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Leia o trecho a seguir.
Certo, é verdade que a expressão “arte por arte” é vazia de sentido nas sociedades tradicionais da África negra. Toda produção artística era antes funcional, isto é, chamada a desempenhar um papel utilitário, exceto a aspiração do artista. Uma estatueta que para um europeu satisfaria o gosto por suas formas harmoniosas, um pingente que lhe serviria para sublinhar uma parte do corpo, tudo isso era destinado a cumprir uma certa função.
MUNANGA, Kabengele. “A dimensão estética na arte negro-africana tradicional”. In: Arte afro-brasileira: o que é afinal? Lisboa: Oca Editorial, 2020.
No Ocidente, a noção de “arte por arte” consolidou-se como uma valorização da experiência estética autônoma.
Com base na perspectiva apresentada pelo autor, assinale a afirmativa correta.
A ausência de uma categoria equivalente à “arte por arte” indica a inexistência de apreciação estética.
A arte africana tradicional é ornamental, destacando-se pela valorização da forma e da harmonia estética.
A concepção ocidental de arte permite uma leitura mais objetiva da dimensão estética da arte africana.
A arte africana tradicional expressa uma cosmovisão na qual os objetos transcendem a mera apreciação visual.
A separação entre arte e utilidade é uma característica universal, presente em todas as culturas.
Leia o trecho abaixo, extraído do verbete “Quilombo”, escrito por José Maurício Arruti e publicado no livro "Raça: Perspectivas Antropológicas”:
“O tema dos quilombos coloca em pauta, enfim, o poder de nominação (que cria o nome) e nomeação (que o atribui) de que é instituído o Direito e o seu garantidor, o Estado, detentor da palavra autorizada por excelência. O poder de se atribuir uma identidade garantida aos agentes e grupos, por meio da qual se distribuem direitos, deveres, encargos, sanções e compensações. É a nomeação oficial que põe um termo ou ao menos um limite à luta travada no mundo social em torno das identidades e, por meio delas, das qualidades dos grupos – que está na origem desses próprios grupos.”
Nesse trecho, o autor discute o seguinte aspecto do debate sobre quilombos no Brasil:
a categoria "quilombo" como uma noção de Estado, garantidora de direitos;
a categoria "quilombo" na tradição antropológica;
a categoria "quilombo" na literatura;
a luta social dos quilombolas;
o nascimento da prática de aquilombamento.
Nos jogos de força em torno das classificações e representações sobre os povos indígenas em museus antropológicos, coleções e exposições etnográficas, podem ser consideradas
referenciais científicas de fundamento importante para justificar seu uso por parte dos povos indígenas.
práticas de colecionamento etnográfico pautadas em apenas alguns dos significados atribuídos pelos diversos atores sociais envolvidos na aquisição, classificação e exibição de objetos.
expressão do sentido de missão civilizadora e de hegemonia ocidental, traduzindo fielmente o ponto de vista dos povos indígenas representados em suas coleções.
instrumentos para os povos indígenas na recuperação de investigações históricas críticas, conhecimentos, signos e eventos apagados pela historiografia oficial.
Comentando sobre as dificuldades inerentes às afirmações sobre a continuidade histórica de grupos indígenas, muitas vezes demandadas pelos operadores do direito ao antropólogo, João Pacheco de Oliveira afirma:
"A única continuidade que talvez possa ser possível de sustentar é aquela de, recusando o processo histórico vivido por tal grupo, mostrar como ele refabricou constantemente sua unidade e diferença face a outros grupos com os quais esteve em interação.”
O pressuposto antropológico que fundamenta esse princípio norteador das pesquisas sobre grupos indígenas é o de que:
as unidades étnicas são dinâmicas;
as unidades étnicas são multilineares;
a interação entre grupos desencadeia processos de aculturação;
o difusionismo cultural deve sempre ser considerado;
o evolucionismo cultural caracteriza as diferenças entre grupos distintos;
A Convenção sobre os Povos Indígenas e Tribais, publicada em 1989 pela Organização Internacional do Trabalho, é amplamente conhecida por fundamentar o debate que envolve o trabalho dos antropológos em instâncias do judiciário.
Nos dois parágrafos do Art. 10 dessa convenção, afirma-se o seguinte:
1. Quando sanções sejam impostas pela legislação geral a membros dos povos mencionados, deverão ser levadas em conta as suas características econômicas, sociais e culturais.
2. Dever-se-á dar preferência a tipos de punição outros que o encarceramento.
O procedimento que poderá ser solicitado ao antropólogo em situações envolvendo acusações criminais e minorias étnicas é o(a):
relatório de pesquisa;
trabalho de campo;
etnografia;
perícia antropológica;
documentário.


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As relações entre antropologia e instituições museais são de longa data. Nas últimas décadas, debates críticos feitos por antropólogos e também por grupos que usualmente são objeto de museus etnográficos culminaram em um movimento renovador. Como bem descreveu a antropóloga Regina Abreu:
“Um movimento de entrada em cena de representantes indígenas em museus etnográficos em todo o mundo se afirmou como resultado de movimentos e reivindicações indígenas. Os povos indígenas descobriram os museus e as práticas museológicas, o que abriu espaço para a dinamização dos acervos com novas informações e a atualização das pesquisas sobre os objetos. Além disso, foi também em virtude da descoberta dos museus pelos índios que eles próprios começam a 'reaprender’ ofícios e práticas já desaparecidos em seus territórios. Os museus etnográficos com seus acervos e o acúmulo de suas pesquisas passaram a ser vistos como fontes de pesquisa e estudo para os próprios povos indígenas.”
A perspectiva teórica contemporânea que tem contribuído para a renovação do debate sobre a atuação de grupos indígenas em museus é o:
indigenismo;
pragmatismo;
funcionalismo;
estruturalismo;
pós-colonialismo.
A antropologia brasileira nasceu nos museus, institutos históricos e geográficos e faculdades de direito e medicina. Ela articula variados conhecimentos e esteve associada a diferentes momentos e projetos da Nação. No caso dos trabalhos pioneiros desenvolvidos no Museu Nacional do Rio de Janeiro, o período entre as décadas de 1930–1940 caracterizou-se no quadro geral das cooperações internacionais pela aproximação entre
Brasil e Inglaterra, e trabalhos com os etnólogos como Radcliffe-Brown, R. Lowie e A. Métraux.
Brasil e França, e trabalhos com os etnólogos como C. Lévi-Strauss, R. Bastide e P. Verge.
Brasil e Alemanha, e a presença de etnólogos como H. Baldus, E. Schaden e H. Schultz.
Brasil e Estados Unidos e a presença de etnólogos como C. Wagley, W. Lipkind e B. Quain.
Na última década, vem aumentando a presença de indígenas em espaços antes frequentados apenas por profissionais de museus, como reservas técnicas, requalificando e, em alguns casos, estudando coleções. Este fato se enquadra em um movimento mais amplo, dentre os grupos sociais antes representados por instituições como Museus, de revisão crítica de imagens e significados associados à formação da nação. Dentre as estratégias narrativas e institucionais adotadas, a criação de museus indígenas representa
a adaptação de um instrumento patrimonial não-indígena que servirá para a formação de uma elite política local.
o processo de aculturação, de apropriação forçada de instituições patrimoniais que gera alterações culturais profundas nas tradições de um dado Povo.
a possibilidade de organização política indígena e de instrumento de articulação para representar processos históricos e socioculturais a partir do local.
o processo de globalização, de apropriação pouco refletida de instituições patrimoniais e tecnologias de comunicação que pode gerar alterações culturais profundas nas tradições de um dado grupo.


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Na busca por uma alternativa viável de desenvolvimento sustentável, os ambientalistas desconsideram os grupos indígenas como parceiros devido às suas práticas históricas de adaptação e relação com o meio ambiente.


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Os regimes de propriedade dos quilombos, as diversas “terras de preto” e as comunidades cafuzas possuem diferenças marcantes em relação aos povos indígenas, porém ainda fazem parte da ampla categoria de formas de propriedade comum.
O caboclo — figura típica das zonas de contato entre a sociedade nacional ou a sociedade envolvente e as sociedades indígenas — é o índio integrado à sociedade dos brancos, mas com a consciência integralmente ligada à sua ancestralidade indígena.
Para se descrever a morfologia social de um grupo indígena, devem ser utilizados métodos quantitativos.
A influência de agentes pastorais da Igreja Católica na Amazônia contribui para que a população valorize e retome antigas práticas de natureza política e religiosa.
Uma das críticas aos estudos de comunidade diz respeito à circunscrição do campo de pesquisa, como se a comunidade estudada fosse uma totalidade autônoma, sem levar em conta os contextos de inserção em sociedades nacionais ou os processos de escala internacional.