Questões de Concurso sobre Etnocentrismo e relativismo cultural

 
 
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“O multiculturalismo ___________________ compreende a representação de etnia, classe e gênero como o resultado de lutas sociais mais amplas sobre signos e significações. Nessa perspectiva, os indivíduos produzem, renovam e reproduzem os significados em um contexto constantemente configurado e reconfigurado pelo poder. Esta reprodução cultural engloba o modo pelo qual o poder, sob a variedade de formas que assume, ajuda a construir a experiência coletiva atuando favoravelmente à supremacia branca, ao patriarcado, ao elitismo de classe e a outras forças dominantes” (Neira, 2008).


Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.


A

conservador (ou monoculturalismo)


B

liberal


C

pluralista


D

crítico


E

essencialista de esquerda

Com base em pesquisas antropológicas com juventudes, advindas de instrumentos etnográficos de produção de dados, podemos dizer que


A

o diário de campo é um instrumento de produção de dados, utilizado por antropólogos para sistematizar dados advindos de uma experiência etnográfica. Dessa forma, em uma pesquisa antropológica com juventudes contemporâneas, o uso de diário de campo é importante.


B

a produção de fotografias no trabalho de campo é uma experiência recente na tradição das pesquisas etnográficas. Assim sendo, em uma pesquisa antropológica com jovens de classe popular, o uso de fotografias é algo novo.


C

as entrevistas estruturadas, nas quais há um roteiro a ser seguido rigidamente, são uma marca de atuação do antropólogo contemporâneo. Portanto, ao pesquisar juventudes imigrantes, por exemplo, o antropólogo deve preparar antecipadamente um roteiro com perguntas fixas.


D

a pesquisa documental em acervos familiares não pode ser utilizada em trabalhos antropológicos, visto que a historiografia é a grande responsável pelo desenvolvimento dessa ferramenta. Posto isso, uma investigação com juventudes quilombolas em arquivos familiares configura uma estratégia limitada.

Na análise sociológica da etnicidade, é possível compreender esse conceito como a consciência de pertencimento a um determinado grupo social, caracterizado por práticas culturais e históricas específicas que se constroem ao longo do tempo. Diferentemente da “raça”, que tende a evocar uma distinção biológica e essencialista, a etnicidade refere-se a elementos socioculturais que surgem das interações entre grupos humanos, influenciados por dinâmicas de poder, cultura e história. Em vista disso, assinale a opção correta.


A

A etnicidade é uma categoria de análise que só se aplica a grupos que vivem em contextos de forte homogeneidade cultural e biológica, sendo irrelevante para sociedades marcadas por intensas interações e trocas culturais entre diferentes comunidades étnicas.


B

Etnicidade e etnia são conceitos que se sobrepõem, sendo definidos exclusivamente por traços físicos e genéticos imutáveis, os quais determinam a identidade coletiva e as práticas socioculturais de um grupo, sem considerar as transformações históricas e socioculturais ao longo do tempo.


C

O conceito de etnicidade é irrelevante para a compreensão da identidade coletiva de um grupo social, pois a construção das identidades é unicamente determinada por fatores biológicos, com as práticas culturais e sociais não possuindo nenhum papel significativo.


D

A etnicidade pode ser reduzida a uma identificação rígida e imutável baseada na biologia dos indivíduos, onde as práticas culturais e as interações sociais não exercem influência sobre a formação da identidade coletiva de um grupo.


E

A etnicidade envolve a construção dinâmica de identidades coletivas, que se formam e se transformam por meio de práticas socioculturais, históricas e políticas, sendo fundamentalmente influenciada pelas interações sociais e pelo contexto histórico, e não por características biológicas imutáveis.

No primeiro dia, foi colocada uma panela de barro no centro do barracão, a qual representava o espírito do morto presente na sala. Aqueles que dançavam depositavam moedas ao passarem junto dela e, ao seu redor, milho branco, mel, água, acaçás, cachaça. No segundo dia, os ogãs, antes de iniciar a cerimônia, caminharam pelo corredor formado pelas casas, batendo com longas varas de bambus nos seus beirais, até alcançarem o portão de entrada. No terceiro dia, quatro pessoas, as mais influentes do culto, carregaram um lençol, que aparentemente continha um corpo em seu interior. No entanto, esse corpo era formado por folhas verdes de plantas, que foram derramadas sobre uma pessoa.


MANZOCHI, H. M. Axexe, um rito de passagem. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, n. 5, 1995 (adaptado).


O ritual brasileiro apresentado no texto representa, para seus adeptos, a


A

manutenção de uma memória coletiva.


B

contestação de uma identidade étnica.


C

imolação de uma divindade africana.


D

legitimação de uma prática pagã.


E

promissão de uma revolta social.

Raymond Williams reconstituiu algo da complexa história da palavra cultura, partindo das suas raízes etimológicas no trabalho rural, a palavra começa por significar algo como civilidade tornando-se, no século XVIII, mais ou menos sinônimo de civilização, na acepção de um processo geral de progresso intelectual, espiritual e material. A própria palavra sugere uma dúbia correlação entre boas maneiras e comportamento ético. Enquanto sinônimo de civilização, cultura fez parte do espírito geral do Iluminismo, com o seu culto do autodesenvolvimento progressivo e secular. Civilização era, em boa parte, uma noção francesa e designava simultaneamente o processo gradual de autoaperfeiçoamento e o utópico telos para o qual se dirigia. Porém, enquanto a palavra francesa civilização incluía normalmente a vida política, técnica e social, a palavra cultura, de origem em outro território, tinha uma conotação mais estreitamente religiosa, artística e intelectual. Também podia designar o refinamento intelectual de um grupo ou de um indivíduo, e não tanto da sociedade como um todo. Civilização minimizava diferenças nacionais, ao passo que cultura as realçava.

(Williams, 2007. Adaptado)

Segundo Williams (2007), a tensão entre as noções de cultura e civilização devia-se em grande parte à rivalidade entre a França e


A

Inglaterra.


B

Portugal.


C

Alemanha.


D

Espanha.


E

Itália.

A compreensão da etnografia é central para James Clifford, para quem a etnografia não deve representar “outros” abstratos e a-históricos. Para o autor, o desenvolvimento da ciência etnográfica não pode ser compreendido longe de um debate político-epistemológico geral sobre a escrita e a representação da alteridade.

Assinale entre as opções abaixo a que contempla o conceito de etnografia para o autor:


A

Trata-se de uma experiência e uma interpretação de uma outra realidade circunscrita.


B

O modelo de etnografia deve trazer para o centro da cena a subjetividade de quem fala, acompanhado da interpretação do antropólogo e do contexto.


C

A etnografia seria uma negociação construtiva envolvendo pelo menos dois ou mais sujeitos conscientes e politicamente significativos, em que ganha força o paradigma discursivo dialógico.


D

As palavras na etnografia devem ser pensadas como legítima declaração ou interpretação de uma realidade abstraída e textualizada.


E

Em determinados momentos, a etnografia precisa tornar-se um espaço repleto de personagens inventados, tal qual um romance, os quais vão compor a heteroglossia do texto.

Claude Lévi-Strauss, em suas reflexões sobre Etnociência, sugere uma distinção entre ciência ocidental e conhecimento indígena. De acordo com ele, qual é uma implicação crítica dessa distinção para a epistemologia moderna?


A

O conhecimento indígena é essencialmente místico, sem contribuições significativas para o desenvolvimento científico.


B

A ciência ocidental e o conhecimento indígena operam com os mesmos fundamentos lógicos, sendo apenas diferentes formas de expressar as mesmas verdades universais.


C

A integração do conhecimento indígena na ciência moderna é inviável, pois esses sistemas carecem de rigor e formalização suficientes para serem considerados ciência.


D

O conhecimento indígena é válido apenas no contexto de suas próprias práticas culturais, mas não pode ser aplicado em áreas mais amplas do conhecimento científico.


E

A separação entre ciência ocidental e conhecimento indígena reflete um viés eurocêntrico que desvaloriza sistemas de conhecimento alternativos, levando à exclusão e marginalização desses saberes no discurso científico.

Resumamos os principais caracteres de um rizoma: diferentemente das árvores ou de suas raízes, o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza. Contra os sistemas centrados (e mesmo policentrados), de comunicação hierárquica e ligações preestabelecidas, o rizoma é um sistema a-centrado não hierárquico e não significante, sem general, sem memória organizadora ou autômato central, unicamente definido por uma circulação de estados.


DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs. São Paulo: Editora 34, 1995 (adaptado).


Qual elemento da cultura contemporânea se relaciona às características do conceito de rizoma, conforme descrito no texto?


A

Estrutura fixa.


B

Lógica binária.


C

Controle homogêneo.


D

Uniformidade de opiniões.


E

Pluralidade de interações.

Conceito que designa um processo de afastamento e privação de determinados indivíduos ou de grupos sociais em diversos âmbitos da estrutura da sociedade. Especificamente, as minorias étnicas e culturais sofrem, no Brasil, de forma histórica. A descrição se reporta à definição de exclusão


A

etária.


B

patológica.


C

cultural e étnica.


D

comportamental.

Etnologia é uma ciência social, que estuda de modo cotejado e analítico as características sociais e culturais dos grupos humanos. Neste sentido, qual dos seguintes aspectos melhor define a disciplina etnológica?


A

O estudo de grupos étnicos majoritários em uma região específica, no qual tende-se a priorizar manifestações culturais ligadas às danças rituais.


B

A análise das manifestações culturais visíveis, dispensando aspectos simbólicos, principalmente os sepultamentos secundários.


C

A abordagem centrada em sociedades industrializadas que tendem a demonstrar mapas mentais centralizados.


D

A compreensão das diferenças culturais através da observação participante e análise comparativa.


E

A ênfase na homogeneidade cultural das comunidades estudadas.

“A chuva e o frio parecem não terminar nunca. Fica perto das beiradas do nível terrestre, e os seres subterrâneos da noite e do caos, Titiri e Xiwãripo, não devem estar longe”.


É correto dizer que tal descrição refere-se


A

à floresta após sua destruição pelos brancos.


B

a cidades vistas em sonhos.


C

à terra dos brancos.


D

a cidades do centro da abóbada celeste.


E

ao mundo dos mortos.

Entre o povo Bororo, que vive no estado de Mato Grosso, um homem deve mudar para a residência da esposa ao se casar. No entanto, ele continua pertencendo à sua linhagem, que é sempre matrilinear (ou seja, o pertencimento de cada indivíduo é definido pela linhagem de sua mãe). Em cada casa, portanto, há cerca de três famílias nucleares, de diferentes linhagens e clãs. As metades [da aldeia] eram exógamas, ou seja, os cônjuges tinham de ser escolhidos sempre na metade oposta; além disso, havia relações de casamento preferenciais entre determinados clãs. Pertencer às metades, aos clãs e aos subclãs era uma herança materna. Os homens de todos os clãs, no entanto, passavam boa parte de sua vida na casa dos homens comuns, na qual a tradição era cultivada e também os privilégios dos clãs eram expressados materialmente. Os clãs, entre os quais havia ricos e pobres, eram, na verdade, os proprietários de mitos a partir dos quais eram deduzidos os direitos a determinadas cerimônias, tarefas sociais e nomes próprios, mas também a forma de objetos de uso cotidiano. Através da antropologia, muitos mistérios e conhecimentos sobre variados povos são, de uma certa forma, desmistificados. A etnografia é o método criado pela antropologia para descrever de modo sistemático e detalhado o cotidiano de um grupo social com base no ponto de vista de seus membros. Nesse caso, o etnógrafo:


A

Filtra as informações sobre determinada cultura (estruturas, linguagem, regras matrimoniais etc.) para impedir julgamentos estereotipados e etnocêntricos.


B

Precisa fazer uma imersão no cotidiano da população pesquisada para entendê-la “por dentro” e, então, poder adequá-la ao viés do seu conhecimento científico.


C

Faz, entre outras coisas, o que é considerado por muitos teóricos, parte da análise etnológica, muito importante para a compreensão da realidade em questão.


D

Preconiza que cada manifestação cultural deve ser respeitada a partir da lógica do povo estudado, mas condicionada a intervenções corretivas, caso necessário.


E

Tem que ser necessariamente um antropólogo catedrático, uma vez que o método é específico da pesquisa de campo antropológica, e não pode ser usado em outras ciências.

Ano: 2023
Prova: FUNDATEC - IFC - Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico - Área: Sociologia - 2023

Segundo Stuart Hall (2005), o processo de formação de identidades na pós-modernidade se difere de outros períodos da humanidade. Essas novas formas de produção de identidades culturais não são simplesmente uma mistura ou soma de elementos culturais pré-existentes, mas algo novo, diferente. Qual conceito o autor mobiliza para denominar esse fenômeno?


A

Simbolismo cultural.


B

Paralelismo cultural.


C

Desvio cultural.


D

Conflito cultural.


E

Hibridismo cultural.

O francês Claude Lévi-Strauss desenvolveu, a partir do estudo etnológico de grupos indígenas ameríndios, o conceito de uma antropologia estruturalista, baseado na significância das ligações parentais estabelecidas por estes grupos. Assinale a alternativa correta de acordo com Lévi-Strauss.


A

O pensamento científico e o pensamento abstrato possuem formas antagônicas de conceituar e classificar a realidade


B

O “pensamento primitivo” não possui ferramental estrutural para abstrair a realidade em processos classificatórios


C

O “pensamento primitivo” é capaz de ser abstrato na medida de sua necessidade e de suas características culturais


D

A ciência moderna elabora, unicamente na medida de sua utilidade, os pensamentos abstratos que servem de esteio ao pensamento científico


E

O pensamento primitivo somente elabora conceitos abstratos na medida que se tornem úteis nas atividades ligadas a suas necessidades cotidianas

Everardo Rocha, antropólogo e professor do departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e um grande estudioso brasileiro do etnocentrismo, afirma que o “etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade etc.”. O etnocentrismo pode se apresentar de diferentes formas e maneiras e em vários contextos históricos, mas também está presente na sociedade atual. A visão etnocêntrica:


A

Designa uma classificação por etnia, por racismo, mas, principalmente, por condições ligadas à posse ou não de bens materiais.


B

Relaciona-se com o racismo, com a xenofobia ou com a intolerância religiosa, sendo, rigorosamente, a mesma coisa que esses termos.


C

Conduz, grosso modo, ao observador uma visão e condição superior à dos demais especificamente em aspectos culturais, religiosos e étnico-raciais.


D

É aquela que permite ao observador de uma cultura reconhecer a alteridade de outra, e ter referências para quantificar e qualificar as outras culturas.


E

Designa uma forma de enxergar outra etnia (e suas derivações como cultura, hábitos, religião, idioma e formas de vida em geral) com base na etnia própria.

“Muitas violências são praticadas a partir de sistemas de classificação, devidamente naturalizados, sem que sejam questionadas a origem dessas que são práticas sociais de subordinação. Muitas vezes achamos e dizemos sem constrangimento que “nós” temos ciência, e “eles” têm crenças; que “nós” temos arte, e “eles” artesanato; que “nós” temos filosofias, e “eles” mitos. Essas formas de classificação escondem da realidade que pretendem elucidar, um mundo de preconceitos vistos sempre a partir de uma perspectiva europeia e ocidental.”


SCHWARCZ, Lilia. “Índio não, indígena: os sistemas classificatórios” apud https://www.nexojornal.com.br/, 06/06/2022.


No trecho, a autora critica o uso de formas de classificação de sociedades e culturas embasadas em uma perspectiva


A

relativista.


B

racista.


C

culturalista.


D

etnocêntrica.


E

tolerante.

" Ao discorrer sobre o 'Futuro do Etnocentrismo', parte-se da premissa de que a globalização, apesar de ter - em muitos casos diminuído as diferenças entre povos, não tem amenizado os preconceitos e as formas de discriminação que ocorrem em nome dessas diferenças".


GEERTZ. Clifford, Os usos da diversidade. Horizontes Antropológicos. Porto Alegre, ano 5, n. 10,p. 13-34, maio 1999.


Com base nesta premissa, marque a alternativa incorreta sobre o etnocentrismo.


A

A visão etnocêntrica é aquela que vê o mundo com base em sua própria cultura, desconsiderando as outras culturas ou considerando a seja como superior às demais.


B

Pressupõe que o individuo, ou grupo de referência, se considere superior àqueles que ele julga, e também que o indivíduo, ou grupo etnocêntrico, tenha um conhecimento multo limitado dos outros, mesmo que viva na sua proximidade.


C

O etnocentrismo está, certamente, entre as principais causas da intolerância internacional e da xenofobia (preconceito contra estrangeiros ou pessoas oriundas de outras origens), além da não consideração dos saberes locais.


D

Consiste em repudiar pura e simplesmente as formas culturais: morais, religiosas, sociais, estéticos, que são as mais afastadas daquelas com as quais nos identificamos. "Hábitos de selvagens", "na minha terra é diferente", "não se deveria permitir isso" tantas reações grosseiras que traduzem esse mesmo calafrio, essa mesma repulsa diante de maneiras de viver, crer, ou pensar que nos são estranhas.


E

Etnocentrismo é um preconceito que cada sociedade ou cada cultura produz. Ao mesmo tempo, isso não influencia a forma como os membros, normas e valores peculiares são percebidos. Se sua maneira de ser e proceder é a certa, então as outras não, necessariamente, estão erradas.

Texto I


Uma dupla de artistas italianos pretende modificar o conceito tradicional de cemitérios. No lugar dos caixões comuns, eles propõem a utilização de uma cápsula biodegradável, coberta por uma árvore. Assim, ao invés de lápides, os enterros dariam origem a uma nova vida. A ideia é assinada pela dupla Anna Citelli e Raoul Bretzel. No site do projeto, a dupla explica que o interesse dos dois é ajudar a resgatar a sociedade que vive atualmente distante da natureza. Para alcançar este objetivo, eles escolheram um tema considerado um tabu: a morte. Segundo eles, independente da religião e cultura a que pertencemos, a morte é um fenômeno biológico; é a mesma coisa para todos.


(Disponível em: https://ciclovivo.com.br/arq-urb/arquitetura/capsulasorganicas-substituem-caixoes-e-transformam-cemiterio-em-floresta/.)


Texto II


A ideia de relativismo cultural é apenas uma desculpa para violar os direitos humanos.


(Shirin Ebadi 1947. Relativismo cultural: definição, exemplos e críticas – Toda Matéria. Disponível em: todamateria.com.br.)


Cada tempo, cada pessoa e cada cultura têm sua forma pessoal de lidar com as questões relativas não só a morte, mas a uma série de aspectos do nosso cotidiano. Umas enxergam como tabu, outras como um processo natural e ponto. De qualquer maneira, o mundo possui centenas de povos, costumes e culturas, e em muitas delas a morte e outros temas e vivências ganham outros significados. Diante de tais premissas e tendo em vista o conceito e as polêmicas em torno do relativismo cultural, assinale a afirmativa correta.


A

O relativismo cultural é criticado por sua própria contradição interna. Se “tudo é relativo”, esta afirmação também é relativa e, portanto, totalmente inválida cientificamente.


B

O relativismo cultural busca compreender os valores culturais de uma sociedade a partir dos padrões que vigoram no grupo social analisado sem, contudo, utilizar um só ponto de vista.


C

Através do relativismo cultural torna-se possível quantificar e qualificar, a partir de padrões de cultura universais consensualmente elencados, o que se pode ou não aceitar como manifestação cultural de fato.


D

Se concordamos com o relativismo cultural, não poderemos jamais julgar ou intervir numa cultura que comete atos contra a dignidade humana, sob pena de estarmos desmerecendo-a ou inferiorizando-a.


E

Os argumentos usados no relativismo cultural como o apelo à tradição – sempre foi assim – na verdade conseguem justificar e referendar hábitos e costumes estranhos aos nossos, independentemente de quais sejam.

Mulher acusada de adultério é até apedrejada até a morte pelo EI na Síria


Uma mulher foi apedrejada até a morte no nordeste da Síria pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), que a acusou de haver cometido adultério, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). A ONG disse que os radicais assassinaram a mulher na cidade de Buqros, no nordeste do país do Oriente Médio. A vítima era uma deslocada originária do campo de refugiados palestinos de Al Yarmuk, no sul de Damasco, e trabalhava em um hospital de Al Mayadin, reduto principal do EI nesta província que faz fronteira com o Iraque.


(Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/orientemedio/mulher-acusada-de-adulterio-e-ate-apedrejada-ate-a-morte-pelo-ei-na-siria.)


Por mais que uma notícia dessas seja um choque, uma agressão aos nossos costumes e cultura, existem grupos, em determinados países do mundo, que acham não só normal, como correto. Existem organismos mundiais atualmente, que tentam inibir tais ações, mas elas continuam a acontecer, nas mais variadas nuances. No Relativismo Cultural, uma tendência filosófica e sociológica, essas diferenças culturais:


A

Foram levantadas e serviram para respaldar e embasar os postulados que referendavam o Evolucionismo e o Darwinismo.


B

Existem como verdades morais e princípios éticos absolutos ou universais, mas com sistemas de ação diferenciados.


C

A abordagem do relativismo cultural – também chamado culturalismo – passou a ser ignorada como critério de análise e pesquisa social.


D

Ao serem analisadas, não podem ser vistas como resultado de culturas superiores ou inferiores e nem ser ordenadas em um esquema evolutivo.


E

São vistas como válidas e ricas em si, embora essa teoria não se abstenha de fazer julgamento moral e ético sobre os diferentes parâmetros que definem as culturas.

“Eu sabia que meus xapiri não parariam de dançar em volta de meus ossos, que, mesmo queimados e socados, continuariam valendo para eles mais do que ouro. Sabia, também, que me vingariam dos brancos que tivessem me assassinado. Porém, ao final, os garimpeiros nunca ousaram vir me matar durante o meu sono. O espírito do antigo ser fantasma Porepatari deve tê-los feito desistir de se aventurar na floresta à noite!”. A defesa da floresta pelos indígenas não se restringe somente a atores físicos, mas também é feita por diversos entes espirituais.


A menção a Porepatari refere-se a


A

um ser sobrenatural que dissuade os caminhos dos homens brancos.


B

um espírito que ludibria os humanos, fazendo-os beberem um forte veneno e morrerem.


C

um espectro que afugenta os humanos com seus cantos mágicos.


D

um espectro que persegue os humanos que encontra à noite, flechando-os no estômago.


E

um ser sobrenatural que interrompe os caminhos dos homens brancos por meio de sendas sem fim.

 
 
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