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Os casos de corrupção nas diversas esferas do Estado brasileiro vêm despertando a atenção da sociedade para as atuais relações entre o público e o privado na política nacional. Sobre a contribuição da sociologia para a análise desse tema, assinale a alternativa INCORRETA.
Raízes do Brasil é, sem dúvida, um dos livros mais famosos e centrais ao pensamento sociológico sobre o país. Nesse clássico, Sérgio Buarque de Hollanda, baseando-se em Max Weber, trabalha com dois tipos sociais ideais para pensar o Brasil.
Assinale, entre as opções abaixo, aquela que corresponde à noção CORRETA:
Os dois tipos-ideais para pensar o Brasil foram as noções de “adaptação”, desenvolvidas adequadamente pelos portugueses nos trópicos, e de “aventura”, legado deixado pelos indígenas do território nacional, cuja bravura e resistência formou outro lado do caráter nacional.
A “racionalidade” dos administradores coloniais portugueses, versados no pleno desenvolvimento urbano, associou-se à “sociabilidade” dos escravos negros, sendo esses tipos ideais, o legado central para pensar o dilema brasileiro desde os tempos coloniais.
Trata-se de duas lógicas de colonização do país: a da “aventura”, de tradição ibérica, que visa ao resultado material imediato, riquezas e prestígio a partir da ousadia e da audácia; e a do “trabalho”, associada à colonização holandesa e protestante, baseada na ética do trabalho árduo e persistente.
A “civilidade” portuguesa, no árduo processo de construção de cidades e aglomerados urbanos em meio à selva e espaços de difícil habitação, mesclou-se à “lógica comunal” indígena, baseada na partilha e reciprocidade, lançando o país em uma apropriação específica da configuração capitalista colonial.
As lógicas condizentes da “cordialidade”, centralizada no caráter afetuoso e hospedeiro do índio do território brasileiro, bem como a “amabilidade” negra tornaram o povo brasileiro submisso aos ditames coloniais e, posteriormente, à elite política do país, configurando a dependência nacional frente ao cenário externo.
Sérgio Buarque de Hollanda iniciou sua produção intelectual voltado para a crítica literária e para a crítica cultural. Utilizou o instrumental tipológico de Weber na análise histórica e social do Brasil na obra Raízes do Brasil.
Para Sérgio Buarque de Holanda, a grande revolução brasileira não foi um fato que pode ser identificado em um instante preciso, mas sim um complexo processo que se iniciou no terceiro quartel do século XIX, com a dissolução da ordem tradicional agrária e com o predomínio da cultura das cidades.