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Leia o trecho a seguir.
A tarefa da antropologia do mundo moderno consiste em descrever da mesma maneira como se organizam todos os ramos de nosso governo, aí compreendidos aqueles da natureza e das ciências exatas, e também em explicar como e por que esses ramos se separam, assim como os múltiplos arranjos que os reúnem. O etnólogo de nosso mundo deve colocar-se no ponto comum onde se dividem os papéis, as ações, as competências que irão enfim permitir definir certa entidade como animal ou material, uma outra como sujeito de direito, outra como sendo dotada de consciência, ou maquinal, e outra ainda como inconsciente ou incapaz.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. São Paulo: Editora 34, 2019.
O trecho acima apresenta uma característica fundamental de abordagem da antropologia simétrica.
A separação entre natureza e sociedade como pressuposto central da análise antropológica rigorosa.
A investigação dos fenômenos sociais como dimensão autônoma relativamente à ciência e à tecnologia.
A aplicação de ferramentas antropológicas para investigar as categorias que dão base à própria antropologia.
A interpretação dos vários níveis pelos quais se opera a passagem entre natureza e cultura no ocidente.
A análise de como a agência humana produz categorias conceituais capazes de explicar eficazmente o seu mundo.
No trecho a seguir, a autora levanta a questão da unidade e da diversidade na atividade da militância negra.
Só que nesse movimento, cuja especificidade é o significante negro, existem divergências, mais ou menos fundas, quanto ao modo de articulação dessa especificidade. Deve o negro assimilar tudo que é eurobranco? Ou só transar o que é afronegro? Ou somas os dois? (...) Os diferentes tipos de resposta a essas questões, e a muitas outras, acabam por remeter a gente a falar de movimentos negros... no Movimento Negro.
GONZÁLEZ, Lélia. Movimento ou movimentos negros? In: Lugar de negro. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1982.
Assinale a opção que descreve corretamente a posição exposta no trecho acima.
A autêntica militância recusa as perspectivas exclusivistas, favorecendo uma articulação culturalmente aberta.
A diversidade interna do movimento negro é reflexo direto dos processos históricos de mestiçagem no Brasil.
Os impasses conceituais dentro do movimento negro configuram obstáculos estruturais à sua atuação.
A noção de um movimento negro singular é uma construção retórica, sem esteio na sua pluralidade real.
A unidade do movimento negro se configura na própria tensão da pluralidade, e não na uniformidade ideológica.
O que apontam os estudos etmológicos sobre as Ritxoko, bonecas de barro Iny-Karajá?
Organização de atividades cujo vocabulário é estritamente feminino, não tendo termo masculino de referência.
Identificação de terminologias que podem variar por conta de inflexões de gênero, havendo mais de um termo para se referir a dado objeto.
Registro de vocabulário estritamente masculino, mas que passa a ser praticado pelas mulheres.
Apresentação de vocabulário de uso restrito da geração mais velha, não tendo termo masculino de referência.
Nas últimas décadas, vem se desenvolvendo investimentos de pesquisa que recuperam as condições de produção de coleções etnográficas e das ciências naturais juntando esforços das áreas da antropologia, da história e da museologia. Tais investimentos contribuem para o desenvolvimento de histórias da ciência e servem como instrumentos de críticas e demandas populares e étnicas por revisão de políticas de representação, acessibilidade e restituição. Do ponto de vista da diversidade de disciplinas articuladas em museus, a atenção às práticas de colecionamento contribui para
a qualificação de coleções, sem abertura para novos diálogos disciplinares.
a abertura e novos diálogos disciplinares e com movimentos sociais, mas sem a qualificação de coleções.
a qualificação de coleções, a abertura para novos diálogos disciplinares, com movimentos sociais, e o desenvolvimento de cidadanias científicas.
o desenvolvimento de cidadanias científicas atentas aos dilemas das sociedades contemporâneas.
Arquivos audiovisuais fazem parte do conjunto de artefatos que povoam museus e centros culturais e de investigação e conservação. Apesar de serem classificadas como “coleções etnográficas”, suas materialidades distintas e variadas colocam outras questões e dilemas de colecionamento, difusão e salvaguarda. Diante disso, a antropologia dedicada ao cotidiano museal deve atentar para o modo sobre como coleções fonográficas e fílmicas foram geradas de forma a poder
pagar por direitos autorais no momento de sua exibição pública.
tratar de questões de restituição e direitos autorais.
estabelecer critérios para condições de exibição e de guarda.
avaliar suas condições de exibição, guarda e restituição.


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Atualmente, diversos autores e autoras, situados tanto nos centros quanto nas periferias da produção da geopolítica do conhecimento, questionam o universalismo etnocêntrico, o eurocentrismo teórico, o nacionalismo metodológico, o positivismo epistemológico e o neoliberalismo científico contidos no mainstream das ciências sociais. Essa busca tem informado um conjunto de elaborações denominadas Teorias e Epistemologias do Sul (Santos e Meneses, 2010; Connell, 2007), as quais procuram valorizar e descobrir perspectivas trans-modernas, no sentido de Dussel, para a decolonização das ciências sociais” (BALLESTRIN, 2013, p. 109).
BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política. n. 11, pp. 89-117, 2013, com adaptações.
Assinale a alternativa correta acerca do pensamento decolonial.
O pensamento decolonial está associado ao saber genuinamente criado no sul, negando o conhecimento produzido no norte global para libertar-se da colonização do saber.
O movimento intelectual denominado decolonial ou descolonial, visa a desafiar e romper com a histórica imposição do saber do norte global sobre o sul global.
O pensamento decolonial visa à descolonização do saber, buscando a emancipação total do norte global apagando todos os resquícios da colonização.
O pensamento decolonial parte do pressuposto que o colonialismo ficou para trás, e é necessário avançar em direção à modernização.
O pensamento decolonial visa a romper com a reprodução de relações de colonialidade do saber. Não deve ser entendido como uma negação da produção intelectual do norte global, mas um movimento epistemológico de contraponto e resposta à tendência histórica de colocar o sul global como fornecedor de experiências, enquanto o norte global de teorias que explicam essas experiências.
Antropologicamente, o conceito de etnocentrismo está ligado à valorização única de uma cultura. Esse conceito está relacionado ao:
Darwinismo.
Marxismo.
Estruturalismo.
Evolucionismo.
Historicismo.
Considere que: [...] uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos, os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc. Perguntar sobre o que é _____ é, pois, indagar sobre um fenômeno onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais quanto elementos emocionais e afetivos (ROCHA, 2002). O trecho cita um conceito muito estudado nas Ciências Sociais. Assinale a alternativa correta que corresponda ao conceito.
Multiculturalismo
Etnocentrismo
Relativismo cultural
Diversidade cultural
No Brasil, em 2019, o Supremo Tribunal Superior passou a considerar crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Isto porque os atos perpetrados contra os segmentos LGBT, isto é, aqueles motivados pela orientação sexual do outro, passam pela violência psicológica – humilhações, chacotas e risadas em relação aos jeitos de andar, de falar ou de vestir –, pela violação dos direitos humanos fundamentais, como a liberdade de expressão e a não discriminação, e pela violência física, com ações como tortura, espancamento e até morte. Os movimentos sociais LGBT reivindicam a temática da diversidade sexual nas escolas com vistas a promover prioritariamente:
a imposição de identidades e normas de comportamentos sexuais contrárias à natureza, que é heterossexual
a ruptura com a visão teológica de sexo e sexualidade, visto que o estado é laico e somente deve fomentar discussões no âmbito da sexualidade humana a partir da ciência biológica
a ruptura com a visão essencialista do sexo, com a norma heterossexual e falocêntrica, pela afirmação da diversidade de identidades e orientações sexuais e a reivindicação do direito à diferença
o controle do desenvolvimento natural das crianças e adolescentes, interferindo nas suas concepções de sexo e sexualidade
Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas. Por exemplo, a floresta amazônica não passa para o antropólogo, desprovido de um razoável conhecimento de botânica, de um amontoado confuso de árvores e arbustos, dos mais diversos tamanhos e com uma imensa variedade de tonalidades verdes. A visão que um índio Tupi tem deste mesmo cenário é totalmente diversa: cada um desses vegetais tem um significado qualitativo e uma referência espacial (LARAIA, 1988).
A partir do trecho descrito anteriormente, analise as afirmativas abaixo.
I. Nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade.
II. O modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são assim produtos de uma herança genética, ou seja, o resultado da interação de determinados genes que produzem no indivíduo os costumes de uma determinada cultura.
III. O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal, sendo comum, a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única expressão.
Assinale a alternativa correta.
Apenas as afirmativas I e II estão corretas
As afirmativas I, II e III estão corretas
Apenas as afirmativas I e III estão corretas
Apenas as afirmativas II e III estão corretas


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A partir dos anos 2000, diversas ações afirmativas foram implementadas, como a reserva de vagas para negros, indígenas e pessoas com deficiências para ingresso em universidades e concursos públicos. Essas ações são fruto da confluência de pressões externas, das universidades, do governo e das reivindicações dos movimentos sociais. No que tange às ações afirmativas raciais, estas visam:
a correção das desigualdades raciais, combate ao racismo e a promoção da igualdade de oportunidades frente aos privilégios historicamente concebidos à população branca
o acirramento das desigualdades raciais, visto que passam a conceder privilégios à população negra em detrimento da população branca
a instituição da meritocracia racial, visto que negros e brancos estarão disputando em situação de igualdade
a manutenção da sociedade brasileira integrada e em harmonia, visto que passam a atender às demandas da população negra
Em resumo, Laraia tenta nos mostrar que:
o etnocentrismo é um conceito amplamente difundido nas ciências humanas, mas incapaz de explicar de forma pormenorizada a construção das identidades nacionais, das práticas culturais e as relações formadas pelo “estranhamento” do contato entre diferentes grupos sociais. Afinal, quem dispõe dos instrumentos de análise pode escolher, conforme seus critérios próprios, como catalogar o outro.
a cultura tem um papel fundamental na elaboração de visões de mundo, e que o problema maior em considerar o etnocentrismo está no fato de que esse conceito não possui uma perspectiva cultural, mas apenas política, muito embora o autor não deixe claro essa contradição, já que ele próprio é etnocêntrico
um dos pontos centrais que define o etnocentrismo, conceito amplamente difundido nos estudos antropológicos, é compreender como determinadas práticas culturais constituídas pelo “estranhamento” se tornam elementos fundamentais na construção das identidades de grupo, comunitárias, societárias e nacionais. Identidades que, por sua vez, estruturamse por distinção, em que o observador assume para si e seu grupo a centralidade cognitiva.
para entendermos o real significado do etnocentrismo nas culturas ocidentais, será necessário pressupor que a dicotomia entre o “nós e os outros” é um aspecto que deve ser superado por todos que desejam construir uma visão genuinamente etnocêntrica.
não há problema em observar, agir e interagir a partir da seus próprios referenciais culturais. O conceito de etnocentrismo possui certa legitimidade, pois resguarda na centralidade cultural aquilo que uma raça tem de mais puro quando confrontada com outra.
O conceito de “multiculturalismo conservador” contém os seguintes aspectos: admite a existência de outras culturas como inferiores; não percebe a cultura eurocêntrica como étnica; e percebe a cultura eurocêntrica como universal.
Etnocentrismo e relativismo cultural são conceitos antagônicos no que se refere à valorização de outras culturas.
Os grupos étnicos caracterizam-se pelo fato de seus integrantes possuírem o sentimento étnico, compartilharem a língua falada no domicílio e a localização geográfica, residirem no mesmo território e partilharem da mesma cultura e tradições culturais.


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O etnocentrismo consiste no mecanismo primário utilizado na avaliação da cultura dos povos sem escrita que foi substituído pelo pensamento científico nas culturas letradas.
O etnocentrismo, como um mecanismo próprio da cultura, não estabelece relação com os processos de integração social e de ajustamento do indivíduo à sociedade.

O conceito de relativismo é uma das alternativas conceituais elaboradas pelas teorias antropológicas à ideia de etnocentrismo.
O etnodesenvolvimento propõe que as comunidades sejam efetivamente gestoras de seu próprio desenvolvimento e que a elas seja garantido o direito de formar seus quadros técnicos (engenheiros, professores, advogados etc.) e de estruturar e gerir as unidades político-administrativas responsáveis pela gestão de seus territórios. O que diferencia o etnodesenvolvimento do denominado indigenismo participativo (que pode ser definido por uma política com os índios e não para os índios) é que no etnodesenvolvimento não se leva em conta somente a opinião e as aspirações dos indígenas, admitindo eventualmente sua participação. No etnodesenvolvimento, são os indígenas que devem tomar as rédeas de seu próprio destino histórico. Portanto, ele é uma alternativa tanto às teorias desenvolvimentistas e etnocidas — que por diferentes razões tomam as sociedades indígenas e as comunidades tradicionais como obstáculos ao desenvolvimento, à modernização e ao progresso — quanto às tendências indigenistas que, em muitos contextos se autoidentificam como indigenismo participativo.
Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema.
AS NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO E ETNODESENVOLVIMENTO NOS CONTEXTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS DO FAZER ANTROPOLÓGICO
Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: