Questões de Concurso sobre Poder

 
 
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"Não há relações de poder sem a constituição correlata de um campo de saber, nem há saber que não suponha e constitua, ao mesmo tempo, relações de poder... Portanto, essas relações de "poder-saber" não devem ser analisadas a partir de um sujeito de conhecimento, que seria livre ou não em relação ao sistema de poder; ao contrário, é preciso considerar que o sujeito que conhece, os objetos a conhecer e as modalidades de conhecimento são, de fato, efeitos dessas implicações fundamentais do poder-saber e de suas transformações históricas. “Michel Foucault. Sendo assim é correto afirmar que, assinale a alternativa correta:


A

Explicitou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição.


B

Negou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição.


C

Explicitou-se a noção de que as formas de pensamento não são relações de poder e que não implicam a coerção e imposição.


D

Ocultou-se a noção de que as formas de pensamento implicam a coerção e imposição.


E

Afirmou que as formas de pensamento são isentas de relação de poder.

“Vigiar e punir é o livro que Foucault consagra ao nascimento da prisão, depois de conduzir um movimento que levara a pôr em questão de forma radical não apenas o sistema penitenciário, mas as redes de poder-saber a ele associadas em nossa sociedade”. (MOTTA, M. B., 2010, p. XIII)

Assinale a alternativa correta:


A

Michel Foucault na referida obra se ateve ao estudo do sistema prisional contemporâneo ao período de elaboração do mesmo


B

De acordo com a referida obra os sistemas punitivos mudam de forma mas mantém o mesmo princípio ao longo do tempo


C

As prisões em si e os hospitais não são para Foucault as instituições de representação do sistema de vigilância e punição


D

O Poder para este autor é tema secundário de suas pesquisas


E

Os “Panópticos” são, para o autor, expressões ou instrumentos do exercício do poder

Leia com atenção as seguintes abordagens de análise do poder:


1) “Pode-se conceber o ‘poder’ – ‘influência’ e ‘controle’ são sinônimos úteis – enquanto capacidade de um ator fazer algo afetando outro ator, que muda o provável padrão de futuros acontecimentos específicos. Isto pode ser divisado mais facilmente numa situação de tomada de decisão”. (DAHL, Robert. Who Governs?)

2) “É claro que o poder é exercido quando A participa da tomada de decisões que afeta B. Mas o poder também é exercido quando A devota suas energias na criação ou no reforço de valores sociais e políticos e de práticas institucionais que limitam o escopo do processo político submetido à consideração pública de apenas aqueles temas que são comparativamente inócuos para A. Na medida em que A obtém sucesso em fazer isso, impede-se que B, para todos os propósitos práticos, leve a público quaisquer temas que possam em sua decisão ser seriamente prejudiciais para o conjunto de preferências de A”. (BACHRACH, Peter e BARATZ, Morton. Duas faces do poder.)

3) “Não é o supremo e mais insidioso exercício do poder evitar que as pessoas tenham qualquer tipo de queixas ao moldarem suas percepções, conhecimentos e preferências, de tal modo que aceitem seu papel na existente ordem das coisas, seja porque não possam ver ou imaginar alternativas para ela, ou porque a vejam como natural e imutável, ou porque a valorizem como divinamente ordenada e benéfica? Pressupor que a ausência de queixas equivale a um genuíno consenso, é apenas excluir a possibilidade de consenso falso, ou manipulado por decreto consensual”. (LUKES, Steven. O Poder.)

4) “Sendo esta a linha geral de análise, algumas precauções metodológicas impunham-se para desenvolvê-la. Em primeiro lugar: não se trata de analisar as formas regulamentares e legítimas do poder em seu centro (...). Segunda precaução metodológica: não analisar o poder no plano da intenção ou da decisão (...). Terceira precaução metodológica: não tomar o poder como fenômeno de dominação maciço e homogêneo de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre os outros, de uma classe sobre as outras (...). Quarta precaução metodológica: (...) fazer uma análise ascendente do poder: partir dos mecanismos infinitesimais que têm uma história, um caminho, técnicas e táticas e depois examinar como esses mecanismos de poder foram e ainda são investidos, colonizados, utilizados, subjugados, transformados, deslocados, desdobrados, etc., por mecanismos cada vez mais gerais e formas de dominação globais”. (FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder.)


Acerca destas diferentes maneiras de conceber e analisar a questão do poder, é correto afirmar que:


A

o pressuposto da abordagem (1) é que o poder só existe em situação de dissenso ou conflito – o que é verdadeiro, se levarmos em conta que processos de deliberação racional são decididos pela força do melhor argumento;


B

a abordagem (3) sugere que a questão da ideologia, tal como formulada na tradição marxista, isto é, como “falsa consciência”, deveria estar no cerne da análise do poder, uma vez que determina as maneiras pelas quais o sujeito irá formar suas opiniões;


C

a preocupação da abordagem (2) é com a possibilidade de que certos temas sejam impedidos de vir à tona, e que portanto não possam sequer converter-se em questões a respeito das quais alguma decisão possa ser tomada;


D

a abordagem (3) refuta totalmente a abordagem (1), na medida em que assinala que o processo de tomada de decisão é constrangido por forças inconscientes;


E

a abordagem (4) é um desdobramento da abordagem (2), uma vez que propõe a analítica do poder desde uma perspectiva ascendente, ou seja, que parte da existência de micro-relações de poder para daí deduzir suas regras gerais de funcionamento.

Segundo Giles (1985, p. 23), o Estado é, antes de tudo, o poder institucionalizado e, por extensão, a própria instituição em que reside o poder, pois, para agir, ele necessita de recursos que só uma organização pode fornecer. Além da forma de poder acima mencionada (poder institucional do Estado), outras formas de poder ou concepções acerca do poder podem ser identificadas. Qual das alternativas abaixo se refere à noção de Foucault acerca do poder?

A
O poder, quando exercitado, é política, pois é uma ação social. O poder legítimo exerce seu domínio sobre os outros, com o reconhecimento daqueles que o obedecem.

B
O poder é sempre hierárquico e implica centralização.

C
O poder não se localiza numa instituição, ou no Estado, nem pode ser concedido a alguém, pois ele é uma relação de forças. O poder exercido de forma celular está presente nas microrrelações sociais.

D
No estado democrático, o poder resulta da conjugação de três esferas: executivo, legislativo e judiciário.

E
O poder político e o econômico andam juntos. Enquanto os keynesianos defendem a não intervenção do estado na economia, os liberais promovem ações intervencionistas.
 
 
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