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A organização das práticas de colecionamento etnográfico atravessou várias fases, do colecionamento naturalista do século XIX ao “trabalho de campo” da segunda metade do século XX. No caso dos trabalhos etnológicos das primeiras décadas do século XX no Brasil, algumas figuras se destacaram, dentre elas Curt Nimuendajú, cujo período de colecionamento e produção foram, respectivamente,
uma década, e coleções de diversas religiões afro-brasileiras.
três décadas, e coleções de artefatos indígenas de diversos povos brasileiros.
cinco décadas, e coleções de cultura popular de diversas regiões do Brasil.
sete décadas, e coleções de povos indígenas, afro-brasileiros e camponeses.
Em seu texto “A vingança de Capitu: DNA, escolha e destino na família brasileira contemporânea”, publicado em 2014, a antropóloga Claudia Fonseca afirma:
“No final dos anos 1980, os testes de DNA para a verificação de laços de paternidade passaram do mundo da fantasia ao dos fatos, trazendo consigo o potencial de uma nova ‘mudança profunda’ em nossa conceituação de família, relações de gênero e parentesco. Embora essa forma de tecnologia ainda não tenha recebido muita atenção acadêmica, estou convencida – baseada em experiência etnográfica em favelas brasileiras – que suas consequências são mais instantâneas e abrangentes do que as rupturas e transições anteriores marcadas pela ciência. Em apenas quinze anos desde a sua primeira descoberta no outro lado do mundo, tanto membros da elite como homens e mulheres da classe trabalhadora incorporaram testes de DNA em seu modo de ver laços e responsabilidades familiares.”
Segundo a autora, a popularização da tecnologia de DNA para rastrear vínculos sanguíneos produziu efeitos nas relações:
de parentesco;
de gênero;
econômicas;
religiosas;
de trabalho.
Uma coleção “etnográfica” é definida como sendo a de objetos coletados
sistematicamente por variados profissionais com valor e significado configurados pelas operações museais e antropológicas.
despretensiosamente por profissionais qualificados, mas que adquirem valor e significado em galerias e museus.
aleatoriamente, mas que adquirem valor na medida em que artefatos circulam de seu contexto de produção e coleta e adentram o dos museus.
frequentemente pelo próprio povo ou coletivo para venda como acervo de Museus e galerias.
A história de classificação dos objetos salvaguardados em reservas técnicas etnológicas, desde as curiosidades artificiais da virada dos séculos XVIII–XIX até os artefatos etnográficos da virada dos séculos XIX–XX, evidencia a contínua redefinição de parâmetros científicos e a relação tensa entre classificação científica, classificação étnica e classificação de gestão museal. Nem sempre curadores, conservadores e, mais recentemente, indígenas, falam a mesma língua. Considerando o trabalho pioneiro de Berta Ribeiro, a partir dos acervos de museus como o Nacional do Rio de Janeiro e Emílio Goeldi do Pará, a organização da produção de material etnográfico é classificada em
9 (nove) tipos gerais, e dialoga com modelos do contexto anglo-saxão e no âmbito da UNESCO.
7 (sete) tipos, e dialoga com modelos do mundo anglosaxão, francês e no âmbito da UNESCO.
5 (cinco) tipos gerais, e dialoga com modelos do contexto norte-americano e no âmbito da UNESCO.
3 (três) tipos gerais, e dialoga com modelos do contexto inglês e no âmbito da UNESCO.
O que apontam os estudos etmológicos sobre as Ritxoko, bonecas de barro Iny-Karajá?
Organização de atividades cujo vocabulário é estritamente feminino, não tendo termo masculino de referência.
Identificação de terminologias que podem variar por conta de inflexões de gênero, havendo mais de um termo para se referir a dado objeto.
Registro de vocabulário estritamente masculino, mas que passa a ser praticado pelas mulheres.
Apresentação de vocabulário de uso restrito da geração mais velha, não tendo termo masculino de referência.


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Nas últimas décadas, vem se desenvolvendo investimentos de pesquisa que recuperam as condições de produção de coleções etnográficas e das ciências naturais juntando esforços das áreas da antropologia, da história e da museologia. Tais investimentos contribuem para o desenvolvimento de histórias da ciência e servem como instrumentos de críticas e demandas populares e étnicas por revisão de políticas de representação, acessibilidade e restituição. Do ponto de vista da diversidade de disciplinas articuladas em museus, a atenção às práticas de colecionamento contribui para
a qualificação de coleções, sem abertura para novos diálogos disciplinares.
a abertura e novos diálogos disciplinares e com movimentos sociais, mas sem a qualificação de coleções.
a qualificação de coleções, a abertura para novos diálogos disciplinares, com movimentos sociais, e o desenvolvimento de cidadanias científicas.
o desenvolvimento de cidadanias científicas atentas aos dilemas das sociedades contemporâneas.
A etnografia é o principal método e forma de escrita da antropologia.
Entre os seus preceitos fundamentais, destacam-se:
os questionários e a tabulação de dados;
o trabalho de campo e a escrita monográfica;
os registros fotográficos e a produção audiovisual;
a distância em relação aos grupos estudados e as biografias;
as entrevistas em profundidade e os surveys de comunidade.
A Expedição à Serra do Norte (1912) empreendida por Edgard Roquette-Pinto pode ser considerada como marco histórico na organização da ciência antropoló-gicoetnográfica brasileira porque foi ao encontro dos povos
Nambikwara, recém contatados, para registrar dimensões físicas e etnográficas, acompanhando a Comissão Rondon em seus trabalhos telegráficos.
Kadiwéu, recém contatados, para registrar seus grafismos, acompanhando a Comissão Rondon em seus trabalhos de demarcação de fronteira.
Bororo, recém contatados, para registrar seus ritos funerários, acompanhando a Comissão Rondon em seus trabalhos telegráficos.
Terena, recém contatados, para registrar dimensões físicas e etnográficas, acompanhando a Comissão Rondon em seus trabalhos de demarcação de fronteira.
Em seu livro “A interpretação da cultura”, o antropólogo Clifford Geertz diz:
“Os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e, na verdade, de segunda e terceira mão. Trata-se, portanto, de ficções; ficções no sentido de que são ‘algo construído’, ‘algo modelado’, não que sejam falsas, não fatuais, ou apenas experimentos do pensamento.”
O autor se refere ao estilo narrativo antropológico denominado:
crônica;
etnografia;
relato de viagem;
relatório técnico de pesquisa aplicada;
diário de campo de outros pesquisadores.
Arquivos audiovisuais fazem parte do conjunto de artefatos que povoam museus e centros culturais e de investigação e conservação. Apesar de serem classificadas como “coleções etnográficas”, suas materialidades distintas e variadas colocam outras questões e dilemas de colecionamento, difusão e salvaguarda. Diante disso, a antropologia dedicada ao cotidiano museal deve atentar para o modo sobre como coleções fonográficas e fílmicas foram geradas de forma a poder
pagar por direitos autorais no momento de sua exibição pública.
tratar de questões de restituição e direitos autorais.
estabelecer critérios para condições de exibição e de guarda.
avaliar suas condições de exibição, guarda e restituição.


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“A meu ver, um trabalho etnográfico só terá valor científico irrefutável se nos permitir distinguir claramente, de um lado, os resultados da observação direta e das declarações e interpretações nativas e, de outro, as inferências do autor, baseadas em seu próprio bom senso e intuição psicológica. (…) É necessária a apresentação desses dados para que os leitores possam avaliar com precisão, num passar de olhos, quão familiarizado está o autor com os fatos que descreve e sob que condições obteve as informações dos nativos”.
(Malinowski, Bronislaw. Os Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Editora UBU, 2018: 57)
Neste trecho da introdução do livro Os Argonautas do Pacífico Ocidental, Bronislaw Malinowki apresenta
uma defesa da comparação entre culturas.
uma defesa da observação participante.
um argumento em favor do evolucionismo cultural.
uma defesa da antropologia de gabinete.
um argumento em defesa da aplicação de questionários.
A partir da década de 1990, George Marcus passou a se interessar pelo método da etnografia multissituada. Segundo o antropólogo, um dos problemas desse procedimento metodológico é entendê-lo de forma literal como a reprodução e multiplicação do sítios de pesquisa.
Assinale a opção que apresenta o sentido da etnografia multissituada.
Circunscrever a pesquisa de campo a uma unidade territorial.
Realizar trabalho de campo em países diferentes.
Traçar conexões entre diferentes sítios de pesquisa.
Multiplicar interlocutores de pesquisa.
Escrever etnografias polifônicas.
“Torna-se necessário conceber a etnografia não como a experiência e a interpretação de uma "outra" realidade circunscrita, mas sim como uma negociação construtiva envolvendo pelo menos dois (...) sujeitos conscientes e politicamente significativos. Paradigmas de experiência e interpretação estão dando lugar a paradigmas discursivos de diálogo e polifonia.”
(Clifford, James. A experiência etnográfica. Rio de Janeiro: UFRJ, 1998, p.41).
Neste trecho, o antropólogo James Clifford está propondo uma reflexão sobre
a teoria clássica antropológica.
o particularismo histórico.
o relativismo cultural.
a autoridade etnográfica.
o evolucionismo científico.
Toda etnografia busca um retrato de tudo que está em questão nos detalhes da vida das pessoas. As abordagens usuais à educação – psicologia, economia, sociologia, até mesmo a história – oferecem recortes importantes, mas os antropólogos buscam o plano completo de lutas que tornam cada momento significativo, potencialmente traiçoeiro e, provavelmente, político.
(McDermott e Raley 2011, p. 34.)
Fazer um parâmetro entre a cultura e a educação pode parecer redundância, mas não é. Embora mantenham relações intrínsecas, não são a mesma coisa. Sobre cultura e educação e seus estudos e pesquisas, podemos afirmar que:
Decididamente, a cultura é algo que as pessoas fazem, não algo que possuem, ou seja, não pode ser sistematizada como no caso da educação.
Ao procurar a generalização estatística da pesquisa quantitativa, os estudos antropológicos geram teorias sociais que, por sua vez, geram padrões educacionais.
O relativismo cultural é, de certa forma, ameaçado pela educação que é, na verdade, um esforço para compreender uma cultura ou um grupo em termos dominantes.
De acordo com os pesquisadores desses âmbitos, sua responsabilidade é observar e registrar e, em hipótese alguma, modificar ou tentar melhorar as circunstâncias.
A antropologia da educação está enraizada em compromissos para com o conceito de cultura, o relativismo cultural, a comparação transcultural e a teoria social, dentre outros.
“O que sempre vemos e encontramos pode ser familiar mas não é necessariamente conhecido e o que não vemos e encontramos pode ser exótico mas, até certo ponto, conhecido”.
(Velho, Gilberto. Observando o familiar. In: NUNES, Edson de Oliveira (org.). “A aventura sociológica: objetividade, paixão, improviso e método na pesquisa social”. RJ: Zahar, 1978, p.126).
Neste trecho, Gilberto Velho discute a seguinte premissa do trabalho etnográfico:
distanciamento físico.
proximidade física.
distanciamento metodológico.
distanciamento moral.
afinidade política.


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A frase “A condição de subalternidade é a condição do silêncio” dita por José Jorge de Carvalho, no texto “O olhar etnográfico e a voz subalterna” (2001), significa:
Uma nova abordagem para uma etnografia das expressões culturais contemporâneas, refazendo os esquemas vigentes de interpretação de temas como identidade, relações raciais, sexualidade, pertença étnica, hibridismo cultural, etc.
O subalterno carece necessariamente de um representante por sua própria condição de silenciado.
Métodos de interpretação das expressões culturais.
Dimensão imagética dos símbolos culturais.
Produções midiáticas mais triviais ou de puro interesse comercial.
Assinale a alternativa que apresenta uma das estratégias pós-coloniais mais eficaz apresentada pelo autor José Jorge de Carvalho no texto “O olhar etnográfico e a voz subalterna” (2001).
Discussão sobre como incorporar a saga biográfica de autores no texto etnográfico e na sua interpretação.
A disseminação ou adaptação de um valor construído num determinado momento da história do ocidente europeu.
Signo do dominado invertendo o seu valor emblemático.
Produzir um tipo de texto – uma crítica cultural, enfim – que acuse a barbárie inerente e fundante dos textos monumentais do colonizador.
O ponto de vista do dominado, a opressão e a dominação sofridas são constantemente ritualizadas.
O que significa o conceito de “história da etnografia realista” para o autor Marcus George, no texto intitulado “Identidades passadas, presentes e emergentes: Requisitos para etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial”?
A semelhança entre o global e o local.
A formulação cognitiva com a qual os modernistas clássicos da estética se revoltaram contra o realismo na rate e na literatura.
A determinação histórica como contexto principal para a explicação de todo presente etnográfico.
O pós-modernismo se distinguindo do modernismo.
Uma questão da formação de uma identidade.
Qual o significado de “bifocalidade” para o autor George Marcus no texto intitulado “Identidades passadas, presentes e emergentes: Requisitos para etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial”?
Olhar em pelo menos duas direções, a partir de uma dimensão comparativa, como um aspecto mais ou menos implícito de qualquer projeto etnográfico.
Identidade coletiva e individual se transformando em uma etnografia identitária.
Teoria e empiria predominante dos cientistas sociais.
Identidades escritas sobre um regime teórico.
Análises de etapas progressivas.
Qual o significado do conceito de identidade local para o autor George Marcus no texto intitulado “Identidades passadas, presentes e emergentes: Requisitos para etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial”?
Os dilemas que a etnografia precisa enfrentar para compreender a modernidade.
Um compromisso entre uma mistura de elementos de resistência à incorporação de uma totalidade maior e elementos de acomodação a esta ordem mais ampla.
O atendimento de um ponto de vista global.
A concepção de vida social que a vanguarda do século XIV tentou impor nas narrativas progressistas.
A remodelação da descrição e da análise.