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A literatura e relatórios de pesquisa costumam definir a geração Z como aqueles nascidos, aproximadamente, entre 1997 e 2012. Sobre esse assunto, assinale a alternativa INCORRETA.
A geração Z é caracterizada por uma socialização profundamente mediada por tecnologias digitais, com forte presença de smartphones, redes sociais, algoritmos e comunicação instantânea desde a infância.
A geração Z demonstra elevada valorização de construção de carreira e estabilidade institucional, reproduzindo expectativas semelhantes às da geração Y.
A geração Z apresenta maior familiaridade com linguagens visuais, comunicação fragmentada e múltiplas plataformas, o que influencia seus modos de aprendizagem, sociabilidade e construção identitária.
A geração Z tende a manifestar maior preocupação com saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e coerência ética das instituições com as quais se relaciona.
A geração Z se desenvolveu em um contexto de instabilidade econômica e crise ambiental já naturalizadas, o que contribui para posturas mais pragmáticas em relação ao trabalho, ao consumo e ao futuro.
A partir dos anos 2000, ganhou força no Brasil um modelo de gestão escolar inspirado no setor privado: as metas de aprendizagem são definidas com base em índices como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB); os bônus para professores são atrelados ao desempenho dos alunos nas provas; escolas são ranqueadas em listas públicas; e conglomerados educacionais privados passam a administrar unidades públicas por meio de parcerias. Para um conjunto de sociólogos críticos, essa não é apenas uma mudança administrativa, mas a expressão de uma lógica mais profunda que transforma a educação, antes pensada como direito social e formação cidadã, em uma commodity regulada pela lógica do mercado.
BALL, Stephen J. Educação global S.A.: novas redes políticas e o imaginário neoliberal. Tradução de Janete Bridon. Petrópolis: Vozes, 2022.
A interpretação sociológica que melhor explica a transformação descrita é a que identifica a operação de um paradigma que:
Prioriza a horizontalidade decisória e a emancipação dos sujeitos educativos da tutela estatal, promovendo a soberania pedagógica das comunidades locais.
Fortalece o planejamento centralizado e a uniformização curricular como instrumentos para assegurar a igualdade de acesso a um padrão nacional de conhecimentos.
Naturaliza a concorrência e a racionalidade mercantil como princípios organizadores, redefinindo a educação como um serviço mensurável e submetido à lógica do desempenho e da competitividade.
Busca otimizar a administração pública mediante a aplicação de critérios técnicos universalistas, hierarquia funcional e procedimentos padronizados de avaliação.
Funda a política educacional em métricas quantitativas e na crença de que a observação neutra dos dados pode orientar cientificamente a superação dos problemas de aprendizagem.
Em um bairro nobre de São Paulo, as famílias não escolhem escolas apenas pela grade curricular. Elas avaliam se a escola oferece debate parlamentar em inglês, orquestra sinfônica, equipes de robótica que participam de competições internacionais e viagens de estudo ao exterior. Essas atividades, que vão muito além do vestibular, produzem nos alunos um estilo de fala, uma postura corporal e uma rede de contatos que os distinguem. Em processos seletivos para estágios em multinacionais ou entrevistas para universidades no exterior, essa “gramática corporal” e esse “repertório de mundo” frequentemente pesam mais do que as notas. Essa lógica de distinção social é analisada com base no conceito de habitus e campo.
BOURDIEU, P. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2019.
A análise sociológica que melhor decodifica essa lógica, entendendo a educação como um jogo de distinção social no qual se acumulam e se convertem diferentes formas de capital, é tributária da obra de um autor para quem o mundo social se estrutura como:
Um sistema de interação comunicativa orientado à busca do consenso racional e à superação de assimetrias por meio do diálogo.
Um conjunto de arenas de competição simbólica em que a luta central é pela imposição das categorias de percepção legítimas e pela monopolização de formas específicas de autoridade.
Uma rede de fluxos desterritorializados que exige dos agentes uma permanente reinvenção identitária e estratégica para navegar a incerteza.
Uma ordem coercitiva fundamentada na delegação e no exercício centralizado do poder físico como garantia última da coesão.
Uma constelação de nodos conectivos em que o valor social é gerado pela capacidade de estabelecer vínculos horizontais e acessar informações dispersas.
“A Educação do Campo é fruto de um debate consolidado na atualidade cujos sujeitos protagonistas são os camponeses, camponesas, educadores, educadoras e militantes de movimentos sociais comprometidos com uma educação voltada para a realidade campesina. Seu principal objetivo é garantir que a escola esteja profundamente ligada à realidade dos sujeitos, respeitando todos os tempos e espaços da vida. Ao pensar em um espaço educativo com esta identidade, busca-se levar em consideração que os trabalhadores do campo possuem o direito de estudar onde moram e de serem respeitados nas suas relações de produção, bem como no seu processo histórico”.
SANTOS, Arlete Ramos dos; et all. Apresentação. In: SANTOS, Arlete Ramos dos... [et al.] (Orgs.) Educação do campo: políticas e práticas. Ilhéus, BA: Editus, 2020, p.11.
A partir do final do século XX, através de movimentos sociais do campo e de pesquisadores, a educação do campo se fortalece no Brasil. Nessa perspectiva, assinale a alternativa CORRETA:
A educação do campo, ao priorizar currículos contextualizados à realidade rural, rompe com o princípio constitucional da igualdade, uma vez que institui tratamentos diferenciados para sujeitos que deveriam ser atendidos por uma política educacional homogênea.
As políticas de educação do campo expressam uma concepção de Estado mínimo, na medida em que transferem às comunidades rurais a responsabilidade integral pela formulação curricular e pela gestão dos processos educativos.
As propostas de educação do campo têm como principal objetivo a fixação da população rural no território, priorizando a capacitação técnica dos sujeitos para o trabalho agrícola.
A educação do campo, tal como formulada por movimentos sociais e pesquisadores, incorporada em políticas públicas, compreende o território rural como espaço de produção de saberes, articulando educação, trabalho e cultura, em oposição à lógica de mera adaptação do campo aos interesses do mercado urbano-industrial.
A institucionalização da Educação do Campo pelo Estado brasileiro eliminou as tensões entre políticas educacionais e movimentos sociais, uma vez que incorporou integralmente as propostas pedagógicas formuladas pelas organizações camponesas.
“(…) a sucessão de técnicas ‘salvadoras’ impostas aos professores não produz o resultado anunciado porque os atropela, os reduz a operários de uma linha de montagem cujo produto será avaliado por critérios quantitativos que resultarão em números que justificarão a adoção de novas técnicas impostas às escolas, da noite para o dia e sob a forma de ‘pacotes pedagógicos’. Nesse cenário, os professores não conseguem construir um ‘saber fazer’ que tenha a sua marca pessoal e, muito menos, de participar da construção de um ‘fazer saber’ que resulte da discussão coletiva das mudanças que lhes foram impostas com os colegas e com técnicos das secretarias. Não só os alunos são tratados como coisas; os professores também” (Patto, 2022, p. 662).
Avalie o que se afirma sobre as reflexões de Maria Helena de Souza Patto.
I- Compreende o fracasso escolar a partir das teorias que enfatizam os déficits e as diferenças culturais, distanciando-se de abordagens que o consideram resultado de processos históricos e sociais.
II- Destaca a importância de que os professores possuam sensibilidade e conhecimento sobre os padrões culturais dos alunos, evitando, dessa forma, situações de violência simbólica.
III- Combate mitos sobre a escola e a família, criticando interpretações simplistas e o discurso científico que naturaliza o fracasso escolar, mostrando como essas ideias contribuem para a reprodução de desigualdades.
IV- Indica que a pesquisa educacional deve se aproximar da realidade cotidiana das instituições escolares, observando seu funcionamento integral e os indivíduos que se relacionam com elas.
V- Discorre sobre o fracasso escolar considerando o interior da escola, suas condições e criticando práticas ambíguas e inadequadas que funcionam como estigmas direcionados a classes sociais mais vulneráveis.
Está correto apenas o que se afirma em
II e IV.
I e III.
I, II e V.
I, IV e V.
II, III, IV e V.


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“[...] livros didáticos são heuristicamente valiosos para compreender sociologicamente processos de organização do trabalho intelectual numa sociedade. Especialmente por meio do escrutínio dos modos de relação entre agências e agentes produtores e consumidores dos livros, dos fundamentos de formalização dos conteúdos escolares e as condições de rotinização do conhecimento, conseguimos perceber a configuração da qual obras didáticas são produtos e produtoras. [É possível] reconstituir, pelos livros, um processo social que, de modo geral, é ignorado pelos estudos de sociologia do conhecimento. Essa abordagem propõe três noções importantes: a) entende, pois, que não é possível apartar saber escolar dos processos de síntese intelectual de uma sociedade, b) compreende que não se pode dissociar, na análise, o conteúdo dos livros e o contexto de produção e recepção, c) supõe que a noção de configuração permite perceber analiticamente ações relativas às conexões, formalizações, estabilizações e significações de um campo de conhecimento.” (Meucci, 2020, p. 14-15)
Classifique as asserções abaixo apresentadas como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F), considerando a análise sobre o conjunto formal dos conteúdos escolares que a autora propõe no trecho citado a partir de uma perspectiva sociológica configuracional.
( ) Os processos de constituição dos currículos e de suas manifestações formais escritas, como o livro didático, são configurados a partir de agentes especiais do campo educacional, capazes de isolar a influência das macroestruturas de conhecimento e fluxo intelectual a bem do processo de ensino-aprendizagem.
( ) Processos de reorganização pedagógica e curricular, como aqueles produzidos pelo Novo Ensino Médio e pela nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), não estão apartados dos tensionamentos e debates políticos e intelectuais de nível macrossocial.
( ) Os livros didáticos e bases curriculares são produtos e produtores dos processos de sistematização, sedimentação, rotinização e institucionalização do conhecimento socialmente produzido e legitimado.
( )A definição, a legitimação e a manutenção do sistema educacional, bem como do seu conjunto de agentes e instituições, permitem um nível de autonomia a esse campo social, garantindo-lhe a inexistência de adjudicações por parte de outras esferas e campos sociais.
( ) A presença dos campos de conhecimento, como o caso da Sociologia, no currículo da educação básica, configura- se como reflexo dos debates e fluxos intelectuais da sociedade, mesmo que eventualmente apresentados de forma diluída e fragmentada em instrumentos oficiais, como na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das asserções acima apresentadas:
MEUCCI, Simone. Os livros didáticos da perspectiva da sociologia do conhecimento: uma proposição teórico-metodológica. Revista Brasileira de História da Educação, Maringá, v. 20, e098, p. 1-18, 2020. DOI: 10.4025/rbhe.v20.2020.e098.
F, V, V, F, F.
V, V, V, V, V.
F, V, V, V, V.
F, V, V, V, F.
F, V, V, F, V.
Considerando o texto 15A2-I e as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino de sociologia, é correto afirmar que, em sala de aula, o professor desse componente curricular deve
promover atividades que desenvolvam nos estudantes a habilidade de analisar criticamente discursos das mídias digitais, identificando valores, interesses e ideologias que moldam percepções sobre trabalho, sucesso e cidadania.
adotar conteúdos de influenciadores infantis como exemplos positivos de empreendedorismo, valorizando modelos que aproximam a linguagem escolar do cotidiano dos estudantes.
tratar de forma neutra as manifestações presentes nas redes sociais, orientando os alunos apenas quanto ao uso responsável das tecnologias, sem discutir impactos sociais, políticos ou econômicos de tais manifestações.
apresentar os conteúdos das redes sociais como retratos espontâneos da realidade juvenil, evitando questionamentos que possam gerar conflitos de opinião entre os estudantes.
limitar suas intervenções à mediação de debates entre os estudantes, evitando direcionar análises ou problematizar discursos presentes nas mídias digitais, para não interferir em interpretações pessoais.
De acordo com a BNCC, é correto afirmar que o ensino da sociologia no ensino médio deve
propor a análise da sociedade como um todo, desconsiderando as experiências pessoais e o contexto social dos alunos.
reconhecer a validade e a universalidade de princípios consolidados ao longo do tempo.
garantir aos estudantes o uso consciente e crítico de novas tecnologias, compreendendo suas potencialidades e seus limites na configuração do mundo contemporâneo.
analisar as diferentes sociedades e culturas com base no método comparativo e em critérios valorativos
identificar as diversas formas de preconceito e violência, sem a perspectiva, contudo, de combatê-las ou repará-las.
Tendo o texto 15A2-II como referência, assinale a opção em que é apresentada prática docente alinhada às competências da BNCC para o ensino de sociologia.
considerar os discursos difundidos por influenciadores nas redes sociais como possuidores do mesmo estatuto do conhecimento da sociologia, entendendo que a adesão a qualquer um deles é apenas uma opinião pessoal
aproximar a escola das referências midiáticas consumidas pelos jovens, de modo a incentivar os estudantes a valorizar estratégias de enriquecimento divulgadas nas redes sociais como alternativas profissionais legítimas
evitar discutir meritocracia com os estudantes, pois esse tema envolve opiniões políticas pessoais que não podem ser analisadas criticamente no âmbito escolar
problematizar discursos que associem sucesso individual exclusivamente ao esforço pessoal, analisando o modo como narrativas meritocráticas presentes nas mídias digitais influenciam percepções sobre desigualdade, trabalho e cidadania
deixar de analisar fatores sociais, econômicos ou históricos na discussão sobre oportunidades e desigualdades, para não reforçar a ideia de determinismo social nas trajetórias de alunos de origem humilde
Considerando o texto 15A2-II, assinale a opção em que é apresentado um princípio metodológico do ensino de sociologia, especialmente no que se refere ao uso de recursos didáticos, à análise crítica de fenômenos sociais e ao emprego de categorias conceituais na mediação pedagógica.
evitar o emprego de textos midiáticos como fonte didática no ensino de sociologia, uma vez que tais materiais não constituem produção científica e são sempre ideologicamente enviesados, impossibilitando o trabalho conceitual neutro requerido pelo componente curricular
tomar a notícia como referência para reforçar noções de autonomia individual e empreendedorismo e associá-las à trilha de projeto de vida de forma a estimular competências subjetivas para que os estudantes orientem suas decisões pessoais rumo ao sucesso profissional
restringir o uso do texto à ilustração de comportamentos de consumo e evitar articulá-lo a categorias sociológicas mais amplas, visto que o aprofundamento conceitual poderia comprometer a clareza pedagógica da atividade
mobilizar o texto como recurso didático para problematizar representações sociais naturalizadas sobre trabalho, mérito e sucesso, de forma a possibilitar que os estudantes analisem tais discursos como construções sociais passíveis de tratamento conceitual e os relacionem às desigualdades estruturais e às transformações contemporâneas do trabalho
utilizar o texto como exemplo de opiniões espontâneas, sem confrontá-las com conceitos sociológicos, a fim de preservar a liberdade interpretativa dos estudantes e evitar suposto proselitismo ideológico decorrente de debates críticos em sala de aula


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"No fundo das teorias do currículo, está, pois, uma questão de 'identidade' ou de 'subjetividade'. Se quisermos recorrer à etimologia da palavra 'currículo', que vem do latim curriculum, 'pista de corrida', podemos dizer que, no curso dessa 'corrida' que é o currículo, acabamos por nos tornar o que somos. Nas discussões cotidianas, quando pensamos em currículo, pensamos apenas em conhecimento, esquecendo-nos de que o conhecimento que constitui o currículo está inextricavelmente, centralmente, vitalmente, envolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade, na nossa subjetividade. Talvez possamos dizer que, além de uma questão de conhecimento, o currículo é também uma questão de identidade. É sobre essa questão, pois, que se concentram as teorias do currículo" (Silva, 2000, p. 15-16).
Considerando a natureza do currículo e das teorias do currículo a partir das reflexões do autor do trecho citado, marque as seguintes asserções como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F):
( ) As teorias do currículo apresentam um contínuo afirmativo que permitiu principiar as práticas curriculares ao longo da história moderna sem grandes rupturas teóricas e práticas.
( ) O currículo possui um núcleo epistemológico próprio, capaz de indicar a priori o conjunto dos conhecimentos válidos e socialmente referenciado.
( ) O tensionamento entre as teorias tradicionais, críticas e pós-críticas do currículo revela a natureza política, cultural e ética do currículo enquanto fenômeno social e educacional.
( ) A compreensão do currículo enquanto uma construção social permite a adjudicação entre a prática pedagógica e constructos epistemológicos e teóricos concernentes e anteriormente constituídos.
( ) Em uma concepção tradicional do currículo, em que o valor do conhecimento é dado por si, ficam negligenciadas as noções sociológicas de dominação, poder e controle social.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das sentenças acima:
SILVA, Tomaz Tadeu. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
V, F, V, V, V.
F, V, V, V, V.
V, V, F, F, F.
F, F, V, V, V.
V, V, V, V, V.
Um professor de Sociologia no Ensino Médio planeja uma sequência didática sobre desigualdade social e decide utilizar contribuições de diferentes autores clássicos de forma aplicada. Analise as seguintes propostas de abordagem:
I. aplicar a teoria da mais-valia de Marx para calcular matematicamente, com dados de empresas brasileiras, a diferença entre valor produzido pelos trabalhadores e salários recebidos, evidenciando apropriação de trabalho excedente;
II. utilizar o conceito weberiano de "estamentos" para analisar com os estudantes como prestígio social e estilos de vida (consumo cultural, padrões estéticos, capital simbólico) diferenciam grupos sociais contemporâneos, mesmo com renda similar;
III. mobilizar o conceito durkheimiano de "anomia" para discutir com estudantes situações contemporâneas de fragilização normativa, como períodos de crise econômica, transformações tecnológicas aceleradas ou rompimento de laços comunitários tradicionais;
IV. usar a noção marxista de "ideologia" para analisar criticamente com estudantes como meios de comunicação, publicidade e discursos políticos naturalizam desigualdades sociais e obscurecem relações de dominação.
Do ponto de vista pedagógico e conceitual, estão adequadamente contextualizadas para o Ensino Médio APENAS as propostas de abordagens:
II e IV.
I, II e III.
I e III.
II, III e IV.
I, III e IV.
Sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “espera-se que ajude a superar a fragmentação das políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo e seja balizadora da qualidade da educação. Assim, para além da garantia de acesso e permanência na escola, é necessário que sistemas, redes e escolas garantam um patamar comum de aprendizagens a todos os estudantes, tarefa para a qual a BNCC é instrumento fundamental”.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. a educação é a base, 2013, p.9. Disponível em https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em 04 fev. 2026.
Considerando os fundamentos teórico-metodológicos da Sociologia e as orientações da BNCC, assinale a alternativa CORRETA.
A BNCC preserva a Sociologia como disciplina obrigatória e autônoma no Ensino Médio, assegurando-lhe conteúdos conceituais próprios e uma progressão linear dos clássicos do pensamento sociológico.
A abordagem da Sociologia na BNCC prioriza a transmissão sistemática de conceitos sociológicos, com centralidade na neutralidade científica e na dissociação entre conhecimento escolar e práticas sociais.
A BNCC desloca a Sociologia para uma perspectiva integrada, enfatizando competências e habilidades que promovem a análise crítica das relações sociais, do poder e das desigualdades em diferentes contextos históricos e culturais.
A Sociologia, conforme a BNCC, assume caráter instrumental, sendo voltada à formação para o mercado de trabalho e à adaptação dos estudantes às demandas do capitalismo contemporâneo.
A BNCC restringe a presença da Sociologia ao estudo das instituições políticas formais, excluindo temáticas como identidade, cultura, gênero e movimentos sociais por considerá-las excessivamente ideológicas.
A partir de uma discussão sobre o texto Capital cultural e reprodução escolar: um balanço crítico, de Hugues Draelants e Magali Ballatore, as sociólogas Débora Cristina Piotto e Maria Alice Nogueira comentam:
"Os autores começam a discussão acerca do capital cultural debruçando-se sobre dois tipos de definição do conceito, verificados nos trabalhos revisados: uma definição restrita e outra ampla. A primeira restringe a noção de capital cultural às obras culturais ditas legítimas que emanam de e circulam nas diferentes instâncias de legitimação que são as academias, laboratórios, bibliotecas, museus, conservatórios etc. Já a segunda definição alarga consideravelmente o conteúdo do conceito, estendendo-o às disposições dos indivíduos e a suas relações com os bens de cultura. E observam que, quando se adota a definição restrita de capital cultural, é possível colocar em dúvida seu papel central na explicação das desigualdades escolares atuais; em contrapartida, afirmam que esse não é o caso quando se adota a definição mais ampla, a qual estaria, aliás, segundo eles, em maior conformidade com o próprio pensamento de Bourdieu" (Piotto; Nogueira, 2021, p. 3).
Acerca das asserções abaixo apresentadas e da relação proposta entre elas, assinale a alternativa CORRETA que reflete as observações das autoras do trecho citado.
I. Capital cultural alargado, capital cultural público e capital informacional são recursos conceituais que buscam reinterpretar as dinâmicas e influências do capital cultural na sociedade contemporânea.
PORQUE
II. Apesar das mudanças sociais recentes, a noção de capital cultural enquanto capital cultural erudito ainda permanece válida, por este apresentar alta força relacional para explicar as condições sociais e as expectativas de futuro na sociedade contemporânea.
PIOTTO, Débora; NOGUEIRA, Maria Alice. Um balanço do conceito de capital cultural: contribuições para a pesquisa em educação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 47, e4/0100302, p. 1-35, 2021.
As duas asserções são proposições corretas, mas a segunda não é uma justificativa adequada da primeira.
As duas asserções são proposições corretas, e a segunda é uma justificativa adequada da primeira.
A primeira asserção é uma proposição correta, e a segunda, uma proposição incorreta.
A primeira asserção é uma proposição incorreta, e a segunda, uma proposição correta.
Tanto a primeira quanto a segunda asserção são proposições incorretas.
Após o processo de universalização da educação básica e da massificação do acesso ao ensino superior em vários países, o campo de estudos de estratificação social passou a propor uma compreensão para os processos contemporâneos de estratificação educacional como desigualdade efetivamente mantida (Eftectively Maintained lnequality) em tensionamento à compreensão da desigualdade maximamente mantida (Maximally Maintained lnequality).
Qual das alternativas abaixo melhor caracteriza o conceito de desigualdade efetivamente mantida?
LUCAS, Samuel R. Effectively Mai ntai ned lnequality: education transitions, track mobility, and social background effects. American Journal of Sociology, v. 1 06, n. 6, p. 1 642-1 690, 2001 .
A origem social tem relação direta com a capacidade de realização educacional. Condições socioeconômicas e culturais mais privilegiadas permitem ao estudante melhores condições de acesso aos mais difíceis níveis educacionais, refletido na capacidade de acúmulo de anos de estudos e na sua longevidade escolar, mantendo-os efetivamente mais distantes em termos educacionais e sociais daqueles estudantes sem as mesmas condições sociais de origem.
Com a universalização e/ou massificação da educação, houve uma diminuição da influência dos efeitos socioeconômicos e culturais de origem sobre as probabilidades de sucesso escolar e sobre os destinos sociais. Ao garantir o acesso à educação com qualidade, diminui-se efetivamente a desigualdade escolar entre estudantes de diferentes classes sociais e com efeitos que suplantam o efeito das desigualdades adscritas.
As diferenças qualitativas na experiência escolar dos alunos são uma via importante através da qual a origem social é modalizada na produção do efeito sobre as transições escolares. A redução da ênfase nos processos de estratificação na escola produz invariavelmente uma descaraterização do padrão dos efeitos da origem social no sucesso escolar, em nível geral.
O processo de expansão da educação de nível secundário produziu uma pressão de demanda para o acesso à educação terciária (ensino superior). Quanto maior o fluxo de estudantes dos níveis primários aos secundários da educação, maior a pressão dos estudantes mais privilegiados socialmente por mais escolarização, refletida em maior disputa por credenciais educacionais que dependem ainda mais de acúmulo educacional.
Com o aumento da escolaridade geral, produz-se um efeito horizontal de estratificação, caracterizado pelas diferenças - curriculares, de prestígio e de carreiras potenciais - internas a cada nível/etapa de escolarização. Os fatores que determinam a continuidade da escolarização também determinam onde e de que modo essa escolarização se realizará. A localização dos estudantes neste contexto educacional estratificado tem implicações na probabilidade de efetuarem transições adicionais e, por conseguinte, no seu sucesso escolar e retornos sociais futuros.


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“Mas o corpo também está diretamente mergulhado num campo político; as relações de poder têm alcance imediato sobre ele; elas o investem, o marcam, o dirigem, o supliciam, sujeitam-no a trabalhos, obrigam-no a cerimônias, exigem-lhe sinais. Este investimento político do corpo está ligado, segundo relações complexas e recíprocas, à sua utilização econômica; é, numa boa proporção, como força de produção que o corpo é investido por relações de poder e de dominação; mas em compensação sua constituição como força de trabalho só é possível se ele está preso num sistema de sujeição (onde a necessidade é também um instrumento político cuidadosamente organizado, calculado e utilizado); o corpo só se torna força útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso. Essa sujeição não é obtida só pelos instrumentos da violência ou da ideologia; pode muito bem ser direta, física, usar a força contra a força, agir sobre elementos materiais sem, no entanto, ser violenta; pode ser calculada, organizada, tecnicamente pensada, pode ser sutil, não fazer uso de armas nem do terror, e, no entanto, continuar a ser de ordem física”.
FOUCAULT, Michael. In: Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p.29.
A partir da perspectiva sociológica de Michel Foucault e de suas contribuições na área da educação, assinale a alternativa CORRETA:
A escola moderna, segundo Michel Foucault, constitui-se prioritariamente como um espaço de emancipação intelectual, uma vez que substitui a violência física por práticas pedagógicas racionais e humanizadoras.
O poder disciplinar, tal como analisado por Foucault, manifesta-se na escola apenas por meio de normas explícitas e sanções formais, sendo exterior aos processos pedagógicos cotidianos.
Para Michel Foucault, a função central da escola é a transmissão neutra do saber científico, dissociada das relações de poder que estruturam a sociedade moderna.
A escola, enquanto instituição disciplinar, opera por meio de técnicas como a vigilância, o exame e a normalização, produzindo sujeitos ajustados às exigências sociais e econômicas da modernidade.
Michel Foucault compreende a escola como um aparelho ideológico de Estado, cuja principal função é a reprodução das relações de produção capitalistas, em consonância com a perspectiva marxista clássica.
Em uma escola estadual de ensino médio, uma professora efetiva, sem ocupar cargo formal de gestão, passa a desempenhar funções que extrapolam suas atribuições docentes. Ela é frequentemente acionada pela direção para mediar conflitos entre professores, orientar novos docentes, organizar projetos pedagógicos institucionais e representar a escola em instâncias administrativas externas. Apesar dessas demandas, não possui poder decisório formal, não recebe gratificação por função e tem sua autoridade constantemente questionada, ficando exposta a cobranças contraditórias e a uma posição institucional ambígua.
Do ponto de vista da Sociologia das organizações, o conceito que explica essa condição é:
socialização reversa.
desvio de função institucionalizado.
papéis sociais intersticiais.
autoridade burocrática informal.
conflito de status ocupacional.
A UNESCO lançou, em 2025, no Brasil, um importante documento orientador: o “Marco referencial de competências em IA para professores”. Esse documento define os conhecimentos, as habilidades e os valores que os professores devem dominar na era da IA. Desenvolvida com princípios de proteção dos direitos dos professores, aprimoramento da autonomia humana e promoção da sustentabilidade, a publicação descreve 15 competências em cinco dimensões: mentalidade centrada no ser humano, ética da IA, fundamentos e aplicações de IA, pedagogia de IA e IA para o desenvolvimento profissional.
Diante desse marco, as Ciências Sociais podem contribuir para a reflexão sobre o uso de IAs para o ensino-aprendizagem,
refletindo de forma crítica sobre as implicações da IA, visto que são ferramentas neutras e imparciais que auxiliam no fazer ciência.
recomendando evitar o uso dessa ferramenta, em decorrência de seu caráter reprodutor do capitalismo, não contribuindo para o fazer ciência.
recomendando evitar o uso dessa ferramenta, tendo em vista a ausência de valor pedagógico e ético, não contribuindo para o fazer ciência.
refletindo de forma crítica sobre as implicações da IA, pautando-se em posturas éticas e pedagógicas para uma ferramenta que auxilia no fazer ciência.
refletindo de forma crítica sobre as implicações da IA, visto que essa ferramenta é capaz de produzir ciência sem a intermediação humana e das relações sociais.
Mais de 9 milhões de jovens, entre 15 e 29 anos de idade, já tinham deixado de estudar em 2023 antes de concluir a educação básica. A informação é da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2024″, divulgada em dezembro de 2024. Entre os homens, a necessidade de trabalhar foi a principal razão para o abandono escolar, com 53,5% dos casos. Já tarefas domésticas foi o menor motivo (0,8%). Entre as mulheres, 32,6% abandonaram a escola por gravidez e necessidade de realizar tarefas de casa ou cuidar de criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. A porcentagem foi maior que a necessidade de trabalhar (25,5%) e a falta de interesse (20,9%).
(Rafael Saldanha. IBGE: 9,1 milhões abandonaram a escola sem terminar o ensino básico até 2023. www.cnnbrasil.com.br. 04.12.2024. Adaptado.)
Com bases nos dados apresentados, afirma-se que
a alta taxa de evasão escolar indica que os jovens priorizam escolhas imediatas e individuais, demonstrando que a decisão de abandonar os estudos está mais relacionada a aspectos subjetivos do que a fatores estruturais.
o abandono escolar está equitativamente distribuído entre todas as classes sociais, indicando que os desafios educacionais enfrentados pelos jovens são independentes de fatores econômicos ou culturais.
a evasão escolar por falta de interesse nos estudos confirma que o sistema educacional brasileiro atende parcialmente às demandas da sociedade, mas parte dos estudantes opta por não aproveitar as oportunidades disponíveis.
a relação entre necessidade de trabalho e abandono escolar evidencia que as desigualdades socioeconômicas afetam as trajetórias educacionais, restringindo oportunidades para determinados grupos e comprometendo sua inserção profissional futura.
o impacto da gravidez na evasão escolar feminina ocorre porque, ao contrário dos meninos, as meninas demonstram menos compromisso com a continuidade dos estudos, evidenciando uma tendência comportamental.
Texto 1
O projeto de nação de José Bonifácio (1763-1838) tinha por fim último a invenção de uma identidade para o Brasil, por meio da constituição de uma utópica sociedade racial, social, política e culturalmente homogênea. Por isso, seus discursos e propostas conferiam centralidade à temática da educação e da incorporação progressiva dos indígenas, grupos étnicos por ele representados como expressão da índole negativa do brasileiro que, "por natureza, clima e vícios coloniais", era "preguiçoso, indolente e ignorante".
José Gonçalves Gondra e Alessandra Schueler. Educação, pode e sociedade no império brasileiro, 2008. Adaptado.
Texto 2
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos indígenas, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilingue e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos:
I. proporcionar aos indígenas, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências;
II. garantir aos indígenas, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e nãoíndias.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Adaptado.
Assinale a alternativa que expressa corretamente a mudança na concepção de educação indígena ao longo do tempo, conforme os textos.
O primeiro texto reconhece a importância da diversidade cultural como pilar para a construção da nação, enquanto o segundo defende a homogeneização dos saberes indígenas como forma de inclusão escolar.
Ambos os textos consideram a educação indígena como instrumento de preservação cultural, embora com estratégias diferentes para sua implementação.
O primeiro texto representa uma visão etnocêntrica, enquanto o segundo valoriza a interculturalidade e a autonomia dos povos indígenas em suas práticas educativas.
O segundo texto aprofunda uma perspectiva civilizatória herdada do primeiro, mantendo o objetivo de substituir os saberes tradicionais indígenas por conhecimentos científicos universais.
O primeiro texto sugere uma proposta inclusiva e bilíngue de ensino, enquanto o segundo revela um retrocesso ao priorizar a adaptação dos indígenas aos modelos escolares tradicionais.


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