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De acordo com Norbert Elias, os controles sociais sobre os impulsos instintivos e as emoções associadas à conduta civilizada em sociedade se originaram e desenvolveram na aristocracia de corte, reunida em torno do rei.
Certo
Errado
Na obra O Processo Civilizador, o autor analisa a história dos costumes a partir da formação do Estado moderno e suas influências sobre a civilização ocidental.
Seres humanos e sociedade constituem parte da natureza. Entretanto, a natureza não é homogênea, mas um todo diferenciado que pode ser apreendido nos níveis orgânico, inorgânico e humano-social.
Acerca do estudo sobre a relação existente entre indivíduo e a sociedade, realizado por Norbert Elias, e apresentado em sua obra “A Sociedade dos Indivíduos”, assinale a alternativa correta.
( ) É necessária a dicotomia existente entre indivíduo e a sociedade, pois, somente assim, é possível compreender as relações que se estabelecem entre os padrões gerados.
( ) O desenvolvimento da cultura e das instituições exerce pouca influência no desenvolvimento dos indivíduos, devido à personalidade que cada um tráz consigo desde o nascimento.
( ) Os indivíduos em comunidade sempre viveram em harmonia entre si, independentemente da sociedade e do contexto histórico.
( ) O indivíduo e a sociedade existem em virtude da existência um do outro, e na relação de interdependência que estabelecem entre si.
( ) Para compreender a natureza da sociedade, é importante analisar separadamente, de um lado, o indivíduo em si, sua história, suas interações sociais, e do outro lado, a história das primeiras organizações sociais.
Norbert Elias é um dos mais conhecidos sociólogos contemporâneos que desenvolveu uma marcante contribuição à sociologia da cultura ao refletir sobre a sociogênese dos conceitos de “cultura” e “civilização”. Sobre sua abordagem é CORRETO afirmar:
De orientação evidentemente marxista, Elias mapeia a noção de cultura como uma história da ideologia enquanto confere à civilização uma análise tecnológica dos processos de exploração do trabalho.
A crítica de Elias recai no uso deliberado e extenso das análises antropológicas acerca da cultura, demasiado amplas, mantendo sua abordagem histórico-sociológica na investigação da concepção francesa de civilização, com ênfase nas inovações tecnológicas.
Contrariando análises anteriores, Elias identifica a origem da noção de cultura nos países asiáticos e demonstra a influência dessa noção para a tradição ocidental, em um amplo processo de difusão semântica que chega a sobrepujar a noção de civilização dominante na Europa.
Atento ao significado dos conceitos ao longo do tempo e em diferentes contextos nacionais, Elias resgata a noção francesa de civilização como referente aos progressos das instituições e costumes ocidentais, universalizáveis a toda humanidade, e demonstra como a visão alemã de cultura opunha-se à civilização, vista como leviandade e superficialidade, em detrimento dos valores de profundidade e autenticidade nacionais.
Resgatando influência do estruturalismo de Lévi- Strauss, Elias procura demonstrar a dimensão inconsciente que perpassa e organiza tanto as práticas culturais e simbólicas, associadas à noção de cultura, quanto os processos inconscientes de formação das nacionalidades referentes à noção de civilização.
Texto I
O que vemos no país é uma espécie de espraiamento e a manifestação da agressividade através da violência. Isso se desdobra de maneira evidente na criminalidade, que está presente em todos os redutos — seja nas áreas abandonadas pelo poder público, seja na política ou no futebol. O brasileiro não é mais violento do que outros povos, mas a fragilidade do exercício e do reconhecimento da cidadania e a ausência do Estado em vários territórios do país se impõem como um caldo de cultura no qual a agressividade e a violência fincam suas raízes.
Entrevista com Joel Birman. A Corrupção é um crime sem rosto. IstoÉ. Edição 2099, 3 fev. 2010.
Texto II
Nenhuma sociedade pode sobreviver sem canalizar as pulsões e emoções do indivíduo, sem um controle muito específico de seu comportamento. Nenhum controle desse tipo é possível sem que as pessoas anteponham limitações umas às outras, e todas as limitações são convertidas, na pessoa a quem são impostas, em medo de um ou outro tipo.
ELIAS, N. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
Considerando-se a dinâmica do processo civilizador, tal como descrito no Texto II, o argumento do Texto I acerca da violência e agressividade na sociedade brasileira expressa a
incompatibilidade entre os modos democráticos de convívio social e a presença de aparatos de controle policial.
manutenção de práticas repressivas herdadas dos períodos ditatoriais sob a forma de leis e atos administrativos.
inabilidade das forças militares em conter a violência decorrente das ondas migratórias nas grandes cidades brasileiras.
dificuldade histórica da sociedade brasileira em institucionalizar formas de controle social compatíveis com valores democráticos.
incapacidade das instituições político-legislativas em formular mecanismos de controle social específicos à realidade social brasileira.
Leia os fragmentos a seguir.
Todos os homens nascem igualmente livres e independentes, têm direitos certos, essenciais e naturais dos quais não podem, pôr nenhum contrato, privar nem despojar para a posteridade.
Declaração dos Direitos da Virgínia, 1776
Ninguém pode ser acusado, preso ou detido, senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por estas prescritas.
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 1789
Considerando essencial que os direitos dos homens sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e opressão.
Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948
Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano e degradante.
Constituição da República Federativa do Brasil, 1988
Os documentos citados ilustram a evolução dos direitos humanos nos países ocidentais. Essa gradativa evolução da consciência da necessidade de proteger os direitos humanos é explicada sociologicamente pelo conceito de
processo civilizador, de Norbert Elias, que preconiza uma gradativa pacificação da conduta humana.
solidariedade orgânica, de Durkheim, que preconiza o aumento da solidariedade social.
homem unidimensional, de Marx, que vislumbra uma igualdade crescente na sociedade moderna.
desencantamento do mundo, de Weber, que vislumbra uma clareza maior sobre questões éticas.
Norbert Elias define o conceito de estigmatização como um aspecto da relação entre estabelecidos e outsiders onde muitas vezes é criado pelo grupo dos estabelecidos um tipo de fantasia coletiva para justificar a aversão e o preconceito deste grupo sobre o dos outsiders. Como justificativa para comprovar a veracidade deste tipo infundado de fantasia coletiva, é habitual
a sistematização de atributos jurídicos ao estigma social.
a desqualificação da religiosidade do grupo estigmatizado.
a demarcação espacial como estratégia de separação de um grupo do outro.
a negação dos atributos humanos do grupo estigmatizado.

Para o autor, são, sucessivamente, etapas do processo civilizador
as restrições ao livre-arbítrio, o aumento da psicologização e a intensificação da racionalização.
a mudança nos costumes, a instituição da moralidade e a transformação da cultura em civilização.
a imposição do controle social, o desenvolvimento do auto-controle e a monopolização da violência.
a difusão da cultura, o enraizamento da racionalização e a consolidação da civilização.
a alteração nos comportamentos, a formação da psicogênese e o desenvolvimento da sociogênese.
Marque, nos parênteses, F para falso e V para verdadeiro.
Com base no texto de Norbert Elias, podemos afirmar que:
F, V, F, V
V, V, F, V
F, F, V, V
V, F, V, F