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“Mas o corpo também está diretamente mergulhado num campo político; as relações de poder têm alcance imediato sobre ele; elas o investem, o marcam, o dirigem, o supliciam, sujeitam-no a trabalhos, obrigam-no a cerimônias, exigem-lhe sinais. Este investimento político do corpo está ligado, segundo relações complexas e recíprocas, à sua utilização econômica; é, numa boa proporção, como força de produção que o corpo é investido por relações de poder e de dominação; mas em compensação sua constituição como força de trabalho só é possível se ele está preso num sistema de sujeição (onde a necessidade é também um instrumento político cuidadosamente organizado, calculado e utilizado); o corpo só se torna força útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso. Essa sujeição não é obtida só pelos instrumentos da violência ou da ideologia; pode muito bem ser direta, física, usar a força contra a força, agir sobre elementos materiais sem, no entanto, ser violenta; pode ser calculada, organizada, tecnicamente pensada, pode ser sutil, não fazer uso de armas nem do terror, e, no entanto, continuar a ser de ordem física”.
FOUCAULT, Michael. In: Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p.29.
A partir da perspectiva sociológica de Michel Foucault e de suas contribuições na área da educação, assinale a alternativa CORRETA:
A escola moderna, segundo Michel Foucault, constitui-se prioritariamente como um espaço de emancipação intelectual, uma vez que substitui a violência física por práticas pedagógicas racionais e humanizadoras.
O poder disciplinar, tal como analisado por Foucault, manifesta-se na escola apenas por meio de normas explícitas e sanções formais, sendo exterior aos processos pedagógicos cotidianos.
Para Michel Foucault, a função central da escola é a transmissão neutra do saber científico, dissociada das relações de poder que estruturam a sociedade moderna.
A escola, enquanto instituição disciplinar, opera por meio de técnicas como a vigilância, o exame e a normalização, produzindo sujeitos ajustados às exigências sociais e econômicas da modernidade.
Michel Foucault compreende a escola como um aparelho ideológico de Estado, cuja principal função é a reprodução das relações de produção capitalistas, em consonância com a perspectiva marxista clássica.


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