico escolhido, porque a violência entre os povos indígenas é um resquício do período colonial e está entranhado na sociedade.