Questões de Concurso sobre Pesquisa e Método em Antropologia

 
 
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O antropólogo Victor Tuner é autor da frase: “O drama da estrutura e antiestrutura termina no palco da cultura”. A contribuição desse autor britânico para a antropologia da segunda metade do século XX é notável.


As pesquisas de Victor Turner contribuem principalmente para a antropologia:


A

da arte;


B

dos rituais;


C

do esporte;


D

audiovisual;


E

da burocracia.

Leia o trecho abaixo, escrito pelo antropólogo José Guilherme Magnani:


“[…] o que se propõe é um olhar de perto e de dentro, mas a partir dos arranjos dos próprios atores sociais, ou seja, das formas por meio das quais eles se avêm para transitar pela cidade, usufruir seus serviços, utilizar seus equipamentos, estabelecer encontros e trocas nas mais diferentes esferas – religiosidade, trabalho, lazer, cultura, participação política ou associativa etc. Esta [sic] estratégia supõe um investimento em ambos os pólos da relação: de um lado, sobre os atores sociais, o grupo e a prática que estão sendo estudados e, de outro, a paisagem em que essa prática se desenvolve, entendida não como mero cenário, mas parte constitutiva do recorte de análise.”


O método de pesquisa a que o autor se refere é:


A

survey;


B

estudo de caso;


C

revisão bibliográfica;


D

método etnográfico;


E

entrevista qualitativa.

O antropólogo franco-holandês Arnold van Gennep (1873-1957) é conhecido autor da antropologia das análises rituais. Em um de seus textos, ele diz:


“Frequentemente ̶ e isso é um fato sobre o qual chamo a atenção ̶ os vínculos do moço ou da moça com os ambientes anteriores (de idade, sexo, parentesco, tribo) são considerados tão poderosos que é preciso agir com cautela para rompê-los. Daí as fugas e perseguições múltiplas, na floresta ou na montanha, os pagamentos de dotes ou compras por frações, as repetições dos ritos.”


Essa análise trata dos ritos:


A

fúnebres;


B

politicos;


C

religiosos;


D

de passagem;


E

de iniciação xamânica.

Em seu artigo “O futuro nos laudos antropológicos”, o antropólogo Paulo Santini afirma:


“Com respeito ao reconhecimento oficial de direitos territoriais indígenas — em que a delimitação substantiva de um território é exigida para o cumprimento do artigo 231 da Constituição —, a primeira, senão a única atribuição legal de antropólogos é a de empreender e coordenar os estudos dos grupos técnicos instituídos para proceder à identificação e à delimitação das terras ocupadas tradicionalmente pelos índios; requere-se dos especialistas que tracem e demonstrem a continuidade entre povos pré-colombianos e populações atuais.”


A realização de um laudo antropológico pressupõe o emprego de técnicas de pesquisa consagradas pela disciplina.


A técnica de pesquisa antropológica, indispensável na produção de laudos, que permite ao técnico acessar a realidade social em questão, entrar em contato com o grupo pesquisado e conhecer suas singularidade é(são) o(s):


A

levantamento bibliográfico;


B

registros sonoros;


C

registros museológicos ;


D

grupo focal;


E

trabalho de campo.

“A meu ver, um trabalho etnográfico só terá valor científico irrefutável se nos permitir distinguir claramente, de um lado, os resultados da observação direta e das declarações e interpretações nativas e, de outro, as inferências do autor, baseadas em seu próprio bom senso e intuição psicológica. (…) É necessária a apresentação desses dados para que os leitores possam avaliar com precisão, num passar de olhos, quão familiarizado está o autor com os fatos que descreve e sob que condições obteve as informações dos nativos”.


(Malinowski, Bronislaw. Os Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Editora UBU, 2018: 57)


Neste trecho da introdução do livro Os Argonautas do Pacífico Ocidental, Bronislaw Malinowki apresenta


A

uma defesa da comparação entre culturas.


B

uma defesa da observação participante.


C

um argumento em favor do evolucionismo cultural.


D

uma defesa da antropologia de gabinete.


E

um argumento em defesa da aplicação de questionários.

“Se a antropologia nos instrumentaliza a captar e conferir sentido aos fatos nos diferentes contextos culturais – de outras sociedades e de nossa própria – é de se apostar que os “intelectuais indígenas” estarão, assim, procedendo de igual maneira, tendo algo a nos dizer com base em seus princípios epistemológicos, não apenas sobre si, mas sobre nós, num efeito de “antropologia cruzada”.


(Santos, G. M. dos, & Dias Jr., C. M. (2009). Ciência da floresta: Por uma antropologia no plural, simétrica e cruzada . Revista De Antropologia, 52(1), 137-160.)


Assinale a opção que indica o princípio que orienta este modo de fazer antropologia.


A

Simetria.


B

Assimetria.


C

Saberes alternativos.


D

Saberes complementares.


E

Negacionismo.

No livro “A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos”, escrito por Bruno Latour e Steve Woolgar, os autores afirmam:


“A grande diferença entre a etnografia clássica e a das ciências reside no fato de que o campo da primeira confunde-se com um território, enquanto o da segunda toma a forma de uma rede.”


(LATOUR, Bruno; WOOLGAR, Steve. A vida de laboratório. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 1997, p.31)


Essa formulação está relacionada à seguinte proposição teórico metodológica:


A

Teoria-do-ator-rede.


B

Estruturalismo.


C

Corporeidade.


D

Funcionalismo.


E

Fenomenologia.

A antropologia é a disciplina científica responsável pela compreensão do que nos torna humanos. Para fazer isso, analisa tanto as manifestações socioculturais de diferentes grupos e em diferentes períodos. Especificamente, os antropólogos estão interessados em estudar como e por que as pessoas se comportam e interagem de uma determinada maneira; pergunta que pode ser analisada a partir de perspectivas muito diferentes. Muitos antropólogos trabalham, por exemplo, analisando a área de economia ou política, outros de saúde, educação ou direito. Mas pode haver muito mais. Para a antropologia, os campos de estudo são tão variados quanto a diversidade humana.


(Os 4 principais ramos da antropologia, como são e o que investigam / Cultura | Psicologia, filosofia e pensamento sobre a vida. sainteanastasie.org.)


No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o antropólogo, enquanto pesquisador, precisa estar de acordo com o Código de Ética da profissão, que preconiza, dentre outros fatores:


A

O direito, aos pesquisadores, de preservar, caso julguem necessário, informações confidenciais e o direito de autoria e proteção contra o plágio.


B

A garantia total de colaboração prestada pela comunidade investigada, sob pena de sanções por parte das instituições envolvidas no processo.


C

O direito do antropólogo de intervir, sempre que sentir necessidade, nos códigos culturais das sociedades estudadas, desde que se faça o devido registro.


D

Que os direitos dos antropólogos são prioritários aos direitos das populações que são objeto de pesquisa, pois prestam serviço às próprias comunidades.


E

O direito de acesso às populações e às fontes com as quais o pesquisador precisa trabalhar são autorizadas, desde que se comprove a sua formação e competência.

Acervos etnográficos e arqueológicos se diferenciam, necessariamente:


A

pelo tipo de material.


B

pelo contexto de coleta/origem do objeto.


C

pelo vínculo a um grupo étnico específico.


D

pela cronologia.


E

pela função do objeto.

Em 1922 foi publicada a obra Os Argonautas do Pacífico Ocidental, de autoria de Bronislaw Malinowski, considerada um marco fundacional do método etnográfico.


Na introdução desse livro, o autor afirma:


“Além do esboço firme da constituição tribal e dos atos culturais cristalizados que formam o esqueleto, além dos dados referentes à vida cotidiana e ao comportamento habitual que são, por assim dizer, sua carne e seu sangue, há ainda que se registrar o espírito dos nativos (…)”.


(Malinowski, Bronislaw. Os Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Editora UBU, 2018: 80)


Assinale a opção que corresponde às orientações metodológicas oferecidas pelo autor.


A

Descrever a organização da tribo e a anatomia de sua cultura; compreender os tipos de comportamento da vida nativa; elucidar a mentalidade nativa.


B

Descrever a cultura material da tribo; compreender os tipos de comportamento da vida nativa; elucidar a mentalidade nativa.


C

Descrever a organização da tribo; compreender as práticas do kula; elucidar o grau de desenvolvimento da tribo.


D

Descrever a organização da tribo e a anatomia da sua cultura; Inventariar objetos da cultura material; transcrever músicas rituais.


E

Descrever os rituais dos nativos; compreender as formas religiosas do pensamento nativo; elucidar as funções sociais da troca do kula.

Quanto aos métodos quantitativos na Antropologia, é correto afirmar que


A

vêm sendo apropriados, especialmente como auxiliares na preparação da pesquisa de campo ou fornecendo quantificações que possam orientar análises qualitativas, como nas pesquisas de network studies.


B

sempre foram impopulares, faltantes nas pesquisas mais remotas e quase sempre ausentes nas pesquisas contemporâneas.


C

a antropologia social, por seus objetivos interpretativos, não se utiliza deles.


D

são empregados apenas na antropologia física, especialmente com vistas a observar características fenotípicas.


E

a quantificação não faz parte do processo de desenvolvimento da pesquisa antropológica, especialmente se considerarmos as tendências contemporâneas que se voltam à antropologia simbólica.

[...] a adoção de métodos quantitativos é muito reduzida, principalmente onde seriam potencialmente úteis, ou seja, nas análises dos dados provenientes do trabalho de campo. Aparentemente, há várias razões que poderiam explicar essa situação.


MITCHELL, C. “A questão da quantificação na Antropologia Social”. In: FELDMAN-BIANCO, B. (org.) A Antropologia das Sociedades Contemporâneas, S. Paulo, Global, 1987, pp. 77-126.


Entre as razões que explicam o reduzido uso dos métodos quantitativos, é correto destacar que


A

os métodos quantitativos não são adequados aos estudos da antropologia, por isso são descartados.


B

a quantificação não interessa em nenhum momento à antropologia social.


C

as pesquisas quantitativas por serem imprecisas acabam sendo rejeitadas por antropólogos sociais.


D

como a maioria das pesquisas antropológicas são estudos de caso, os métodos quantitativos acabam não sendo uma opção para suas pesquisas.


E

há uma preocupação maior entre os antropólogos em compreender sentidos, embora haja antropólogos cujas pesquisas não se reduzem a aspectos subjetivos, como normas e ideias, e utilizam-se de métodos quantitativos.

Sobre o método de análise comparativa na antropologia, método de forte cunho vivenciado nos primeiros estudos antropológicos, no século XIV, e com fortes traços do colonialismo europeu, é correto afirmar que:


A

Vivencia uma coerência de um hábito cultural, analisada a partir do sistema a que pertence.


B

É uma abordagem evolucionista de que as sociedades simples dispõem de um pensamento mágico que antecede o científico e que, portanto, lhe é inferior.


C

Pertence à cultura como um processo acumulativo que resulta de toda a experiência histórica das gerações anteriores.


D

É um processo que limita ou estimula a ação criativa do indivíduo.


E

Está associado ao nome de Herbert Spencer, um de seus precursores e principais expoentes.

Por meio do trabalho de campo e das técnicas próprias da antropologia, o antropólogo tem efetiva condição de realizar uma pesquisa que venha a embasar um laudo pericial, principalmente em casos de conflitos sociais que envolvam terras indígenas ou quilombolas.

C
Certo

E
Errado
O papel do antropólogo no registro de bens culturais está limitado aos aspectos culturais, uma vez que o registro de fatores relacionados ao meio ambiente é de responsabilidade técnica de biólogos, geógrafos e geólogos.

C
Certo

E
Errado

O mito pode ser considerado uma linguagem, uma forma narrativa de expressão que busca dar sentido a elementos da experiência humana, desempenhando o papel de um pensamento conceitual.


C
Certo

E
Errado

A descrição etnográfica caracteriza-se por ser interpretativa e microscópica, bem como por interpretar o fluxo da vida social e por buscar fixá-lo em uma forma pesquisável.


C
Certo

E
Errado

A corrente teórica conhecida por entender cada cultura como um todo coerente ou um sistema coerentemente integrado de relações sociais onde todos os elementos se harmonizam uns aos outros e nada ocorre ao acaso recebeu o nome de:


A

Evolucionismo.


B

Funcionalismo.


C

Estruturalismo.


D

Pós-estruturalismo.

Leia o seguinte trecho, de Roberto DaMatta (1987):

(...) o social (e cultural) é tudo aquilo que independe da natureza interna (genética ou quadro genético) ou externa (fatores ambientais, naturais). Ou seja, todos aqueles fatos que não podem ser razoavelmente resolvidos por estes fatores, sendo mais adequadamente tratados quando são estudados uns em relação aos outros. Se tal formulação não é definitiva, deixando em aberto muitos problemas, ela pelo menos tem a enorme vantagem de situar, à maneira de Durkheim, um campo (ou um objeto) dentro do qual podemos trabalhar com essa realidade que estamos tomando como sociológico e que é nosso alvo deslindar.

Nesse trecho, o autor defende


A

o determinismo geográfico, segundo o qual as culturas refletem as condições externas do meio natural.


B

o etnocentrismo, que busca compreender a cultura dos outros com referência aos valores e ideias da cultura de origem do investigador.


C

o determinismo biológico, que busca explicações para comportamentos e valores na natureza dos indivíduos, entendida como sua raça ou suas heranças genéticas.


D

relativismo cultural, segundo o qual as culturas humanas só podem ser compreendidas em relação a si mesmas.


E

a perspectiva relacional, que busca estabelecer uma demarcação entre os fatores social e biológico estudando a relação dos seres humanos com a natureza.

 
 
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