Questões de Concurso sobre Roberto DaMatta

 
 
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Leia o trecho abaixo, escrito em 1978 por Roberto da Matta, em “O ofício de etnólogo, ou como ter anthropological blues”:


“Por anthropological blues se quer cobrir e descobrir, de um modo mais sistemático, os aspectos interpretativos do ofício do etnólogo. Trata-se de incorporar no campo mesmo das rotinas oficiais, já legitimadas como parte do treinamento do antropólogo, aqueles aspectos extraordinários ou carismáticos, sempre prontos a emergir em todo relacionamento humano. De fato, só se tem antropologia social quando se tem de algum modo o exótico, e o exótico depende invariavelmente da distância social, e a distância social tem como componente a marginalidade (relativa ou absoluta), e a marginalidade se alimenta de um sentimento de segregação e a segregação implica estar só e tudo desemboca ̶ para comutar rapidamente essa longa cadeia ̶ na liminaridade e no estranhamento.”


Nesse texto, Roberto da Matta faz referência ao princípio de:


A

cultura;


B

objetividade;


C

subjetividade;


D

alteridade;


E

objetificação.

Segundo Roberto DaMatta, o uso da expressão “Quem você pensa que é?”, no Brasil, seria uma variação de “Você sabe com quem está falando?”. Segundo o autor, essa sentença expressa uma sociabilidade inerente a um sistema de crenças no qual pessoas se relacionam de forma hierárquica e desigual. Nos Estados Unidos, porém, a mesma expressão – “Who do you think you are?” – teria efeito oposto. Isso se verifica, segundo o antropólogo brasileiro, porque:


A

No Brasil, a pergunta é privilegiada nos planos interacionais, em função de que sua veiculação possui forte caráter inquisitivo. É considerado um traço agressivo, que deve ser utilizado quando queremos “derrubar alguém”.


B

No Brasil, quem usa a expressão é quem se acha superior. Nos Estados Unidos, quem se utiliza dela é aquele que é atingido pela pretensão autoritária.


C

No Brasil, a expressão reivindica a igualdade entre os atores, em termos discursivos, enquanto nos Estados Unidos ela sinaliza a existência de uma desigualdade econômica dissimulada.


D

Nos Estados Unidos, a identificação das identidades no espaço público é fundamental para iniciarse o relacionamento entre indivíduos; diferentemente, a interação entre pessoas, no Brasil, prescinde de tais identificações.


E

A expressão, nos Estados Unidos, busca cancelar o status inerente a uma sociedade de consumo; no Brasil, ela chama a atenção para a desigualdade fictícia em meio à precariedade material da sociedade brasileira, em comparação com o primeiro mundo.

O antropólogo Roberto da Matta, em sua tese, apresenta o famoso “jeitinho brasileiro” como uma prática cultural e social do Brasil e, ao mesmo tempo, salienta tal prática como negativa, como uma forma de fraudar regras e normativas no intuito de tirar vantagens. Antes de Roberto da Matta, Sérgio Buarque de Holanda conceituou essa prática como:


A

Parasitismo.


B

Insolidarismo.


C

Homem cordial.


D

Patrimonialismo.


E

Antirrepublicanismo.

Roberto Da Matta analisa a ‘casa e a rua’ como duas categorias sociológicas no sentido de Durkheim e Mauss, para refletir como a sociedade brasileira pensa seus espaços e suas relações sociais. Na concepção de Da Matta, qual o significado para a ‘casa e a rua’?


A

Estabelecer a casa como o espaço do lar, da proteção, do casamento e da harmonia, e a rua como o espaço do público, da individualidade e da liberdade.


B

Espaços marcados por simbolismo e construídos social e culturalmente.


C

Uma forma de representação geográfica estabelecida pelo indivíduo cujos papéis relacionados com a rua são possuídos pelo contraste da casa.


D

Espaço relacional no qual a cidadania é expressa no ambiente público.


E

Categorias que marcam o tempo em espaços hierarquizados.

Leia o seguinte trecho, de Roberto DaMatta (1987):

(...) o social (e cultural) é tudo aquilo que independe da natureza interna (genética ou quadro genético) ou externa (fatores ambientais, naturais). Ou seja, todos aqueles fatos que não podem ser razoavelmente resolvidos por estes fatores, sendo mais adequadamente tratados quando são estudados uns em relação aos outros. Se tal formulação não é definitiva, deixando em aberto muitos problemas, ela pelo menos tem a enorme vantagem de situar, à maneira de Durkheim, um campo (ou um objeto) dentro do qual podemos trabalhar com essa realidade que estamos tomando como sociológico e que é nosso alvo deslindar.

Nesse trecho, o autor defende


A

o determinismo geográfico, segundo o qual as culturas refletem as condições externas do meio natural.


B

o etnocentrismo, que busca compreender a cultura dos outros com referência aos valores e ideias da cultura de origem do investigador.


C

o determinismo biológico, que busca explicações para comportamentos e valores na natureza dos indivíduos, entendida como sua raça ou suas heranças genéticas.


D

relativismo cultural, segundo o qual as culturas humanas só podem ser compreendidas em relação a si mesmas.


E

a perspectiva relacional, que busca estabelecer uma demarcação entre os fatores social e biológico estudando a relação dos seres humanos com a natureza.

Em sua obra, Roberto DaMatta (1987) afirma que [...] nas ciências sociais trabalhamos com fenômenos que estão bem perto de nós, pois pretendemos estudar eventos humanos, fatos que nos pertencem integralmente. [...] Quando eu estudo baleias, estudo algo radicalmente diferente de mim. Algo que posso perceber como distante e com quem estabeleço facilmente uma relação de "objetividade".

Nesse trecho, o autor


A

busca mostrar que, atualmente, a fronteira entre as ciências sociais e naturais já não é tão grande como antes.


B

afirma que nas ciências sociais, embora se busque a perspectiva do estranhamento na análise, a relação entre investigador e sujeito investigado é mais complexa, pois ambos partilham experiências humanas.


C

defende que a etnologia, por se encontrar na interface entre a biologia e a psicologia, deve fazer estudos comparativos entre o comportamento de animais e seres humanos.


D

afirma que o antropólogo deve se distanciar de sua realidade cotidiana, estudando povos distantes de sua própria cultura.


E

sustenta que a antropologia, ao estudar as culturas humanas, pode atingir o mesmo tipo de objetividade das ciências naturais.

Roberto DaMatta (1987) comenta que se pode [...] ver uma sociedade de formigas em funcionamento. Mas formigas não produzem obras de arte que marquem diferenças entre formigueiros específicos. Em outras palavras, embora a ação das formigas modifique o ambiente − sabemos que elas são, em muitos casos, uma praga − esse ambiente é modificado sempre do mesmo modo e com o uso das mesmas matérias químicas, caso se trate de uma mesma espécie de formigas.

Com esse exemplo, o antropólogo afirma que


A

é possível falar em sociedade de formigas (e de outros animais sociais), mas não de cultura em qualquer sociedade que não seja humana.


B

não se pode falar de sociedade nem de cultura entre animais, pois estes não constroem qualquer tipo de relação baseada na coletividade.


C

é possível falar em culturas entre as formigas, embora estas sejam mais estáticas que as culturas humanas.


D

não se pode falar em cultura entre as formigas, mas sim entre alguns animais que possuem a capacidade de construir relações simbólicas e estéticas.


E

não é possível falar em cultura entre os animais, pois estes não apresentam qualquer divisão de trabalho, sexo e idade.

A respeito da cultura e da identidade brasileiras, julgue os itens a seguir.

I O fato de o Brasil ter sido colonizado por Portugal deixou marcas profundas na mentalidade e na cultura nacionais, que inviabilizam uma assimilação das normas e valores das instituições sociais, em vista de uma excelência, como ocorre em países como a Inglaterra, os Estados Unidos e outros.

II O fato de o Brasil ter sido colonizado por Portugal não deixou marcas na mentalidade e na cultura nacionais.

III O autor questiona uma visão elitista e preconceituosa das elites, que inferioriza a cultura brasileira.

IV O futebol revelou os brasileiros fortes e excepcionais, elegantes e corajosos, virtuosos e campeões, porque veio de uma outra cultura diferente da brasileira, que é disciplinada e organizada.

A quantidade de itens certos é igual a


A

0.


B

1.


C

2.


D

3.


E

4.

Considerando os textos V e VI, assinale a alternativa correta.


A

O espaço público é recriado pelos motoristas de modo a endossar perspectivas igualitárias, já que todos podem realizar o que tiverem necessidade.


B

Como hoje o telefone celular já se popularizou, o problema apresentado no final da entrevista de Damatta, com relação ao uso do telefone público, já foi dirimido.


C

Ver a imprudência e a violência como um sintoma e uma reação, para Damatta, significa criminalizar ou psicologizar o trânsito.


D

A igualdade no Brasil, segundo Damatta, é um traço formal, já que, na prática das relações sociais, faz-se uso de perspectivas aristocráticas e hierárquicas.


E

Do furar a fila a arrumar emprego para amigos e parentes, quando se comanda o serviço público, são exemplos de que há uma forte preocupação com o outro na cultura brasileira, o que favorece a aplicação da Lei, já que ela tem caráter universal, deve valer para todos.

Assinale a alternativa correta, com base nos textos V e VI.


A

O Estado é visto pelos motoristas como um atrapalhador do seu ir e vir e, quando Damatta propõe politizar a questão, ele deixa no ar a sugestão de que há, no povo brasileiro, um zelo pelo espaço público.


B

A frase “Foi sem querer, eu não vi você”, no texto V, revela um modo de internalização das leis que possui uma dimensão de respeito ao outro, independentemente da presença da autoridade.


C

O guarda de trânsito representa um braço do Estado que, ao aplicar a multa no infrator, colabora para uma obediência das regras do trânsito no espaço público.


D

A frase “O coronel quer falar com você no telefone”, no texto V, revela um modo de internalização das leis que traduz respeito à hierarquia, ainda que na ausência da autoridade superior; contribui, assim, tal fato para a obediência às regras do trânsito no espaço público.


E

Conforme Damatta, há no Brasil, geralmente, coerência entre a regra jurídica e as práticas da vida diária.

Com relação às informações do texto VII, é correto afirmar que,


A

na cultura brasileira, sendo o futebol uma paixão nacional, este esporte endossa a visão da elite de que tudo o que vem de fora é melhor, pois o futebol é de origem inglesa.


B

para Damatta, o futebol tende a alienar os brasileiros, da mesma forma que o gosto dos franceses pela literatura os aliena.


C

no Brasil, há uma relação entre o futebol e a mentalidade colonialista: o futebol ratifica essa mentalidade.


D

para o autor, tudo o que vem de fora não é assimilado adequadamente pela cultura brasileira, pois nós temos um problema de autoestima, de inferioridade.


E

embora haja uma fascinação pelo estrangeiro na cultura brasileira, o povo brasileiro também engloba essa fascinação e a assimila à brasileira, e o futebol é um exemplo cabal desse fato.

Segundo DaMatta (1981), o social pode ser


A

explicado tanto por fatores externos (ambiente não humano) quanto por fatores hereditários.


B

analisado, interpretado e explicado somente pelas categorias presentes em seu próprio termo.


C

explicado pelos eventos determinantes da natureza em relação ao homem.


D

explicado pela diferenciação existente entre grupos humanos a partir de um mesmo medo comum da natureza.


E

analisado a partir de estruturas pré-determinadas, relacionadas a respostas que os seres biológicos dão a eventos externos.

O trabalho de campo ou pesquisa de campo reveste-se de grande importância para o trabalho do Antropólogo constituindo o Laboratório do Antropólogo Social, uma vez que é a partir deste modo característico de coleta de dados que o antropólogo elabora sua reflexão e análise. Para Roberto Da Matta, o trabalho de campo pode ser comparado aos rituais de passagem definindo-se por três momentos:

A
ingresso do iniciando em uma biblioteca; sistematização do conhecimento apreendido; elaboração de listas classificatórias.

B
viagem do iniciando a uma outra sociedade; trocas e intercâmbios com intelectuais locais; elaboração de diário de campo.

C
pesquisa do iniciando junto aos xamãs; trocas e intercâmbios; elaboração de planilhas.

D
saída do iniciando de sua própria sociedade; isolamento do iniciando num universo marginal; retorno do iniciando à sua sociedade com uma nova perspectiva.

E
Mudança de identidade do iniciando; pesquisa do iniciando junto aos xamãs; elaboração de mapas sobre o sistema de parentesco tribal.
De acordo com Roberto DaMatta, o entendimento da sociedade brasileira passa pela forma que interpretamos dois importantes espaços sociais; o mundo da casa e o da rua. A respeito da sociabilidade que se produz dentro destes diferenciados mundos, assinale a alternativa INCORRETA:

A
A casa é o espaço da intimidade onde há ideia de um destino em conjunto e de objetos, relações, valores (as chamadas “tradições de família”) que todos do grupo sabem que importa resguardar e preservar.

B
A casa não se trata apenas de um lugar físico, mas de um lugar moral: esfera onde nos realizamos através do trabalho.

C
A rua é o lugar do movimento, onde temos apenas grupos desarticulados de indivíduos, a massa humana que povoa as nossas cidades e que remete sempre à exploração e a uma concepção de cidadania e de trabalho que é nitidamente negativa.

D
Na rua, então, o tempo corre, voa e passa. Muito mais que no lar, onde ele está suspenso entre as relações prazerosas e amorosas de todos com todos.

E
O fato é que não temos a glorificação do trabalhador, nem as ideias de que a rua e o trabalho, são locais onde se pode honestamente enriquecer e ganhar dignidade.

Para Roberto Da Matta, a pergunta deve ser evitada no Brasil. Isso pode ser explicado porque, segundo o autor, a pergunta


A

está ligada a um processamento jurídico denominado inquérito, sempre acionado quando há suspeita de pecado ou de crime.


B

denota um interesse, podendo ser considerado negativo, dependendo de quem seja o interlocutor.


C

está vinculada ao procedimento jurídico denominado inquérito, sempre acusatorial.


D

supõe a possibilidade de questionamento a respeito da justiça social no Brasil, o que não condiz com os princípios hierárquicos que caracterizam a sociedade brasileira.


E

expõe os hipossufientes a uma situação socialmente vexatória ampliando a desigualdade social existente na sociedade brasileira.

No Brasil, como nos Estados Unidos da América, na França e na Inglaterra, as regras ou são obedecidas ou não existem.


C
Certo

E
Errado

A identidade brasileira se constrói duplamente: por meio dos dados quantitativos, em que os brasileiros são sempre uma coletividade que deixa a desejar; e por meio de dados sensíveis e qualitativos, em que os brasileiros podem ver a eles mesmos como algo que vale a pena.


C
Certo

E
Errado

Nas festas da ordem, se celebra a própria ordem social, com suas diferenças e gradações, seus poderes e hierarquias.


C
Certo

E
Errado

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Nos textos, os autores se referem a uma prática social que distorce a realidade. Essa prática denomina-se


A

constrangimento moral.


B

pensamento liberal.


C

discurso autoritário.


D

prática conservadora.


E

dominação ideológica.

 
 
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