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“As crianças oriundas dos meios mais favorecidos não devem ao seu meio somente os hábitos e treinamento diretamente utilizáveis nas tarefas escolares, e a vantagem mais importante não é aquela que retiram da ajuda direta que seus pais lhes possam dar. Elas herdam também saberes (e um “savoir-faire”), gostos e um “bom gosto”, cuja rentabilidade escolar é tanto maior quanto mais frequentemente esses imponderáveis da atitude são atribuídos ao dom” (Bourdieu,2023, p.45).
A partir das teorias de Pierre Bourdieu sobre a transmissão do capital cultural, é INCORRETO afirmar que(,)
em todos os domínios da cultura — teatro, música, pintura, jazz, cinema —, os conhecimentos dos estudantes são mais ricos e extensos quanto mais elevada é a sua origem social.
os estudantes provenientes de meios menos favorecidos tendem a ser eliminados ou filtrados pelo sistema escolar devido às desvantagens estruturais de seu capital cultural, evidenciando a reprodução das desigualdades sociais.
a língua não é apenas um instrumento do pensamento; suas estruturas moldam a capacidade de compreender e organizar ideias complexas, por isso, a aptidão para lidar com raciocínios lógicos ou estéticos depende em boa medida da complexidade da língua aprendida na família, que influencia a língua posteriormente adquirida na escola.
a dimensão central da herança cultural seria adquirida osmoticamente, sem qualquer intervenção social, o que legitima a percepção errônea de que os conhecimentos e habilidades da classe culta resultam apenas de dons individuais, independentemente de influências familiares.
cada família transmite aos seus filhos, mais por vias indiretas do que diretas, um certo capital cultural e um certo ethos — sistema de valores implícitos e profundamente interiorizados — que contribui para definir as atitudes em relação ao capital cultural e à instituição escolar.