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Casa Grande & Senzala (1933) é um clássico do pensamento social brasileiro e marcou época na interpretação da formação societal nacional como o produto do encontro e intercâmbio cultural e etnorracial entre os povos brancos, negros e indígenas. Seu autor, Gilberto Freyre, ganhou projeção nacional ao defender que
a democracia racial era justificada pelo fato de existir uma distribuição desigual de talentos naturais entre raças que não admitia relativizações
a sociedade brasileira colonial estaria fundada no particularismo da família patriarcal, na política e na cultura.
a imputabilidade penal fosse atribuída com base no desenvolvimento biológico -cultural de cada indivíduo.
a teoria marxista da luta de classes deveria ser substituída pela teoria antropológica da luta entre as raças.
Nossa época é uma época de inquietação e indiferença – ainda não formuladas de modo a permitir que sobre elas se exerçam a razão e a sensibilidade. Ao invés de problemas – definidos em termos de valores e ameaças – há com frequência a miséria da inquietação vaga; ao invés das questões explícitas, há com frequência o sentimento desanimador de que algo não está certo.
(MILLS, Charles Wright. A Imaginação Sociológica. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982, p. 18)
Wright Mills notabilizou-se por interpretar a pesquisa sociológica como um “artesanato intelectual”, assim como por empreender uma crítica àquilo que denominava de “grande teoria”. Dentre os procedimentos metodológicos preconizados pelo autor, destaca-se a
elaboração de um vocabulário de termos técnicos sociológicos, de maneira a permitir uma comunicação fundada em bases consensuais, estabelecidas pela categoria profissional.
imperiosidade do trabalho de campo e a rejeição da “sociologia de gabinete”.
prevalência da consideração dos processos microssociológicos nos quais o sociólogo pudesse interagir com seu objeto, reservando-se um papel minoritário ao exame das estruturas sociais e dos processos históricos.
recusa da teoria em favor da observação dos fenômenos imediatos e da pesquisa empírica em geral, como fontes exclusivas do conhecimento.
integração entre as experiências pessoais de vida e o trabalho teórico, assim como entre a biografia do pesquisador e a história.
Acerca das influências de Gilberto Freyre e suas investigações, é correto afirmar:
1. Influenciado pela antropologia estadunidense reordenou a visão determinista e passou a refletir sobre as relações de troca que ocorriam entre a casa grande e a senzala.
2. Sua atuação acadêmica inspirada nas teses marxistas influenciou o surgimento de estudos sobre a relação de classe e da permanência de resquícios do passado colonial.
3. Seus escritos revelam que as interações e distinções sociais são menos deterministas, pois percebidas através das relações de troca e circularidades culturais.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
É correta apenas a afirmativa 2.
São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.
São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.
São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.
A pesquisa social é uma forma de conhecimento que se caracteriza pela construção de evidência empírica elaborada a partir da teoria, aplicando regras de procedimento explícitas. Desta definição podemos inferir que em toda pesquisa estão presentes três elementos que se articulam entre si: marco teórico, objetivos e metodologia. Estas etapas se influenciam mutuamente, e na prática de pesquisa se pensam em conjunto.
(SAUTU, Ruth et. al. “La construcción del marco teórico en la investigación social”. In: ____. Manual de metodología: construcción del marco teórico, formulación de los objetivos y elección de la metodología. Colección Campus Virtual. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 34)
A partir dos elementos essenciais de uma pesquisa social, elencados acima, é correto afirmar:
Os objetivos da pesquisa são formulados a partir dos dados recolhidos pelo pesquisador.
A integração dos níveis micro e macrossociais numa pesquisa sociológica implica alterações na metodologia.
A perspectiva teórica adotada é independente da metodologia a ser aplicada.
A construção da evidência empírica pelo pesquisador dispensa os recursos metodológicos.
Os custos da pesquisa estão relacionados apenas com os objetivos estabelecidos pelo pesquisador.
A teoria da democracia racial, derivada a partir da hipótese de pesquisa desenvolvida por Gilberto Freyre, principalmente com sua obra “Casa-Grande e Senzala”, pode ser relacionada à política de cotas implementada nos institutos federais a partir da Lei 12.711 de 29 de agosto de 2012. Dentre as opções abaixo, marque a CORRETA em relação aos conteúdos do enunciado acima.
A teoria desenvolvida por Gilberto Freyre contribui para explicar a diferença entre os níveis de violência racial ocorridos nos EUA e no Brasil, bem como sustenta teoricamente a política de cotas raciais adotada em nosso país.
A teoria da democracia racial, derivada da obra de Freyre, sustenta uma suposta convivência pacífica e democrática entre os negros, indígenas e brancos europeus, de modo a sustentar a política de cotas raciais.
A teoria desenvolvida por Freyre atribui uma visão romantizada da realidade, tornando invisíveis várias formas de violência praticadas por brancos europeus em relação aos negros. A política de cotas raciais, nesse sentido, visa validar a teoria de Freyre.
A teoria da democracia racial, derivada da obra de Freyre, mascara em grande medida a violência praticada por brancos contra negros no Brasil, sustentando de certo modo parte das críticas atribuídas à adoção de cotas raciais no país.
A teoria da democracia racial de Freyre tem por princípio desvelar todas as formas de violência de brancos contra negros no Brasil, amparando teoricamente a adoção de cotas raciais como forma de compensação histórica.
Na década de 1930, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda ficaram conhecidos como “Intérpretes do Brasil” e inauguraram, junto a outros autores, uma nova maneira de entender o país. Tendo em vista o pensamento, especificamente desses dois autores, podemos afirmar que um dos principais avanços da análise sociológica em relação ao Brasil foi:
Pensar a miscigenação para além dos fatos meramente raciais, tratando-as também como miscigenação cultural.
Explicar o processo de democratização racial do Brasil, como decorrência específica das relações interculturais do período colonial.
Estabelecer limites rígidos e definitivos para a análise do multiculturalismo brasileiro, baseados, a partir daí, nos critérios de raça e cor.
Analisar as fusões culturais estabelecidas no Brasil através dos elementos europeus, e não apenas através dos africanos e indígenas, como era feito anteriormente.
Renato Ortiz argumenta acerca do papel central de um intelectual brasileiro que realiza em sua obra a passagem do conceito de raça para o de cultura, de modo a dar base para a compreensão da identidade nacional:
“(...) transforma a negatividade do “mestiço” em positividade, o que permite completar definitivamente os contornos de uma identidade que há muito vinha sendo desenhada. (...) O mito das três raças torna-se então plausível e pode-se atualizar como ritual. A ideologia da mestiçagem, que estava aprisionada nas ambiguidades das teorias racistas, ao ser reelaborada pode difundirse socialmente e se tornar senso comum, ritualmente celebrado nas relações do cotidiano, ou nos grandes eventos como o carnaval e o futebol. O que era mestiço torna-se nacional.” (ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 41.)
Assinale a resposta que corresponde ao intelectual mencionado por Renato Ortiz no trecho selecionado:
Florestan Fernandes.
Nina Rodrigues.
Sérgio Buarque de Holanda.
Gilberto Freyre.
Roberto DaMatta.

A referida obra, “Casa‐grande e Senzala”, tanto quanto seu autor são ícones da sociologia do Brasil. Dentre as grandes contribuições dessa obra de Gilberto Freyre, aponta‐se a disseminação da ideia de:
A importância da obra de Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala, para a análise do comportamento dos diferentes grupos raciais na sociedade brasileira, consiste na
afirmação da existência de uma democracia racial na sociedade brasileira.
substituição de uma explicação biológica das diferenças raciais por uma interpretação cultural.
elaboração de uma interpretação biológica das diferenças raciais por oposição a uma ênfase nos elementos culturais.
ênfase nas diferenças socioestruturais por oposição às diferenças culturais.
Entre as contribuições sociológicas da obra Casa grande e senzala, inclui-se
a denúncia do discurso sobre a existência de uma suposta democracia racial brasileira.
a abordagem economicista para explicar as relações entre índios, negros e portugueses no Brasil Colonial.
a defesa do branqueamento da população brasileira como resposta ao dilema das relações raciais.
o entendimento da formação histórica do Brasil como movimento propiciador de uma sociedade híbrida, em uma positiva experiência de relações humanas.
A obra Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, enfatiza os elementos culturais na análise do comportamento dos diferentes grupos raciais e étnicos no Brasil.
A revolução burguesa no Brasil é a obra magna de Gilberto Freyre, um dos maiores expoentes da sociologia brasileira.