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Na obra Os usos sociais da ciência (2004), Pierre Bourdieu apresenta a noção de campo como um espaço relativamente autônomo, um microcosmo dotado de leis próprias. Considerando o conceito de campo científico em Bourdieu, é correto afirmar:
A distribuição do capital científico está na base de sua manutenção, resulta menos dos interesses dos agentes envolvidos do que dos avanços adquiridos no interior desse campo; a posição dos agentes depende do volume de seu capital e, como espaço autônomo, o campo científico caracteriza-se pela conservação de sua estrutura.
O campo científico é um campo de forças e um campo de lutas, seja para transformar ou conservar esse campo; as relações objetivas são constitutivas da estrutura do campo científico, incorporada nas disposições e objetivada nas instituições.
Para se constituir enquanto espaço social, o campo científico precisou romper com a illusio, o interesse presente na existência cotidiana, e produzir a objetivação, a exclusão de toda forma de representação.
No processo de autonomização das ciências, o campo científico implicou um custo, e o custo de toda atividade científica encontra-se no seu poder de verificação de hipóteses, nos métodos por ela utilizados; neste processo, o grau de autonomia do campo científico refere-se à capacidade de exprimir os problemas exteriores.
No campo científico, encontram-se duas formas de poder, o capital científico “puro” e o capital científico institucionalizado; o primeiro caracteriza-se pela neutralidade científica e transmissão impessoal de conhecimentos; e o segundo, pelas contribuições à ciência, às descobertas e às invenções.