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Pensava-se que o ônibus espacial Columbia era um objeto pronto para voar pelo céu, e então, de repente, após a dramática explosão de 2002, percebeu-se que ele precisava da NASA e de seu complexo corpo organizacional para voar com segurança pelo céu. Para a ação de pilotar um objeto técnico, rotinas burocráticas são tão importantes quanto equações e resistência material.
LATOUR, Bruno. Networks, Societies, Spheres: Reflections of an Actor-Network Theorist. International Journal of Communication, v. 5, 2011. (Adaptado)
O trecho acima expõe uma leitura baseada na Teoria Ator-Rede (TAR), a qual modifica o entendimento comum a respeito do modo de existência dos objetos.
Segundo esse tipo de visada, ao investigar um objeto, é preciso levar em conta
as suas propriedades internas, as quais determinam seu funcionamento enquanto ser autônomo.
a sua base mais essencial, que pode mantê-lo inalterado mesmo sob a influência de condições externas.
os seus pontos fracos, de modo a explicitar de antemão os fatores que criam riscos para sua existência.
a sua dependência de agentes humanos que garantem, enquanto sujeitos, sua estabilidade objetiva.
as suas interações, as quais envolvem elementos variados em uma relacionalidade complexa.
O desenvolvimento histórico do que chamamos de Antropologia Brasileira deu-se de forma multifacetada, revelando condições e temporalidades regionais, tanto do ponto de vista institucional, quando de entrelaçamento de trajetórias intelectuais e temas de pesquisa vinculados a questões locais mais amplas. No caso da Universidade Federal de Goiás com a criação do Museu Antropológico em 1960, ela expandiu articulações entre campos disciplinares a partir
do estudo e colecionamento das sociedades indígenas.
do estudo e colecionamento das manifestações folclóricas e das sociedades complexas.
do estudo e colecionamento das sociedades camponesas e de artefatos arqueológicos.
do estudo e colecionamento das sociedades indígenas, de artefatos arqueológicos e depois das manifestações folclóricas.
No início do seu ensaio “Mercadorias e a política de valor”, o antropólogo Arjun Appadurai explicita um dos seus objetivos:
“[…] propor uma nova perspectiva sobre a circulação de mercadorias na vida social. Tal perspectiva pode ser sintetizada da seguinte forma: a troca econômica cria o valor; o valor é concretizado nas mercadorias que são trocadas; concentrar-se nas coisas trocadas, em vez de apenas nas formas e funções da troca, possibilita a argumentação de que o que cria o vínculo entre a troca e o valor é a política, em seu sentido mais amplo.”
Com esse argumento, Arjun Appadurai propõe como novo objeto de análise da antropologia:
as mercadorias;
a troca;
a dádiva;
a vida social das coisas;
os rituais de comércio.
Pierre Bourdieu foi um dos principais sociólogos do século XX. Em sua vasta produção intelectual, Bourdieu foi um dos responsáveis pela atualização de um conceito aristotélico, também utilizado por Marcel Mauss, e que ocupa um lugar central nos debates sobre corpo, indivíduo e sociedade. No vocabulário de Bourdieu, tal conceito é definido do seguinte modo:
“[…] é uma noção mediadora que ajuda a romper com a dualidade de senso comum entre indivíduo e sociedade ao captar a interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade, ou seja, o modo como a sociedade se torna depositada nas pessoas sob a forma de disposições duráveis, ou capacidades treinadas e propensões estruturadas para pensar, sentir e agir de modos determinados, que então as guiam nas suas respostas criativas aos constrangimentos e solicitações do seu meio social existente.”
O conceito renovado por Bourdieu nessa definição é o de:
habitué;
hábito;
habitus;
ação social;
agência.
As relações entre antropologia e instituições museais são de longa data. Nas últimas décadas, debates críticos feitos por antropólogos e também por grupos que usualmente são objeto de museus etnográficos culminaram em um movimento renovador. Como bem descreveu a antropóloga Regina Abreu:
“Um movimento de entrada em cena de representantes indígenas em museus etnográficos em todo o mundo se afirmou como resultado de movimentos e reivindicações indígenas. Os povos indígenas descobriram os museus e as práticas museológicas, o que abriu espaço para a dinamização dos acervos com novas informações e a atualização das pesquisas sobre os objetos. Além disso, foi também em virtude da descoberta dos museus pelos índios que eles próprios começam a 'reaprender’ ofícios e práticas já desaparecidos em seus territórios. Os museus etnográficos com seus acervos e o acúmulo de suas pesquisas passaram a ser vistos como fontes de pesquisa e estudo para os próprios povos indígenas.”
A perspectiva teórica contemporânea que tem contribuído para a renovação do debate sobre a atuação de grupos indígenas em museus é o:
indigenismo;
pragmatismo;
funcionalismo;
estruturalismo;
pós-colonialismo.


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O antropólogo franco-holandês Arnold van Gennep (1873-1957) é conhecido autor da antropologia das análises rituais. Em um de seus textos, ele diz:
“Frequentemente ̶ e isso é um fato sobre o qual chamo a atenção ̶ os vínculos do moço ou da moça com os ambientes anteriores (de idade, sexo, parentesco, tribo) são considerados tão poderosos que é preciso agir com cautela para rompê-los. Daí as fugas e perseguições múltiplas, na floresta ou na montanha, os pagamentos de dotes ou compras por frações, as repetições dos ritos.”
Essa análise trata dos ritos:
fúnebres;
politicos;
religiosos;
de passagem;
de iniciação xamânica.
Historicamente, podemos organizar os marcos de desenvolvimento de um determinado campo científicomuseal tomando como índices o incremento de coleções, a ampliação de quadros profissionais ou a especialização de áreas de conhecimento. O Museu Antropológico da UFG, iniciado nos anos de 1960, fundamenta-se em paradigma
patrimonialista.
simbolista.
culturalista.
hermenêutico.
No texto “A construção da pessoa nas sociedades indígenas brasileiras", publicado em 1978, por Anthony Seeger, Roberto da Matta e Eduardo Viveiros de Castro, os autores afirmam que:
“[…] a originalidade das sociedades tribais brasileiras reside numa elaboração particularmente rica da noção de pessoa, com referência especial à corporalidade enquanto idioma simbólico focal. Ou, dito de outra forma, sugerimos que a noção de pessoa e uma consideração do lugar do corpo humano na visão que as sociedades indígenas fazem de si mesmas são caminhos básicos para uma compreensão adequada da organização social e cosmologia destas sociedades.”
As categorias analíticas a que a tese dos autores se refere são:
ritual e cura;
saúde e doença;
corpo e pessoa;
limpeza e sujeira;
corporeidades e individualismo.
Leia o trecho abaixo do artigo “Natureza & Cultura, versão americanista – Um sobrevoo”, de Renato Sztutman.
“(…) seres não humanos que se veem sob forma humana deveriam ver os humanos sob forma não humana, uma vez que a humanidade é uma posição e não uma substância, uma propriedade intrínseca a certa porção de seres. Um porco do mato, por exemplo, se vê como humano enquanto vê o humano como jaguar ou como espírito predador. Ora, todos esses existentes são, potencialmente, humanos (partilham a mesma condição de humanidade [humanity]) apesar de não serem todos da espécie humana (humankind). São todos sujeitos dotados de comportamento, intencionalidade e consciência, estando inseridos em redes de parentesco e afinidade, fazendo festas, bebendo cauim, reportando-se a chefes, fazendo guerra, pintando e decorando seus corpos. O que está em jogo, aqui, portanto, é a diferença entre perspectivas, o que nos envia a uma filosofia ameríndia da diferença.”
Esse trecho descreve o modo de relação entre humanos e não humanos característico da forma de pensamento ameríndio denominada:
perspectivismo;
totemismo;
mutualismo;
isolacionismo;
ontologismo.
Segundo Michel Agier, em “Distúrbios identitários em tempos de globalização”, a antropologia das identidades foi efetivamente constituída abordando seu objeto de maneira contextual, relacional, construtivista e situacional. Sobre a abordagem contextual:
É uma questão identitária da perspectiva da antropologia.
É uma reflexão sobre os processos culturais contemporâneos.
Não existe definição de identidade em si mesma.
É uma emergência das “culturas identitárias” em um contexto de globalização acelerada das situações locais.
É uma crítica da identidade cultural.


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Qual o significado de signos para Manuela Carneiro da Cunha em “Etnicidade: da cultura residual, mas irredutível” (2009)?
Algo que se vê privado de qualquer substância.
Uma cultura estática.
Um signo não é intrínseco, mas função do discurso em que se encontra inserido e de sua estrutura.
Algo que não se põe.
Uma “necessidade” de estabelecer fronteiras claras para grupos que “funcionam” como grupos políticos e/ou econômicos.
Há certos termos que possuem uma propriedade peculiar, que demarcam conceitos específicos, que reivindicam uma validade rigorosamente objetiva. Na prática, rotulam áreas de pensamento indefinidas, que se deslocam, restringem-se ou ampliam-se de acordo com o ponto de vista daquele que os utiliza, abarcando em sua gama de significados concepções que não só não se harmonizam, mas são, em parte, contraditórias. Uma análise de tais termos rapidamente revela o fato de que, sob esse choque de conteúdos variáveis, há uma percepção sensível totalizante. Assim, o que é “crime” para um, trata-se de “nobreza” para outro; mas ambos concordam que crime, seja lá qual for, é uma categoria indesejável, e que nobreza, seja lá qual for, é uma categoria apreciável. A relação entre sociedade e meio ambiente vem se afirmando como uma das principais preocupações tanto no campo das políticas públicas quanto no da produção de conhecimento. São questões que permeiam a antropologia, EXCETO:
Antropologia cultural abrange a inserção do homem na estrutura social, que envolve as diferentes sociedades e instituições; considera as diferenças existentes entre grupos humanos e as relações sociais travadas nos diversos âmbitos da vida social como o familiar, o econômico, o político, o religioso e o jurídico.
A destruição da megafauna é apenas a manifestação mais visível das transformações que, desde os hominídeos que antecederam o Homo sapiens, vêm sendo impostas aos ecossistemas. Também em um nível orgânico “menor” registraram-se consequências significativas. Em suas atividades de coleta e de caça, os hominídeos adquiriram parasitas próprios aos primatas e outros micro-organismos, que transformaram os ecossistemas. A domesticação de plantas e animais há, aproximadamente, dez mil anos, implicou alterações radicais, como o sedentarismo, novas dietas, concentrações populacionais e de lixo, de animais domésticos e de plantas, que afetaram radicalmente a coevolução dos micro-organismos.
Com base em uma visão interdisciplinar e crítica, é possível verificar que as diferentes ciências e áreas do conhecimento se relacionam e, inclusive, podem se desdobrar em novas áreas. A relação entre a antropologia e o direito é um dos exemplos desse fenômeno, diante, por exemplo, de estudos, análises e pesquisas que agregam saberes de ambas, desdobrando-se, dentre outros aspectos, no campo de pesquisa e estudo chamado de antropologia jurídica ou antropologia do direito – área que se ocupa do estudo das categorias jurídicas, instituições, rituais, contextos, grupos étnicos e coexistência de sistemas normativos (formais e não formais), dentre outras questões.
A antropologia compreende, portanto, todo e qualquer grupo social, manifestação cultural, bem como todo espaço habitado e tempo de existência humana. O homem como objeto do estudo da antropologia. Nesse sentido, considerando que o objeto de estudo da antropologia é complexo e não há uma única forma de abordagem dos fenômenos e das obras humanas, há diferentes ramos na antropologia que podemos compreender como áreas específicas, isto é, como um conjunto de saberes e conhecimentos próprios relacionados a um tema. É importante observar que não se trata de uma classificação rígida, pois são áreas que podem dialogar entre si e estabelecer conexões com outras ciências.
Qual a definição de identidade para Michel Agier em “Distúrbios identitários em tempos de globalização”?
Lugar social, negociado na situação de investigação.
Processos localizados e datados.
Conceitos e raciocínios tirados das monografias que foram consagradas à sua cultura ou à sua região de origem.
Remete a um alhures, a um antes e aos outros.
Incorporação dos contextos na constituição dos objetos de estudo.
Qual o significado do conceito “saberes localizados”, trazido por Donna Haraway em “Saberes localizados: A questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial” (1995)?
Todo conhecimento é um nódulo condensado num campo de poder agonístico.
Versões totalizantes das alegações de autoridade científica.
A lógica da produção parece inescapável nas tradições dos binarismos ocidentais.
Estudos recentes sobre ciência e tecnologia tornaram disponível um argumento muito forte sobre a construção social de todas as formas de conhecimento, mais especialmente, e com maior segurança, das formas científicas.
Saberes localizados requerem que o objeto do conhecimento seja visto como um ator e agente, não como uma tela, ou um terreno, ou um recurso, e, finalmente, nunca como um escravo do senhor que encerra a dialética apenas na sua agência e em sua autoridade de conhecimento "objetivo".
Nobert Elias é um dos grandes pensadores da antropologia no final do século XX e uma de suas obras mais potentes e famosas é O processo civilizador, livro que influenciou muitos pesquisadores e autores. Contudo, uma de suas obras também vastamente utilizada pelos antropólogos é O s estabelecidos e outsiders, resultado de uma de suas pesquisas e publicado pela primeira vez em 1982. Essa obra tem como objeto central:
As relações de poder entre grupos sociais tidos como homogêneos, em uma pequena comunidade no interior da Inglaterra.
A opressão racial entre negros e brancos, em uma pequena cidade da África do Sul, durante o período do apartheid.
A disputa entre grupos sociais pela hegemonia política em uma pequena cidade do Oeste dos Estados Unidos da América.
O conflito entre indígenas e não indígenas na região do alto Rio Negro durante o período da ditadura civil-militar.


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Sobre a abordagem construtivista, para Michel Agier, em “Distúrbios identitários em tempos de globalização”, assinale a alternativa correta.
A etnicidade urbana não é o pálido reflexo de uma etnicidade originária.
Recoloca em questão a ilusão de uma transparência.
Incorporação dos contextos na constituição dos objetos de estudo.
Abordagem situacional das culturas e das identidades como um instrumento de compreensão das lógicas observadas diretamente.
Permite dar conta dos próprios processos identitários, e não apenas de seu contexto ou do que neles está, de maneira mais ou menos oculta, em jogo.
Referente às noções de Antropologia, analise as afirmativas, julgue-as e analise a alternativa correta:
I. A Antropologia física estuda o ser humano como um organismo biológico, enfatizando particularmente o desenvolvimento espiritual do homem.
II. Em antropologia o conceito de desenvolvimento sustentável visa o estabelecimento do meio ambiente e desenvolvimento como um binômio indissociável, em que questões sociais, econômicas, políticas, culturais, tecnológicas e ambientais encontram-se sobrepostas.
III. Na antropologia, as humanidades, as ciências sociais e naturais, se encontram e formam um conjunto genuinamente misantrópico.
IV. Um exemplo de antropologia linguística aplicada refere-se à preservação de linguagem.
II e IV estão corretas, apenas.
I e III estão corretas, apenas.
I; II e III estão corretas.
I; III e IV estão corretas.
II e III estão corretas, apenas.
Tomando como base a discussão de Souza Lima e Castro (2015) sobre antropologia e políticas públicas, é possível afirmar que a atuação do antropólogo nesse terreno é de antropólogo:
“técnico”, que formula as políticas de intervenção
“teórico”, que constrói teorias a partir da análise das relações entre Estado, governo e coletivos
“aplicado”, que produz conhecimentos e/ou ideologias bem como executa processos de intervenção
“observador participante”, que observa as relações entre Estado, governo e coletivos
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) sobre a Antropologia e o debate pós-moderno.
( ) Afirma que a Antropologia é apenas mais uma interpretação de interpretações, pois a realidade é sempre interpretada e percebida sob uma perspectiva subjetiva do autor.
( ) Privilegia a discussão acerca do discurso antropológico, mediado pelos recursos retóricos presentes no modelo das etnografias.
( ) Critica a politização da relação observador-observado na pesquisa antropológica, na tentativa de validar a utilização do poder do etnógrafo sobre os seus informantes.
( ) Defende que na etnografia devem estar presentes, de forma clara, as vozes dos vários informantes.
( ) Propagam a ideia da relatividade absoluta da antropologia, principalmente quando as investigações são fundadas em informações orais ou testemunhos de comunidades ágrafas.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Leia as afirmativas a seguir:
I. No uso do correio eletrônico, o servidor deve divulgar informações não autorizadas sobre a entidade.
II. O etnocentrismo está diretamente relacionado às causas da intolerância internacional e da xenofobia (preconceito contra estrangeiros ou pessoas oriundas de outras origens).
Marque a alternativa CORRETA: