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A publicação de Raízes do Brasil, em 1936, por Sérgio Buarque de Holanda, marcou o pensamento político-social brasileiro ao analisar como a colonização portuguesa influenciou a formação social e cultural do Brasil, especialmente a tensão entre relações pessoais e instituições impessoais no processo de construção do Estado e da democracia brasileira.
Considerando os argumentos apresentados por Sérgio Buarque de Holanda, avalie o que se afirma a respeito do pensamento e da obra desse autor.
I- O modelo colonial português no Brasil, caracterizado pelo patrimonialismo, explica historicamente o surgimento do “homem cordial” e a dificuldade de estabelecer instituições impessoais e racionalmente organizadas em território brasileiro.
II- Inspirado pelos tipos puros weberianos, argumenta que o colonizador do tipo semeador encarnava a tentativa de transferir métodos europeus para os trópicos, exercendo controle estratégico sobre a ocupação e expansão territorial, enquanto o ladrilhador, em contraste, caracterizava-se por improvisação adaptativa, ajustando-se de maneira espontânea e flexível, improvisando soluções diante das contingências locais.
III- Afirma que os portugueses possuíam uma sociabilidade marcada pela capacidade de adaptação a diferentes contextos, traços que influenciaram o modo de colonização no Brasil, mas também contribuíram para o personalismo, o patrimonialismo e a fragilidade das instituições na formação social brasileira.
IV- Descreve a democracia brasileira como um “lamentável mal-entendido” porque foi transplantada sem base social compatível e suas ideias liberais não se enraizaram em uma sociedade definida estruturalmente pelo personalismo.
V- Sustenta que o bacharelismo, ao valorizar conhecimento jurídico formal, contribuiu para a construção de uma ordem social mais equitativa, na qual privilégios derivativos de relações pessoais eram progressivamente eliminados.
Está correto apenas o que se afirma em
I e V.
II e IV.
I, III e V.
II, III e V.
I, III e IV.
Em Raízes do Brasil (1936), Sérgio Buarque de Holanda apresenta o conceito de "homem cordial" como uma chave interpretativa da formação social brasileira. Com base nessa concepção, assinale a alternativa que expressa corretamente o significado sociológico do "homem cordial":
O homem cordial corresponde ao sujeito disciplinado e obediente às normas estatais, símbolo do fortalecimento das instituições republicanas.
O homem cordial é o arquétipo do trabalhador urbano moderno, comprometido com a ética protestante e a meritocracia individual.
O homem cordial expressa a autonomia política e o espírito crítico do cidadão moderno, que valoriza a razão pública em detrimento das relações pessoais.
O homem cordial é o indivíduo que se orienta pela racionalidade burocrática e pela impessoalidade das relações sociais típicas das sociedades modernas.
O homem cordial representa um tipo de sociabilidade baseada em vínculos afetivos e pessoais que tende a enfraquecer a separação entre o público e o privado na vida social e política brasileira.
Nos estudos sobre o processo de formação social do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra Raízes do Brasil (1994), debate sobre nossa herança rural. Segundo o autor, qual das alternativas abaixo melhor reflete as características dessa herança?
Centralização do poder estatal e burocratização das relações sociais.
Democratização das instituições públicas e inclusão de todas as classes sociais no processo político.
Valorização da vida urbana e do cosmopolitismo, refletidos na organização das cidades.
Consolidação de uma sociedade meritocrática, em que o sucesso individual é alcançado principalmente através do esforço e das competências pessoais.
Predominância de uma cultura patriarcal e personalista, em que as relações sociais são baseadas na autoridade familiar e no favoritismo.
Nas primeiras sistematizações da Sociologia Brasileira estão as interpretações do processo de formação social do Brasil, entres as quais se destacam as obras de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Florestan Fernandes. A partir de pontos de vista diversos, os fatos essenciais da realidade brasileira foram tratados pelos autores clássicos da Sociologia no Brasil, considerando as condições políticas e sociais que estavam ligadas aos problemas e às possibilidades de desenvolvimento do país. Nesse sentido, analise as afirmações a seguir e indique a alternativa que apresenta a correspondência CORRETA com o respectivo conceito e autor.
• Gerou uma consciência falsa da realidade ao não denunciar a desigualdade de oportunidades entre negros e brancos.
• Tratou a miscigenação (um fato biológico) e a democratização (fato sociopolítico) como fenômenos semelhantes.
• Funcionou como uma cultura política e um obstáculo para enfrentar a verdadeira questão racial no Brasil.
O personalismo na crítica de Sérgio Buarque de Holanda ao padrão afetivo e pessoal do homem cordial.
A herança da colonização portuguesa, na crítica de Gilberto Freyre ao processo de miscigenação no Brasil.
A revolução burguesa no Brasil, na crítica de Florestan Fernandes, ao homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda.
O mito da democracia racial, na crítica de Florestan Fernandes ao pensamento de Gilberto Freyre.
A abolição da escravidão, na crítica de Gilberto Freyre ao pensamento de Florestan Fernandes.
Sergio Buarque de Holanda pode ser considerado um continuador da obra de Gilberto Freyre. De certa maneira o conceito desenvolvido por Freyre do mestiço mulato com a prevalência dos atributos irracionais e sensuais conversa com o conceito de “homem cordial” desenvolvido por Sérgio Buarque, assim como ambos interagem com o Tipo Ideal de Max Weber. São constructos do ferramental sociológico utilizados para uma análise de determinado panorama social.
Em relação ao “homem cordial”, assinale a alternativa que melhor descreva suas características, conforme os autores citados acima.
Os vetores que conceitualizam o “homem cordial” são a miscigenação, os hábitos culturais, as condições geográficas e biológicas de sua vivência e um certo gosto pela aventura, pela indisciplina, pelo inovador
O “homem cordial” é resultado de um aprimorado sistema de observância empírica das características não só do indivíduo europeizado, habitante da terra brasilis, mas de seus ascendentes europeus, indígenas e africanos. Este empirismo conceitual identifica sua gênese positiva
Os motivos que induziram a miscigenação compartilhada pelo povo brasileiro são similares àqueles que propiciaram a miscigenação pré-existente no povo português à época da colonização. Muito mais que os outros povos da Península Ibérica, os portugueses expuseram-se ao domínio mouro de forma muito mais receptiva
O “homem cordial” foi assim designado em função das heranças culturais recebidas de sua principal fonte original, a cultura europeia e reflete os bons modos aristocráticos provenientes da nobreza portuguesa
O “homem cordial” é uma abstração teórica e só possui importância sociológica na medida em que é usado como contraponto às observações da realidade. Neste sentido as similaridades ou divergências entre o indivíduo e o conceito só devem ser utilizadas como referencial cognitivo descritivo


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Quem é o famoso sociólogo brasileiro que escreveu o livro "Raízes do Brasil” que trata sobre o processo de formação da sociedade?
Gilberto Freyre.
Sérgio Buarque de Holanda.
Darcy Ribeiro.
Florestan Fernandes.
Caio Prado Junior.
O "homem cordial" tratado por Sergio Buarque de Holanda (1982) em sua obra "Raízes do Brasil", afirma que: "o Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplou". (p.141). Para este clássico da formação do Pensamento Social Brasileiro, marque a alternativa correta de como o Estado se constitui no Brasil?
Não há um Estado exclusivamente burocrático, ainda predomina os interesses pessoais, das autoridades, quanto as "funções, os empregos e os benefícios" deles usufruídos, prevalecendo o privado em relação ao público.
Um Estado forjado nas relações de caráter burocrática, que permanece até os dias atuais, no cenário da gestão pública.
Um Estado que separa os interesses públicos dos interesses privados, retirando o caráter patrimonialista da Administração Pública no Brasil.
No Brasil, sempre tivemos um Estado burocrático e um sistema administrativo com um, corpo de funcionários puramente dedicados aos interesses objetivos da sociedade.
Um Estado que nasce das relações patrimonialistas e que ao longo da história rompe definitivamente com a estrutura patriarcal e patrimonial do sistema político brasileiro.
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
“O livro ______, de Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936, também nos fornece alguns indícios a respeito dos efeitos gerados pela ação do dispositivo de mestiçagem. Estudando a personalidade étnica brasileira, ele criou a expressão "homem cordial". Por "homem cordial" ele se refere à lhaneza no trato, à hospitalidade, à generosidade, que definem alguns dos principais traços do caráter do brasileiro. Mas ele faz uma correção logo em seguida: seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras" ou civilidade. São antes de tudo, expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante. Nenhum povo está mais distante de uma vida ritualista, como acontece com os japoneses, do que os brasileiros. Temos um desejo de estabelecer intimidade. Nosso convívio social é regido por uma "ética emotiva".
(TADEI, Emanuel, 2002).
Casa-grande & senzala
Carnavais, Malandros e Heróis
A integração do negro na sociedade de classes
Raízes do Brasil
Sobrados e Mucambos
Em “Raízes do Brasil”, Sérgio Buarque de Hollanda (1978) se utiliza da noção weberiana de tipo ideal para construir uma definição para o brasileiro médio, marcado pela passionalidade e pessoalidade em suas relações sociais. Qual nome ele dá a esse conceito?
Ser social.
Homem cordial.
Malandro típico.
Complexo de vira-lata.
Precariado.
Brasileiros e latino-americanos fazemos constantemente a experiência do caráter postiço, inautêntico, imitado da vida cultural que levamos. Essa experiência tem sido um dado formador de nossa reflexão crítica desde os tempos da Independência. Ela pode ser e foi interpretada de muitas maneiras, por românticos, naturalistas, modernistas, esquerda, direita, cosmopolitas, nacionalistas, etc., o que faz supor que corresponda a um problema durável e de fundo. Antes de arriscar uma explicação a mais, digamos, portanto que o mencionado mal-estar é um fato (SCHWARZ, Roberto. As ideias fora do lugar: ensaios selecionados. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2014, p. 81)
Foram inúmeras as tentativas de pensar o Brasil, dentro do pensamento social brasileiro, em especial àquele do final do século XIX e primeira metade do século XX. Diante deste contexto de construção de uma identidade nacional, é CORRETO afirmar:
Em Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Viana, fala-se do protagonismo da matriz étnica africana na composição da sociabilidade brasileira.
Em Os Sertões, de Euclides da Cunha, expõe-se todas as mazelas da mestiçagem, mesmo diante da diferenciação que se faz entre os mestiços do litoral – fortes e adaptáveis ao meio – e os do sertão – inferiores e degenerados.
Em Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda, demonstra-se como uma das marcas da identidade nacional é a cordialidade, ou seja, uma ética emotiva que habita os espaços de impessoalidade.
Em Sobrados e Mucambos, de Gilberto Freyre, encontramos um debate em torno da relação entre mestiçagem e convívio social. Os traços da identidade nacional, marcadas negativamente pela presença de três matrizes étnicas (indígena, africana e portuguesa), o mestiço é tomado como uma saída para os problemas que a vida nos trópicos suscitava.
Em As coletividades Anormais, de Nina Rodrigues, trata-se da identidade nacional brasileira enquanto uma confluência étnica conflitante, cujas três matrizes (indígena, africana e portuguesa) convivem de tal maneira a criar, mesmo assim, uma ideia de povo brasileiro consolidada.


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De acordo com Wegner (2009), Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, trata dos dilemas da modernização brasileira por meio de uma análise histórica da herança ibérica do país e da cordialidade como uma das características da cultura brasileira. A cordialidade é entendida pelo autor de Raízes do Brasil como:
uma marca da cultura brasileira que enfraquece o exercício patrimonialista do poder.
a capacidade de agir com base nos sentimentos e tratar a todos de modo igualitário.
expressão da generosidade, amabilidade e hospitalidade características do brasileiro.
inadequada ao funcionamento da burocracia que se baseia em leis aplicadas a todos.
apropriada para a modernização brasileira e um regime político democrático no país.
Marque a alternativa que trata corretamente do principal objetivo da sociologia brasileira, na geração de 1930:
Baseada nos estudos de Nina Rodrigues e Euclides da Cunha, a geração de 1930 criticou as teses de degeneração da população brasileira por conta da miscigenação e exaltou a convivência harmoniosa entre as raças como principal característica da identidade brasileira.
Florestan Fernandes e Gilberto Freyre são considerados os principais expoentes da geração de 1930 da sociologia brasileira, conferindo-a o estatuto de ciência, ao analisarem as raízes históricas e políticas da democracia racial.
Sérgio Buarque de Hollanda e Darcy Ribeiro são importantes nomes da produção sociológica no Brasil, na década de 1930, que tinha como principal objetivo refletir cientificamente sobre o processo de miscigenação durante o período colonial e da formação da identidade nacional.
A geração de 1930, representada por Celso Furtado e Caio Prado Júnior, analisou a realidade brasileira do início do século XX, a partir dos referenciais teóricos importados da sociologia francesa e da estadunidense, que condenavam as desigualdades raciais e a dependência econômica do país aos dos países desenvolvidos.
Tendo nomes como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda, é com a geração de 1930 que os estudos sociológicos produzidos no Brasil ganham o status de ciência. Tinha como principal objetivo compreender as origens históricas, políticas e sociais do país e a identidade nacional, por meio dos conceitos de democracia racial e homem cordial.
Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definitivo do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal.
-
HOLANDA, Sérgio Buarque de. O homem cordial. São Paulo: Penguin Classics. Companhia das Letras, 2012, p. 52.
-
Quanto à análise realizada por Sérgio Buarque de Holanda em relação ao que denomina “homem cordial”, assinale a alternativa correta.
Trata-se de uma análise sobre as formas típicas de comportamento do povo brasileiro, que demonstra submissão às normas institucionais.
A cordialidade descrita pelo autor faz referência direta às novas formas de sociabilidade que permeavam a vida social nos centros urbanos, regidas sob a lógica de maior racionalidade.
O homem cordial remete a ideia de uma civilidade orientada pela razão, típica do processo de modernização que atravessou o país naquele momento.
Trata-se de um conceito que procura exprimir passionalismo e irreverência frente às normas institucionais, nunca submissão.
Respeito, amizade e senso de justiça seriam as principais características descritas pelo autor em relação ao que denomina de homem cordial.
Recentemente, a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) publicou a obra eletrônica gratuita “SBS Memória Retratos: sociólogos e sociólogas brasileiras” (LIMA & BOMENY, 2021), parte de um movimento das Ciências Sociais em destacar o legado de autores que marcaram a história da área no país. Em relação a alguns dos principais cientistas sociais brasileiros, é INCORRETO afirmar que:
Alberto Guerreiro Ramos utilizou-se do conceito de “redução sociológica” para descrever o processo pelo qual os cientistas sociais do Terceiro Mundo podem apropriar-se de forma criativa das teorias ao evidenciarem os seus contextos históricos de produção.
Florestan Fernandes desenvolveu análises em um largo arco temático, com grande notoriedade aos estudos sobre as relações étnico-raciais e o capitalismo dependente no Brasil, país em que a relação inseparável entre arcaísmo e modernidade operaria como um meio de reprodução societária.
Heleieth Saffioti foi pioneira nos estudos sociológicos brasileiros sobre a mulher, enfatizando a subordinação feminina como uma das expressões da estrutura capitalista e abordando o entrecruzamento entre classe social, gênero e raça/etnia.
Lélia González caracterizou o racismo no país como sintoma da “neurose cultural brasileira”, considerando que ideologias nacionais como democracia racial e miscigenação se reproduziriam por meio de discursos que naturalizariam a experiência da escravidão e seus efeitos deletérios sobre a sociedade.
Sérgio Buarque de Hollanda é autor do famoso livro “Raízes do Brasil”, no qual definiu o perfil típico ideal do brasileiro como “homem cordial”, conceito que destaca a racionalidade e impessoalidade como fundamentos que orientam decisivamente as condutas sociais dos sujeitos.
As décadas de 20 e 30 do século XX foram importantes para o desenvolvimento da Sociologia no Brasil, anos em que muitos estudaram a sociedade brasileira com vistas a entender a sua formação. A esse respeito, numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, fazendo a relação entre elas:
COLUNA I
1. Gilberto Freyre
2. Sérgio Buarque de Holanda
3. Caio Prado Júnior
COLUNA II
( ) Tinha uma visão mais crítica sobre a formação da sociedade brasileira, partindo da visão material e econômica da sociedade.
( ) A tese central do autor é de que o legado personalista da experiência colonial no Brasil era um obstáculo que deveria ser vencido para que acontecesse a democracia política no país.
( ) Foi pioneiro na abordagem cultural na compreensão da formação da sociedade brasileira, contribuindo para o estudo da família patriarcal no Brasil.
( ) Para ele, a origem do atraso da sociedade brasileira estaria vinculada ao tipo de colonização do Brasil, considerada por ele como periférica e exploratória.
( ) Traz as características da colonização portuguesa; a utilização da mão de obra escrava; a formação da sociedade agrária e a mistura das três raças, inclusive entendendo essa mistura como a “força” da nossa cultura.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
1, 2, 3, 1, 2
1, 2, 3, 1, 3
3, 3, 1, 2, 1
3, 2, 1, 3, 1
1, 2, 2, 3, 3


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Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas virtudes possam significar “boas maneiras”, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante.
HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997 (adaptado).
Considerando o texto apresentado bem como a contribuição de Sérgio Buarque de Holanda ao pensamento social brasileiro, avalie as afirmações a seguir.
I. Em Raízes do Brasil, o autor discute a sociabilidade do brasileiro por intermédio da análise da herança portuguesa, marcada por uma “frouxidão organizacional” que levou a um padrão de convivência flexível e instável.
II. A cordialidade, tal como entendida pelo autor, estrutura o tipo ideal do brasileiro, o "homem cordial", assim caracterizado por ser agradável, simpático, pacífico e solícito.
III. De acordo com o autor, a apropriação privada da coisa pública, entendida como patrimonialismo, é marca constitutiva das relações sociais no Brasil.
IV. O autor aponta que os brasileiros têm aversão à impessoalidade e, por isso, buscam continuamente formas de estabelecer relações pessoais mesmo com estranhos.
É correto apenas o que se afirma em
I e II.
II e IV.
III e IV.
I, II e III.
I, III e IV.
No fragmento de texto, Sergio Buarque de Holanda descreve a imagem do bacharel, um “tipo social” que
tem aversão ao culto do diploma bacharelesco e trata o senso prático profissional como principal aspecto a ser valorizado.
cultiva o gosto pela impessoalidade profissional e despreza as posições de poder.
cultiva o gosto pela cultura letrada e que valoriza a vocação profissional.
tende a fazer da lei um instrumento de intervenção política relacionado com a cultura personalista brasileira.
Leia com atenção o texto a seguir.
O autor do livro ___________ , Sérgio Buarque de Holanda, com os seus estudos sociológicos, foi um dos responsáveis por introduzir no Brasil uma perspectiva essencialmente ___________ , na tentativa de explicar a formação do povo brasileiro.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Raízes do Brasil • weberiana
Formação do Brasil Contemporâneo • historista
Integração do negro na sociedade de classes • marxista
O homem cordial • culturalista
Visão do Paraíso • utópica
“A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro [...]” – HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. São Paulo, 2011, pag. 146.
O fragmento acima representa um conceito da obra de Sérgio Buarque de Holanda ao definir uma relevante característica sociocultural do povo brasileiro. A esse respeito, marque a alternativa CORRETA.
Trata-se daquilo que atualmente é discutido como jeitinho brasileiro.
Trata-se daquilo que atualmente é conhecido como capacidade empreendedora do povo brasileiro.
Representa características do coronelismo praticado no Brasil ao longo do século XX.
Descreve elementos ligados à capacidade cooperativa do povo brasileiro.
Reflete o padrão civilizatório do povo brasileiro.
Na década de 1930, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda ficaram conhecidos como “Intérpretes do Brasil” e inauguraram, junto a outros autores, uma nova maneira de entender o país. Tendo em vista o pensamento, especificamente desses dois autores, podemos afirmar que um dos principais avanços da análise sociológica em relação ao Brasil foi:
Pensar a miscigenação para além dos fatos meramente raciais, tratando-as também como miscigenação cultural.
Explicar o processo de democratização racial do Brasil, como decorrência específica das relações interculturais do período colonial.
Estabelecer limites rígidos e definitivos para a análise do multiculturalismo brasileiro, baseados, a partir daí, nos critérios de raça e cor.
Analisar as fusões culturais estabelecidas no Brasil através dos elementos europeus, e não apenas através dos africanos e indígenas, como era feito anteriormente.


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