Questões de Concurso sobre Antropologia Brasileira

 
 
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Compreende-se patrimônio imaterial como um bem de natureza intangível, de caráter dinâmico e intimamente associado às práticas e representações culturais, definido na Constituição Federal de 1988 como os modos de criar, fazer e viver, expressos em rituais, celebrações, entre outros.


C

Certo


E

Errado

A antropóloga Mariana Ramos de Morais, em um texto publicado em 2017, afirma:


“Trata-se de uma expressão adotada para nomear os grupos praticantes das religiões afro-brasileiras no âmbito das políticas públicas ancoradas no debate acerca da diversidade cultural no Brasil. A preservação da diversidade cultural seria uma das armas contra os assombros da globalização, como preconiza a Unesco ao incentivar seus Estados membros a desenvolverem ações que favoreçam a inclusão e a participação de todos os cidadãos com vistas a garantir a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e, sobretudo, a paz. O Brasil, sendo um desses Estados membros, buscou se pautar nessa orientação na criação de certas políticas públicas, especialmente, a partir de 2003.”


A expressão, extensivamente mobilizada em políticas públicas no Brasil, a que a antropóloga se refere é:


A

povos e comunidades tradicionais de matriz africana;


B

cultura popular;


C

povos afro-ameríndios;


D

saberes tradicionais;


E

povos e comunidades tradicionais indígenas.

Em um de seus artigos, Roberto Cardoso de Oliveira escreveu:


“As relações entre essas populações significam mais do que uma mera cooperação, competição e conflito entre sociedades em conjunção. Trata-se ̶ como tenho assinalado ̶de uma oposição ou, mesmo, uma contradição, entre os sistemas societários em interação que, entretanto, passam a constituir subsistemas de um mais inclusivo que se pode chamar de sistema interétnico.”


O termo usado por Roberto Cardoso de Oliveira para designar a dinâmica entre sistemas societários descrita no trecho acima é:


A

assimilação;


B

aculturação;


C

luta de classes;


D

fricção interétnica;


E

apropriação cultural.

No livro "Ritual e performance: estudos clássicos”, a antropóloga Maria Laura Cavalcanti diz:


“Em um sentido mais estrito, portanto, designamos como rituais esses agregados de condutas e ações simbólicas que, sempre feitos e refeitos no curso do tempo, permeiam a experiência social, conferindo-lhe graça, intensidade e ritmo próprios.”


O autor que fez contribuições para a antropologia dos rituais foi:


A

Karl Marx;


B

Michel Foucault;


C

James Frazer;


D

Gaston Bachelard;


E

Stanley Tambiah.

Leia o trecho abaixo, extraído de um artigo de Maria Eunice Maciel e Regina Abreu, publicado em 2019:


“A cultura material tem sido um dos focos da antropologia desde os primórdios. No contexto dos pioneiros, coletar objetos em pesquisa de campo configurava uma maneira de atestar ou de exibir a prova material viva dos grupos estudados e de suas diferentes culturas. Muitos museus antropológicos ou etnográficos tornaram-se repositórios de práticas de colecionamento em grande escala e voltadas para esse fim no contexto de uma lógica positivista do conhecimento. O estranhamento com as diferentes alteridades pesquisadas implicou essa grande empreitada de juntar coisas que representassem ou expressassem as primeiras pesquisas antropológicas.”


A prática de colecionar e expor em museus objetos coletados durante expedições etnográficas está relacionada ao processo histórico-político denominado:


A

colonialismo;


B

decolonialidade;


C

aculturação;


D

pós-colonialismo;


E

capitalismo.

No texto “Itinerários terapêuticos e os nexus de significados da doença”, o sociólogo da Universidade Federal da Bahia Paulo César Alves escreveu:


“Itinerário terapêutico é um dos conceitos centrais nos estudos socioantropológicos da saúde. Trata-se de um termo utilizado para designar as atividades desenvolvidas pelos indivíduos na busca de tratamento para a doença ou aflição.”


Uma das principais teses da literatura sobre itinerários terapêuticos é a de que:


A

comunidades tradicionais são hospitalocêntricas;


B

o Brasil tem um único modelo de saúde e de doença;


C

a medicina indígena deveria suplantar as outras práticas médicas no Brasil;


D

a medicina ocidental é a única prática terapêutica utilizada nas cidades modernas;


E

as práticas terapêuticas acionadas pelas pessoas frequentemente são de natureza heterogênea.

Em um dos seus artigos, o antropólogo José Reginaldo Gonçalves discute os chamados “bens inalienáveis”. Diz ele:


“Os interesses mobilizados pela possibilidade de comprar e vender livremente determinados bens eram vistos como um meio nefasto de descaracterização desses bens e de perda de sua autenticidade. A busca da autenticidade confundia-se, de certo modo, com uma constante e obsessiva proteção contra os efeitos de mercado.”


Essa reflexão ajuda a problematizar a oposição entre as seguintes arenas de valoração:


A

mercadorias e objetos sagrados;


B

patrimônio e mercado;


C

religião e laicidade;


D

patrimônio e religião;


E

rituais e mercado.

O antropólogo brasileiro Sergio Baptista, em seu texto "Repensando objetos, arte e cultura material”, publicado em 2011, afirmou:


“(…) A arte e a cultura material nos coletivos indígenas das terras baixas da América do Sul têm sido trabalhadas ultimamente desde as lógicas nativas, com a tendência de refutar a noção de estética como categoria transcultural, utilizando-se das categorias êmicas presentes nessa arte e em alguns desses objetos, singularmente concebidos como presentificações de relações estabelecidas com alteridades extra-humanas e suas potências, especialmente divindades e demais habitantes do cosmos (animais, plantas, minerais, etc.), dotados de atributos humanos, ponto de vista, subjetividade e intencionalidade. Nesse sentido, tais ‘objetos’ são sujeitos, possuem agência e não são meras representações de protótipos: são eles próprios. Essa orientação não pretende deslegitimar as análises que enfatizam as manifestações artísticas e os sistemas de objetos como sistemas de representações, indicadores de processos identitários, de afirmação de sujeitos de direitos, de discursos variados e de importantes mensagens culturais neles contidos.”


A perspectiva teórica que tem contribuído para ressituar o debate sobre objetos, coisas e materialidades na antropologia contemporânea é a:


A

antropologia das representações;


B

antropologia visual;


C

virada material;


D

antropologia das infraestruturas;


E

antropologia das mercadorias.

A antropóloga brasileira Fabiola Rohden, em um artigo publicado em 2002 e dedicado às contribuições de Marilyn Strathern sobre o tema do parentesco, escreveu:


“Os sistemas de parentesco e as formas de família são pensados como arranjos sociais que têm como base a reprodução biológica. Esses arranjos são vistos como passíveis de assumirem formas diversificadas em culturas e sociedades diferentes, embora sempre assentados sobre uma mesma e única referência, que são os ‘fatos naturais’ da vida.”


Ao apresentar a discussão sobre parentesco, Rohden faz referência ao seguinte dualismo caro aos debates da antropologia contemporânea:


A

estrutura e ação;


B

natureza e cultura;


C

corpo e mente;


D

sujeito e objeto;


E

subjetividade e objetividade.

No prefácio do livro “Trecos, troços e coisas”, o antropólogo Daniel Miller propõe o seguinte:


“O leitmotiv deste livro é um questionamento da oposição, vigente no senso comum, entre pessoa e coisa, animado e inanimado, sujeito e objeto. Em alguma medida, a ciência tem conseguido evitar isso. […] Aqui, em contraste, estou interessado em desenvolvimentos na ciência social, e não na ciência natural, e no encontro qualitativo da antropologia com a diversidade dos povos e a crescente diversidade das coisas.”


O objeto de estudo proposto por Daniel Miller é(são):


A

as humanidades;


B

a estrutura social;


C

a cultura material;


D

a ciência;


E

os rituais.

Em seu texto “Elementos para uma sociologia dos viajantes”, publicado em 1987, o antropólogo João Pacheco de Oliveira escreveu:


“A relação que existe, portanto, entre o antropólogo e os relatos de viajantes é marcada por uma grande ambiguidade, ora caracterizando-se por uma grande proximidade e pela expectativa de estabelecer entre esses dois discursos uma relação de complementaridade, ora marcada pelo distanciamento e pelo caráter indissoluvelmente singular das informações que respectivamente requerem e oferecem.”


Essa reflexão metodológica do autor se refere à(ao):


A

validade científica do trabalho de campo;


B

estatuto mitológico dos relatos de viagem;


C

estatuto cosmológico do trabalho de campo;


D

estatuto etnográfico dos relatos de viagem;


E

relevância das entrevistas durante o trabalho de campo.

Em 1962, o antropólogo Darcy Ribeiro escreveu:


Um balanço crítico dos cinquenta anos de atividades que o SPI [Serviço de Proteção aos Índios] vem desenvolvendo desde sua criação deve levar em conta as duas ordens de problemas que ele foi chamado a resolver.


1. Os problemas da sociedade brasileira em expansão, que encontra seu último obstáculo para a ocupação do território nacional nos bolsões habitados por índios hostis.

2. Os problemas da população indígena envolvida nesta [sic] expansão, a qual se esforça por sobreviver e acomodar-se às novas condições de vida em que vai sendo compulsoriamente integrada.


Nas suas pesquisas, o antropólogo Antonio Carlos de Souza Lima faz uma crítica ao modelo de relação entre intelectuais, Estado e indígenas no Brasil, expresso no trecho acima.


O modelo que Souza Lima critica é o do(a):


A

indigenismo;


B

política de classe;


C

celebração cultural;


D

apropriação cultural;


E

exploração capitalista.

Ao longo da história do Brasil e, a partir da análise de como o Estado se pretende garantidor de direitos reconhecidos na lei, percebe-se nas práticas e discursos que a diversidade da qual é composta a população brasileira é insatisfatoriamente representada nos diferentes espaços. Em que pese tal aspecto, marco importante se deu em 2003, quando o governo federal reconheceu explícita e publicamente a existência de racismo, o que culminou no início de amplos debates sobre políticas públicas(educacionais) e inserção política de segmentos específicos da população, seja nos direitos de saúde, emprego, redes de proteção social e reconhecimento cultural.


(Dietrich & Fukuzaki, 2017; Carvalho, 2002.)


As políticas afirmativas propõem, firmemente uma sociedade livre, justa e solidária ao objetivar erradicar a pobreza, a marginalização e as desigualdades sociais e regionais, promovendo o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Tais medidas


A

trazem em seu bojo garantia de reverter totalmente o índice de pessoas que foram historicamente alijadas do processo de inserção social.


B

visam asseverar a continuidade cotidiana dos tratamentos iguais e da equidade no Brasil, independentemente do nosso passado de colonização.


C

devem apenas orientar o posicionamento dos indivíduos em relação ao tratamento institucional diferenciado em relação às classes menos privilegiadas.


D

sintonizam com a reflexão sobre as interseções entre direitos e deveres do cidadão, partindo do princípio de que ao cidadão, e só a ele, cabe o ônus desse problema.


E

estão relacionadas também com os resultados de uma grande luta dos movimentos sociais que, incansavelmente, demonstraram e denunciaram desigualdades.

Em relação ao estudo de “tipologia cultural”, abordado por Darcy Ribeiro, na obra “As Américas e a Civilização: Estudos de Antropologia da Civilização” (1983), assinale a alternativa que explicita o significado dessa tipologia para o autor.


A

Um esforço reordenado de toda a sociedade.


B

A superação do nível de análise meramente histórico, focalizando cada povo de forma mais ampla.


C

Um vigor autoperpetuativo da trama de interesses patronais-patriciais.


D

A integração na civilização industrial moderna.


E

Uma pobreza reduzida pela transferência das riquezas.

Qual o significado de signos para Manuela Carneiro da Cunha em “Etnicidade: da cultura residual, mas irredutível” (2009)?


A

Algo que se vê privado de qualquer substância.


B

Uma cultura estática.


C

Um signo não é intrínseco, mas função do discurso em que se encontra inserido e de sua estrutura.


D

Algo que não se põe.


E

Uma “necessidade” de estabelecer fronteiras claras para grupos que “funcionam” como grupos políticos e/ou econômicos.

Qual o conceito de etnicidade para Manuela Carneiro da Cunha em “Etnicidade: da cultura residual, mas irredutível” (2009)?


A

É quando uma sociedade e seus membros sobrevivem de uma maneira culturalmente marcada em um mundo significante.


B

A etnicidade é linguagem não simplesmente no sentido de remeter a algo fora dela, mas no de permitir a comunicação.


C

É um empecilho à constituição de uma nação moderna.


D

Em Nova York, se julgava ser um cadinho de raças.


E

É grande parte das atividades que um cidadão comum processava dentro de suas comunidades étnicas.

O Grupo Música Viva (1938-52), criado por obra de H. J. Koellreutter, visou a instaurar uma nova ordem na música brasileira, em diálogo com a vanguarda internacional:


“A música, traduzindo ideias e sentimentos na linguagem dos sons, é um meio de expressão; portanto, produto da vida social. MÚSICA VIVA, compreendendo este fato, combate pela música que revela o eternamente novo, isto é: por uma arte musical que seja a expressão real da época e da sociedade. MÚSICA VIVA estimulará a criação de novas formas musicais que correspondam às ideias novas. MÚSICA VIVA, adotando os princípios de arteação, abandona como ideal a preocupação exclusiva de beleza; pois, toda a arte de nossa época não organizada diretamente sobre o princípio da utilidade será desligada do real”.


Manifesto de 1946, assinado por H. Alimonda, Egídio de Castro e Silva, Guerra-Peixe, Eunice Katunda, H-J. Koellreutter, E. Krieger, G. Marcondes, S. Parpinelli, C. Santoro.


Com base no trecho e em seus conhecimentos, assinale a afirmativa que caracteriza corretamente contribuições políticas e estéticas do Música Viva para a música moderna brasileira.


A

A defesa da incorporação da tradição nacional na música, com a valorização de referências à especificidade cultural brasileira, como nas composições de Heitor Villa-Lobos.


B

A valorização da produção musical, entanto conteúdo de obras individuais de alto valor, e do compositor, enquanto agente social especializado na produção estética erudita.


C

A recondução da arte à práxis vital, com forte empenho cívico dos artistas, engajados em produzir músicas para as festividades pátrias, como nas canções de Claudio Santoro.


D

A experimentação e divulgação de novas técnicas composicionais, com soluções atonais e dodecafônicas, como em composições de César Guerra-Peixe.


E

A ênfase na subordinação do intérprete ao compositor, em desacordo com os processos indeterminados, de aleatoriedade e acaso, introduzidos por John Cage.

Darcy Ribeiro, em “La nación latino-americana” (1982), distingue nas Américas quatro configurações histórico-culturais de povos, nitidamente diferenciados por seus respectivos processos de formação. Que configurações são essas?


A

Civilização Azteca, Índios tribais, Povos da América Sajona e Indigenatos.


B

Povos Testimonios, Povos Novos, Povos Transplantados e Povos Emergentes.


C

Civilização Maya, Negros escravizados, Povos do Canadá e Povos Incas.


D

Criolos hispânicos, Povos da Austrália, Povos da Nova Zelândia e Guaranis.


E

Povos novos, Povos Testimonios, Povos da Argentina e Povos do Uruguai.

O filme ''Cidade de Deus'' , lançado em 2002, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, foi sucesso de público e crítica no Brasil e no exterior. O longa-metragem é baseado no livro homônimo do escritor carioca Paulo Lins. O autor do livro conheceu a antropóloga e socióloga Alba Zaluar quando estudava na UFRJ e a ajudou a fazer entrevistas para pesquisa que antropóloga carioca desenvolvia na comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Alba Zaluar produziu uma extensa obra, que influencia até hoje, em especial, pesquisadores da antropologia e sociologia urbana. Alba Zaluar foi pioneira em pesquisas antropológicas na área de:


A

êxodo rural.


B

violência urbana.


C

religiosidades afro-brasileiras.


D

juventude e trabalho.

Segundo Darcy Ribeiro em “La nación latino-americana” (1982), os grupos indígenas na América Latina podem ser classificados em duas categorias principais, quais sejam:


A

Por um lado, os grupos microétnicos tribais referentes às milhares de cidades cuja população varia de algumas dezenas a alguns milhares e o outro bloco, que corresponde aos grupos macroétnicos.


B

Entre outros, os Quechuas e os Aymaras, do Altiplano andino.


C

Os grupos maias da Guatemala.


D

Os vários grupos mexicanos.


E

Os Mapuche, do Chile.

 
 
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