Questões de Concurso sobre Eduardo Viveiros de Castro

 
 
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No texto “Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio”, Eduardo Viveiros de Castro sintetiza a proposta de seu ensaio nos seguintes termos:


“O tema deste ensaio é aquele aspecto do pensamento ameríndio que manifesta sua “qualidade perspectiva”: trata-se da concepção, comum a muitos povos do continente, segundo a qual o mundo é habitado por diferentes espécies de sujeitos ou pessoas, humanas e não-humanas, que o apreendem segundo pontos de vista distintos. Os pressupostos e conseqüências dessa idéia são irredutíveis ao nosso conceito corrente de relativismo, que à primeira vista parecem evocar.”


(CASTRO, Eduardo Viveiros de. Os pronomes comoslógicos e o perspectivismo ameríndio. Mana, v. 2, 1996, p.115)


A proposta teórica do perspectivismo ameríndio de Eduardo Viveiros de Castro problematiza a seguinte dualidade clássica da teoria antropológica:


A

ação e estrutura.


B

objetividade e subjetividade.


C

natureza e cultura.


D

conflito e consenso.


E

etnografia e empiria.

O antropólogo e professor Eduardo Viveiros de Castro é considerado um dos antropólogos mais influentes do mundo, especialmente no Brasil. Desde o século passado , Viveiros tem produzido uma obra latente e importante sobre os povos indígenas brasileiros. Uma das grandes contribuições das pesquisas realizadas por Eduardo Viveiros, em conjunto com a antropóloga Tânia Stolze Lima , é o conceito de :


A

Dicotomia do pensamento indígena.


B

Perspectivismo ameríndio.


C

Crítica à epistemologia das sociedades ameríndias amazônicas.


D

Universalismo da lógica dos povos originários.

Viveiros de Castro, em seu estudo sobre as estruturas sociais de indígenas amazônicos, mais especificamente sobre configurações de parentesco, analisa os conceitos de afinidade e consanguinidade frente aos sistemas amazônicos. Segundo esse autor, para os estudos de parentesco amazônico, a construção da relação entre consanguinidade e afinidade se estabelece com a:


A

consanguinidade e afinidade estando em oposição complementar


B

consanguinidade englobando a afinidade


C

consanguinidade e afinidade estando em oposição distintiva


D

afinidade englobando a consanguinidade

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro analisa o que ele mesmo denomina de “processo de juridificação da questão “quem é índio” no Brasil”. Para a garantia e oficialização das demarcações de terra, “o Estado e seu arcabouço jurídico-legal funcionam – diz o antropólogo – como moinhos produtores de substâncias, categorias, papéis, funções, sujeitos, titulares desse ou daquele direito, etc.” Invocando a formação disciplinar clássica da Antropologia, Viveiros de Castro sinaliza os perigos da posição do antropólogo evolvido com os laudos antropológicos. Para ele, o antropólogo passou a ter uma ”atribuição complicada”. Ele passou a ter o poder de discriminar quem é índio e quem não é índio, ou antes, a prerrogativa de pronunciar-se com autoridade sobre a matéria, de modo a instruir a instancia que tem realmente tal poder de discriminação, o Poder Judiciário.” A base do argumento de Viveiros de Castro repousa numa das premissas fundantes da Antropologia, qual seja:

A
Uma das funções da Antropologia consiste em discernir as identidades autênticas das inautênticas.

B
A Antropologia nasceu no contexto do projeto colonialista ocidental e para se firmar como ciência passou a assumir e defender o ponto de vista dos povos colonizados.

C
O antropólogo deve engajar-se nas causas de seus informantes assumindo uma perspectiva ética de defesa dos seus interesses.

D
Devido à proximidade com os grupos estudados, os antropólogos podem e devem desempenhar o papel cívico de contribuir com o Estado na tarefa de administrar a nação.

E
O objeto e o objetivo da Antropologia é a elucidação das condições de auto-determinação ontológica do outro.

Quanto aos principais antropólogos brasileiros, assinale a alternativa incorreta.


A

Manuela Carneiro da Cunha não identifica na obra de Gilberto Freyre qualquer conhecimento aprofundado sobre o que eram as sociedade indígenas brasileiras.


B

A principal crítica de Eduardo Viveiros de Castro à obra lévi-straussiana deve-se a sua análise de que títulos como “Tristes Trópicos” e “O Pensamento Selvagem” devem ser analisados sobretudo como ficção, como uma literatura sensível e de alto nível, mais do que como etnologia.


C

Com uma afinidade muito grande com a obra de Roberto DaMatta, Lívia Barbosa desenvolve conceitos que vêm desde as oposições duais de “A Casa e a Rua”, aprofundando-se em temas como o conceito de “meritocracia” nas organizações e nas sociedades, em um estudo comparativo do entendimento desse conceito em algumas sociedades, a brasileira, inclusive.


D

Em “O Processo Civilizatório”, Darcy Ribeiro defende que o conceito básico subjacente às teorias de evolução sociocultural é o de que as sociedades humanas, no curso de longos períodos, experimentam dois processos simultâneos e mutuamente complementares de autotransformação: um deles responsável pela diversificação; e o outro, pela homogeneização das culturas.


E

A Utopia Urbana, de Gilberto Velho, é fruto de sua tese de mestrado. Fortemente influenciado pela etnografia, por trabalhos como Os Argonautas do Pacífico e Os Nuer, o autor, a partir do interesse em como se comportavam as camadas médias urbanas, empreendeu um trabalho pioneiro no Brasil, de aplicação do método antropológico ao estudo do meio urbano.

 
 
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