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Em sua obra, Roberto DaMatta (1987) afirma que [...] nas ciências sociais trabalhamos com fenômenos que estão bem perto de nós, pois pretendemos estudar eventos humanos, fatos que nos pertencem integralmente. [...] Quando eu estudo baleias, estudo algo radicalmente diferente de mim. Algo que posso perceber como distante e com quem estabeleço facilmente uma relação de "objetividade".
Nesse trecho, o autor
busca mostrar que, atualmente, a fronteira entre as ciências sociais e naturais já não é tão grande como antes.
afirma que nas ciências sociais, embora se busque a perspectiva do estranhamento na análise, a relação entre investigador e sujeito investigado é mais complexa, pois ambos partilham experiências humanas.
defende que a etnologia, por se encontrar na interface entre a biologia e a psicologia, deve fazer estudos comparativos entre o comportamento de animais e seres humanos.
afirma que o antropólogo deve se distanciar de sua realidade cotidiana, estudando povos distantes de sua própria cultura.
sustenta que a antropologia, ao estudar as culturas humanas, pode atingir o mesmo tipo de objetividade das ciências naturais.
O novo método histórico, em concordância com a teoria do difusionismo cultural, propõe uma análise que, como condição para a reconstituição histórica das transmissões culturais, limita as áreas a serem comparadas.
O estudo antropológico proposto por Franz Boas, tal como no evolucionismo cultural, consiste na análise diacrônica das dinâmicas culturais.
O método de estudo proposto por Franz Boas, denominado novo método histórico, é um método dedutivo.
A observação participante constitui somente uma técnica de pesquisa qualitativa, mais especificamente um instrumento de coleta de dados, tal qual o diário de pesquisa e a história de vida.
A descrição densa é uma técnica de escrita utilizada para desvendar as estruturas inconscientes do pensamento humano.
O etnodesenvolvimento propõe que as comunidades sejam efetivamente gestoras de seu próprio desenvolvimento e que a elas seja garantido o direito de formar seus quadros técnicos (engenheiros, professores, advogados etc.) e de estruturar e gerir as unidades político-administrativas responsáveis pela gestão de seus territórios. O que diferencia o etnodesenvolvimento do denominado indigenismo participativo (que pode ser definido por uma política com os índios e não para os índios) é que no etnodesenvolvimento não se leva em conta somente a opinião e as aspirações dos indígenas, admitindo eventualmente sua participação. No etnodesenvolvimento, são os indígenas que devem tomar as rédeas de seu próprio destino histórico. Portanto, ele é uma alternativa tanto às teorias desenvolvimentistas e etnocidas — que por diferentes razões tomam as sociedades indígenas e as comunidades tradicionais como obstáculos ao desenvolvimento, à modernização e ao progresso — quanto às tendências indigenistas que, em muitos contextos se autoidentificam como indigenismo participativo.
Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema.
AS NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO E ETNODESENVOLVIMENTO NOS CONTEXTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS DO FAZER ANTROPOLÓGICO
Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:
A oposição entre natureza e cultura está na base do pensamento antropológico. Sem aceitar a premissa básica de que existe um domínio autônomo da cultura não é possível pensar antropologicamente.
Assinale a alternativa INCORRETA:
A antropologia estuda culturas diferentes, que guardam a característica comum de compartilharem do mesmo universo de experiências humanas.
Uma das distinções entre as ciências naturais e as ciências humanas é o fato de que, nas primeiras, o objeto não apresenta teorias sobre si, ao passo que, na segunda, lida-se com um conhecimento humano produzido, mesmo que diferente daquele proposto pelo pesquisador.
O pesquisador e o pesquisado, na antropologia, guardam entre si proximidade, o que torna difícil designar a antropologia como ciência.
A antropologia contemporânea considera a possibilidade de dialogar sua teoria sobre o nativo com o próprio nativo
A antropologia tem três esferas de interesse definidas: a antropologia biológica,a arqueologia e a etnologia.
Um dos pontos importantes das diretrizes traçadas por Malinowski é que o antropólogo aprenda a língua nativa dos povos estudados.
A tradição antropológica de estudos de rituais pode ser útil para compreender a dimensão simbólica da política em contextos nacionais contemporâneos.
Com relação ao método de pesquisa, conforme o Ensaio sobre a Dádiva, de Marcel Mauss, assinale a opção correta.
A teoria comparada, econômica ou não, pode prescindir do uso do método etnográfico.
O método comparativo de Marcel Mauss, em consonância com os antievolucionistas, exclui a dimensão histórica.
A história social é distinguida da sociologia teórica e das conclusões de moral e de prática política e econômica.
O estudo da circulação de riquezas por meio da dádiva oferece a base de comparação inicial entre diferentes sociedades.
A origem religiosa da noção de valor econômico é rejeitada por Marcel Mauss.
Na pesquisa em antropologia, segundo Cuche (2002),
o etnocentrismo é uma evidência de que não se pode escapar tanto na pesquisa quanto na teoria.
os culturalistas propuseram a pesquisa participante como uma maneira de superar o etnocentrismo na pesquisa.
a cisão entre sujeito e objeto na pesquisa torna os seus dados necessariamente produtos de um olhar colonizador.
o olhar etnocêntrico é essencial na realização da pesquisa etnográfica, pois a diferença entre pesquisados e pesquisador é irrevogável.
o etnocentrismo corresponde a uma necessidade histórica baseada nos elementos incontestáveis do evolucionismo cultural.
Consiste a se observar observando, a observar o observador em seu trabalho de observação ou de transcrição de suas observações, por um retorno sobre a experiência do campo, sobre a relação com os informantes.
O trecho acima se refere ao seguinte instrumental de pesquisa:
análise de redes sociais.
estudo de trajetórias.
objetivação participante.
grupo focal.
survey.
A observação participante permite conhecer não só o esqueleto da vida tribal, mas a carne e o sangue, por meio da vivência dos imponderáveis da vida cotidiana.
A noção de socialidade, proposta por Marilyn Strathern a partir de seus estudos na Melanésia, pretende superar a dicotomia indivíduo/sociedade por meio de uma escolha pelo individualismo metodológico.
O estudo comparativo de noções de tempo e espaço, caro à antropologia clássica, é de grande valia para se compreender processos contemporâneos ligados à globalização e às transformações do capitalismo.
O funcionalismo e o evolucionismo são propostas que privilegiam a pesquisa de campo, com convívio intenso e prolongado entre antropólogo e nativos, sendo essa a melhor maneira de superar o etnocentrismo. Malinowski e Frazer são os melhores exemplos dessa afirmação.
As sociedades empíricas com as quais o antropólogo moderno é confrontado não são sociedades atemporais, mas sociedades em plena mutação.