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O trecho a seguir discorre sobre as relações entre ciências sociais e ciências naturais, segundo Max Weber.
Weber coloca, claramente, como um vício, derivado das ciências naturais a introdução indevida da noção de lei na sociologia, na história e na economia. A partir daí, ele é considerado um expoente na sociologia (em oposição a Durkheim) da distinção radical entre a ciência natural e a ciência social. Outros vão na mesma direção, mas, menos respeitosos em relação à ciência natural, colocam em questão a noção de lei em geral, invertendo a posição e não fazendo distinção fundamental entre os domínios científicos.
VELHO, Otávio Guilherme. Considerações (In)Tempestivas sobre Nietzsche e Weber. Anuário Antropológico, 7, 2018. (Adaptado)
Assinale a opção que indica corretamente a posição deste autor.
O conceito de lei é dispensável para a produção humana de conhecimento, pois toda forma de saber é relativa.
O conhecimento sociológico prescinde do rigor metodológico, uma vez que depende da interpretação dos fenômenos.
O mundo natural e o social comportam uma homogeneidade, pois podem ser explicados a partir de leis universais.
O conhecimento social deve progredir no sentido de adotar a aplicação dos pressupostos das ciências naturais.
O método das ciências sociais deve focar na compreensão do sentido das ações sociais, e não em regularidades.
No texto a seguir, os autores criticam um modo de entender a história da espécie humana que se tornou senso comum entre leigos e estudiosos.
O mundo dos caçadores-coletores, antes da chegada da agricultura, era repleto de experiências sociais arrojadas, parecendo muito mais um variado desfile carnavalesco de formas políticas do que as insípidas abstrações da teoria evolucionária. Além disso, muitas das primeiras comunidades agrícolas eram relativamente isentas de níveis e hierarquias. E, longe de estabelecer sólidas diferenças de classe, um número surpreendente das primeiras cidades do mundo se organizava segundo linhas de claro teor igualitário, que dispensavam governantes autoritários, políticos-guerreiros ambiciosos ou mesmo administradores opressores.
GRAEBER, David; WENGROW, David. O despertar de tudo: uma nova história da humanidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
Trata-se da ideia de que
a espécie humana evoluiu de formas igualitárias para estruturas cada vez mais hierárquicas, seguindo uma linha de progresso inevitável.
a agricultura e a urbanização foram etapas necessárias para o surgimento de estruturas igualitárias, pois permitiram o florescimento cultural.
a hierarquia social é um fenômeno esporádico, sem relação com o desenvolvimento tecnológico ou econômico das sociedades.
a diversidade política das sociedades antigas comprova que o igualitarismo só é viável em comunidades pequenas e nômades.
a acumulação de excedentes nas sociedades agrícolas levou a diferentes arranjos políticos, alguns dos quais evitaram a centralização do poder.
Leia o texto a seguir.
[É] nosso modesto parecer que o futuro da noção-mestra da antropologia, a noção de relação, depende da atenção que a disciplina souber prestar aos conceitos de diferença e de multiplicidade, de devir e de síntese disjuntiva. Uma teoria pós-estruturalista da relacionalidade, isto é, uma teoria que mantenha o compromisso “infundamental” do estruturalismo com uma ontologia relacional, não pode ignorar (...) as ideias de perspectiva, força, afeto, hábito, evento, processo, preensão, transversalidade, devir e diferença.
VIVEIROS DE CASTRO, E. Metafísicas canibais. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
O pensamento pós-estruturalista busca um afastamento crítico de características fundamentais do modelo estruturalista.
Uma dessas características é
a abertura dos sistemas simbólicos às influências do contexto e das contingências.
o compromisso com a ideia de que a interação é a base da organização cultural.
a remissão de toda multiplicidade cultural a um conjunto de elementos básicos articulados.
o foco na descrição e na listagem dos fenômenos culturais em suas manifestações e diversidade.
a impossibilidade de sistematizar de maneira unificada as dinâmicas da cultura.
Leia o trecho a seguir.
Seres humanos se formam em mundos simbólicos e linguísticos variados. Os diferentes modos de conhecimento e as variadas formas de se relacionar com o mundo e com a Terra não podem ser medidos pelos avanços na ciência e na tecnologia modernas. (...) Precisaremos entender o poder transformativo da heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo] e continuar a depender da empatia e da sensibilidade como formas de resolução de tensões no interior de agrupamentos cada vez mais isolados.
HUI, Yuk. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
O trecho acima enfatiza a diversidade de culturas humanas e chama atenção para o fato de que há modos distintos de considerá-la.
Ele aponta para os riscos de tomar a diversidade como
um fenômeno que reforça barreiras e promove o isolamento entre diferentes agrupamentos humanos.
uma característica que deve ser preservada para garantir a coexistência entre humanos.
um dado cultural que pode subsistir mesmo quando os grupos estão abertos à influência externa.
uma realidade que prescinde da empatia como forma de garantir a convivência entre humanos.
um obstáculo à criação de novas tecnologias que promovam a igualdade em âmbito global.
Na crença e na prática religiosa, o ethos de um grupo torna-se intelectualmente razoável porque demonstra representar um tipo de vida idealmente adaptado ao estado de coisas atual que a visão de mundo descreve, enquanto essa visão de mundo torna-se emocionalmente convincente por ser apresentada como uma imagem de um estado de coisas verdadeiro, especialmente bem arrumado para acomodar tal tipo de vida.
GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2015.
No trecho acima, o autor descreve a relação entre ethos coletivo e sistema religioso.
Com base no texto, assinale a opção que descreve corretamente essa relação.
Conflito, pois o ethos e a religião estão frequentemente em disputa, com práticas e crenças que se contradizem.
Confirmação recíproca, pois o ethos e a visão de mundo religiosa se validam e reforçam mutuamente.
A religião determina o ethos, indicando que as práticas religiosas é que moldam os valores e comportamentos.
O ethos racionaliza a religião, dado que o modo de vida do grupo justifica argumentativamente suas crenças religiosas.
A religião é ilusória e o ethos é objetivo, pois aquela oferece uma visão idealizada da prática cotidiana.


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Historicamente, podemos organizar os marcos de desenvolvimento de um determinado campo científicomuseal tomando como índices o incremento de coleções, a ampliação de quadros profissionais ou a especialização de áreas de conhecimento. O Museu Antropológico da UFG, iniciado nos anos de 1960, fundamenta-se em paradigma
patrimonialista.
simbolista.
culturalista.
hermenêutico.
Pierre Bourdieu foi um dos principais sociólogos do século XX. Em sua vasta produção intelectual, Bourdieu foi um dos responsáveis pela atualização de um conceito aristotélico, também utilizado por Marcel Mauss, e que ocupa um lugar central nos debates sobre corpo, indivíduo e sociedade. No vocabulário de Bourdieu, tal conceito é definido do seguinte modo:
“[…] é uma noção mediadora que ajuda a romper com a dualidade de senso comum entre indivíduo e sociedade ao captar a interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade, ou seja, o modo como a sociedade se torna depositada nas pessoas sob a forma de disposições duráveis, ou capacidades treinadas e propensões estruturadas para pensar, sentir e agir de modos determinados, que então as guiam nas suas respostas criativas aos constrangimentos e solicitações do seu meio social existente.”
O conceito renovado por Bourdieu nessa definição é o de:
habitué;
hábito;
habitus;
ação social;
agência.
O antropólogo Franz Boas é conhecido por ter dado início à corrente culturalista da antropologia norte-americana.
Para tanto, ele teve de se contrapor ao ideário
estruturalista, segundo o qual as culturas devem ser entendidas através de sistemas simbólicos subjacentes que determinam os comportamentos e crenças.
evolucionista, segundo o qual as sociedades passam por estágios fixos de desenvolvimento cultural, de formas mais primitivas às mais civilizadas.
pós-moderno, segundo o qual as narrativas culturais são construções subjetivas que refletem diversas verdades e realidades, sem uma base objetiva única.
etnológico, segundo o qual o estudo comparativo das culturas deve buscar leis gerais que regem o comportamento social e cultural dos grupos humanos.
particularista, segundo o qual cada cultura é única e deve ser estudada em seus próprios termos, sem a imposição de categorias de pretensão universal.
Dentre os muitos artefatos em guarda de museus de variadas configurações estão os instrumentos musicais. Nestes ambientes, artefatos com capacidade sônica são ordenados a partir de classificações desenvolvidas na musicologia moderna da virada dos séculos XIX–XX. Estas levam em consideração as condições de produção do som para tipificar as diferentes famílias de instrumentos. Mais recentemente, com a abertura para o diálogo com outras epistemologias de compreensão e classificação de instrumentos musicais, idiofones como tambores têm passado de objetos a entidades, a depender dos contextos socioculturais em que são encontrados. Diante disto, ao trabalhar com instrumentos musicais, da guarda à exibição, deve-se atentar para as condições de classificação eurocêntricas
dispensando o diálogo com as classificações e sentidos dos produtores e músicas de povos e coletivos de onde os instrumentos provêm.
dialogando com as classificações e sentidos dos produtores e músicas de povos e coletivos de onde os instrumentos provêm.
substituindo-as por classificações e sentidos dos produtores e músicas de povos e coletivos de onde os instrumentos provêm.
reformulando-as por sua relação com os processos de conquista coloniais.
Diversas formas expressivas populares e étnicas foram preteridas e silenciadas ao longo da história de formação dos símbolos nacionais. Capoeira e samba, nas primeiras décadas do século XX, Funk e Hip hop nas últimas décadas, foram incompreendidas, perseguidas e proibidas. Paulatinamente, no entanto, resultado da articulação entre artistas populares, intelectuais e promotores culturais, gêneros antes perseguidos foram consagrados, por sua força expressiva e popularidade, como ícones de regiões e da Nação. Nesse quadro, museus antropológicos podem participar contribuindo com
processos de gravação, edição e difusão de fonogramas em plataformas digitais criadas para esse fim.
processos de assessoria e fiscalização de direitos de autoria e propriedade sobre produtos culturais.
processos de difusão das formas expressivas populares, através de apresentações e exposições.
processos de pesquisa e elaboração de dissertações e teses sobre algumas dessas formas expressivas.


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Leia o trecho abaixo do artigo “Natureza & Cultura, versão americanista – Um sobrevoo”, de Renato Sztutman.
“(…) seres não humanos que se veem sob forma humana deveriam ver os humanos sob forma não humana, uma vez que a humanidade é uma posição e não uma substância, uma propriedade intrínseca a certa porção de seres. Um porco do mato, por exemplo, se vê como humano enquanto vê o humano como jaguar ou como espírito predador. Ora, todos esses existentes são, potencialmente, humanos (partilham a mesma condição de humanidade [humanity]) apesar de não serem todos da espécie humana (humankind). São todos sujeitos dotados de comportamento, intencionalidade e consciência, estando inseridos em redes de parentesco e afinidade, fazendo festas, bebendo cauim, reportando-se a chefes, fazendo guerra, pintando e decorando seus corpos. O que está em jogo, aqui, portanto, é a diferença entre perspectivas, o que nos envia a uma filosofia ameríndia da diferença.”
Esse trecho descreve o modo de relação entre humanos e não humanos característico da forma de pensamento ameríndio denominada:
perspectivismo;
totemismo;
mutualismo;
isolacionismo;
ontologismo.
Na última década, vem aumentando a presença de indígenas em espaços antes frequentados apenas por profissionais de museus, como reservas técnicas, requalificando e, em alguns casos, estudando coleções. Este fato se enquadra em um movimento mais amplo, dentre os grupos sociais antes representados por instituições como Museus, de revisão crítica de imagens e significados associados à formação da nação. Dentre as estratégias narrativas e institucionais adotadas, a criação de museus indígenas representa
a adaptação de um instrumento patrimonial não-indígena que servirá para a formação de uma elite política local.
o processo de aculturação, de apropriação forçada de instituições patrimoniais que gera alterações culturais profundas nas tradições de um dado Povo.
a possibilidade de organização política indígena e de instrumento de articulação para representar processos históricos e socioculturais a partir do local.
o processo de globalização, de apropriação pouco refletida de instituições patrimoniais e tecnologias de comunicação que pode gerar alterações culturais profundas nas tradições de um dado grupo.
Em seu livro “A caminho da cidade”, publicado em 1978, a antropóloga Eunice Durhan escreveu:
“A industrialização e a urbanização significam a quebra de isolamento das comunidades tradicionais, a crise do sistema produtivo rural e da estrutura tradicional de autoridade, a negação dos velhos valores, a adoção de novos padrões de comportamento.”
O processo social que promove essa transformação da ordem social é(são):
o progresso científico;
a aculturação;
o cerceamento dos campos;
as migrações;
as viagens turísticas.
Analise as afirmativas abaixo e indique qual(is) explicita(m) melhor o conceito de interculturalidade.
I. Uma interação dialógica entre pertencimento e diferença, inclusão e exclusão, controle e resistência, passado e presente.
II. Complexas relações entre grupos humanos, conhecimentos e práticas culturais diferentes, partindo do reconhecimento das assimetrias sociais, econômicas e políticas.
III. Construção de processos de inclusão de um conhecimento cultural diverso em outro.
IV. Um discurso simétrico entre diversas culturas.
Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
Somente as afirmativas II e III estão corretas.
Somente as afirmativas I e II estão corretas.
Nenhuma afirmativa está correta.
Todas as afirmativas estão corretas.
O homem encarou a diversidade cultural desde os primórdios de sua história. Isso porque acreditamos que embora o homem sempre tenha pensado e refletido sobre si mesmo e sobre os diversos povos com os quais tivesse contato, esses pensamentos sempre foram guiados por seu próprio modo de interpretar o mundo, ou seja, seus valores, crenças etc.
(FOUCAULT, 2000.)
Em meados do XVIII, a sociedade industrial foi suscitando no homem a necessidade de se colocar como objeto da ciência, como fazia com a natureza, mas somente a partir do século XIX que se erigiu um empenho na direção de formatar um discurso antropológico com certos métodos que ascendessem à ciência. Assim sendo, assinale a afirmativa correta.
A pesquisa de cunho antropológico, além de viver um intenso e expansivo movimento humanista na Europa, é a base ideológica para as grandes revoluções burguesas do período.
Essa percepção sobre o “outro” e sua cultura passa a atender modelos rigidamente elaborados, ou seja, àquelas categorias de análise cultural criadas ainda no seio das primeiras filosofias.
O pensamento de muitos homens sobre a natureza humana deixa paulatinamente o campo das especulações para se tornar cada vez mais metódico, segundo os preceitos da ciência da época.
A enorme diversidade da humanidade sobressaiu aos olhos dos homens como um fato digno de respeito e admiração, o que contribuiu para exaurir o preconceito, a xenofobia e outros conflitos sociais.
A atitude, que consiste em “acolher” para sua cultura, trazer para a condição de humanidade todos aqueles que não participam de nosso modo de pensar, ganha respaldo na ciência antropológica.


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A ideia/lógica de “relatividade cultural” refuta a ideia/lógica de que:
Itens culturais podem gerar comparações na unidade do gênero humano.
O sistema de valores de uma dada cultura explica o comportamento humano.
Normas éticas e valores só podem ser julgados dentro de seus contextos.
As diferenças entre os homens são criadas pela história.
Há um olhar diferenciado sobre os valores da própria cultura.
Os antropólogos da escola evolucionista defendiam a existência de uma hierarquia entre os diversos povos. Segundo essa escola, os povos europeus estavam no topo dessa hierarquia, sendo esses os povos civilizados, enquanto os povos da África, Ásia e Oceania seriam os primitivos e situados na base dessa hierarquia. As demais escolas antropológicas posteriores foram críticas dessa hierarquia estabelecida pelos evolucionistas. Uma das críticas aos pressupostos da escola evolucionista é:
Comparação entre culturas distintas.
Relativismo cultural.
Hierarquia de culturas e povos.
Defesa de uma evolução cultural.
A Organização das Nações Unidas foi criada em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), evento este que resultou na morte de aproximadamente 70 milhões de seres humanos, ao lado do holocausto, com o extermínio de 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazistas. O genocídio judeu nasceu a partir das ideias de racistas e de pureza racial que permearam o ideário nazista. Em 1952, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) convidou o antropólogo Claude Lévi-Strauss para escrever um texto sobre a questão de raça, que resultou na obra Raça e História . A UNESCO, através de Raça e História, tinha como objetivo:
Atrair para ONU as nações do terceiro mundo.
Defesa da diversidade cultural e combate às teorias racistas.
Defesa intransigente do etnocentrismo.
Enfatizar o evolucionismo e o relativismo cultural.
Sobre “relatividade cultural”, é INCORRETO afirmar que:
O comportamento deve ser julgado em relação ao lugar ocupado na estrutura da cultura.
As atitudes individuais refletem o sistema de valores específico de uma cultura.
Os elementos de uma cultura só podem ser julgados dentro de seus contextos.
As normas éticas derivam de valores culturais mais ou menos universais.
Não é possível existir uma única escala de valores aplicada a todas as sociedades.
Um assunto comum nos estudos direcionados aos indígenas é relativismo cultural, Assinale a alternativa que define Relativismo Cultural:
Traz uma ideia de julgamento e hierarquia de civilizações
É um conceito das áreas da sociologia e antropologia, que indica a cultura em que o indivíduo está inserido
Designa o sentimento de pertencimento à determinado grupo social e vai sendo construindo através das interações sociais que os indivíduos desenvolvem durante a vida
Abarca a produção material e imaterial de inúmeros e distintos povos em todo o mundo
É a atitude de olhar uma cultura ou um elemento cultural de forma a compreender que os indivíduos são condicionados a terem um modo de vida específico e particular de acordo com o processo de endoculturação, sendo entendido que seus sistemas de valores são próprios de sua cultura