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Em seu texto “A vingança de Capitu: DNA, escolha e destino na família brasileira contemporânea”, publicado em 2014, a antropóloga Claudia Fonseca afirma:
“No final dos anos 1980, os testes de DNA para a verificação de laços de paternidade passaram do mundo da fantasia ao dos fatos, trazendo consigo o potencial de uma nova ‘mudança profunda’ em nossa conceituação de família, relações de gênero e parentesco. Embora essa forma de tecnologia ainda não tenha recebido muita atenção acadêmica, estou convencida – baseada em experiência etnográfica em favelas brasileiras – que suas consequências são mais instantâneas e abrangentes do que as rupturas e transições anteriores marcadas pela ciência. Em apenas quinze anos desde a sua primeira descoberta no outro lado do mundo, tanto membros da elite como homens e mulheres da classe trabalhadora incorporaram testes de DNA em seu modo de ver laços e responsabilidades familiares.”
Segundo a autora, a popularização da tecnologia de DNA para rastrear vínculos sanguíneos produziu efeitos nas relações:
de parentesco;
de gênero;
econômicas;
religiosas;
de trabalho.
“Os Achuar dizem que as mulheres são mães das plantas que cultivam em suas roças; identificam-se, assim, com Nankui, criadora e “dona” destas plantas. Em suma, conceitualizam suas relações com estes seres em termos de consanguinidade. Já os homens concebem-se como cunhados dos animais de caça, traçando com eles relações de afinidade. Conclui-se, daí, que os seres que habitam o “mundo natural”, ao interagirem com os humanos, são tidos como parceiros sociais plenos.”
(SZTUTMAN, Renato. Natureza & Cultura, versão americanista. Um sobrevoo, Ponto Urbe, v. 4, 2009.)
De acordo com o trecho descrito, na estrutura de organização parental dos Achuar
humanos e não-humanos podem ser parentes.
apenas humanos são parentes de humanos.
apenas não-humanos são parentes de não-humanos.
não-humanos nunca são parentes de humanos.
todos os não-humanos, exceto plantas, são parentes de humanos.
Nos estudos da Antropologia Sociológica, a primeira instituição responsável pela socialização dos indivíduos, assim como pela agregação de indivíduos mantidos no lar, onde os adultos cuidam das crianças é a
comunidade.
escola.
cidade.
vizinhança.
família.
São diversos os teóricos, estudiosos, especialistas e autores da antropologia que têm se debruçado nos estudos relacionados à família, ao casamento e ao parentesco. Sobre esses temas, é correto afirmar que:
A nossa herança cultural, desenvolvida por meio de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a agir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade.
O clã é, geralmente, exogâmico, ou seja, o impulso sexual é orientado para pessoas fora do grupo de parentesco essencial.
O relativismo cultural é considerado uma filosofia moral problemática, na medida em que implica sua autonegação.
Quando vemos um costume diferente acabamos reconhecendo, pelo contraste, nosso próprio costume.
A pesquisa etnográfica constitui-se do exercício do olhar (ver) e do escutar (ouvir), o que impõe ao pesquisador um deslocamento de sua própria cultura para se situar no interior do fenômeno por ele ou por ela observado, pela sua participação efetiva nas formas de sociabilidade, por meio das quais a realidade investigada lhe é apresentada.
Uma das questões caras à antropologia, no que se refere à organização social, é o estudo do parentesco. Para Lévi-Strauss (1982), o parentesco é:
um sistema de reprodução biológico gerador de possibilidades ou impossibilidades de casamentos, de geração de filhos, a partir do qual se definem direitos, privilégios e obrigações
um sistema de reprodução social gerador de possibilidades ou impossibilidades de alianças sociais, relações matrimoniais, de consanguinidade e de filiação, bem como definidor de direitos, privilégios e obrigações
o nome dado exclusivamente às relações entre pai, mãe e filhos e que define os direitos, os privilégios e as obrigações entre esses
uma nomenclatura dada às relações abstratas entre pessoas que se designam como família e que estabelecem entre si direitos, obrigações e privilégios


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O antropólogo belga-francês Claude Lévi-Strauss aponta como marco importante no estabelecimento da Cultura a aparição da primeira regra social, que para ele é a proibição do incesto. Para Lévi-Struass, este momento é importante para o Homem porque, ao atravessá-lo, é possível sair da condição de animalidade e atingir a condição humana e produzir símbolos. Sobre esse processo fundamental da humanidade, assinale a alternativa incorreta:
A proibição do incesto deve ser considerada como um dos fundamentos da cultura, conforme a concepção que as diversas sociedades têm de consaguinidade, do incesto, da exogamia e das regras de parentesco que as organizam.
A proibição do incesto tornou-se uma regra cultural decorrente de nosso condicionamento genético, que leva as sociedades humanas à percepção de que a reprodução consanguínea provoca males para a espécie humana.
A proibição do incesto define-se como uma regra cultural praticamente universal, responsável pela exogamia observada na grande maioria das sociedades e que está na base do sistema de alianças de parentescos.
A proibição do incesto é uma das regras culturais mais presentes nas sociedades humanas e faz parte do repertório crescente de desnaturalização dos costumes observado com clareza maior nas sociedades humanas.
A proibição do incesto, apesar exisistir em todas as sociedades, é socialmente construída, o que explica as diferenças de sociedade para sociedade.
Na obra A caminho da Cidade, Eunice Durham (1973) aborda o tema da dinâmica cultural a partir do estudo da família e da rede de parentesco no âmbito de uma sociedade em transformação.


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Considere as colunas abaixo.

A correta associação das colunas é
I-d; IV-a.
III-c; I-a.
IV-b; II-d.
III-a; IV-c.
II-c; III-b.
O estudo das relações de parentesco foi uma forma encontrada pela antropologia para pensar a organização de sociedades sem estado.
A organização social em que a linha de parentesco, ou descendência, e a transmissão de poder são feitas pela linha materna é denominada:
Bilateral.
Matriarcado.
Fraternal.
Patriarcado.
O estudo das relações de parentesco dentro da antropologia ocupa um lugar proeminente e foi, talvez, neste campo, onde se deu a maior elaboração de conceitos. Em tais estudos, os antropólogos identificam dois tipos de terminologia de parentesco: o descritivo e o classificatório. Em relação ao sistema classificatório, é correto afirmar que é aquele em que:
se usa um termo diferente para designar cada parente, normalmente em linha direta de um descendente.
a utilização de um termo específico não se restringe a um único indivíduo, empregando, infalivelmente, um termo para designar uma classe ou um grupo de pessoas, algumas das quais são de parentesco linear e outras de colateral.
se usa um termo específico para designar os laços de parentesco atribuídos por afinidade.
se usa um termo para designar cada parente do clã que, por sua vez, apresenta uma descendência unilinear; isto é, um conjunto de indivíduos que acreditam derivar de um ancestral comum.


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Na família, marido e mulher não são parentes consangüíneos. Ao contrário, seus laços de parentesco são atribuídos por afinidade e possuem uma importância muito grande no conjunto da organização social de qualquer agrupamento humano. Especificamente, em se tratando do número de nubentes, as famílias podem ser denominadas ou classificadas em:
monogâmicas, punaluanas, sindiásmica ou de par
punaluanas, sindiásmica ou de par, poligâmicas
monogâmicas, poligâmicas, poliândricas
sindiásmica ou de par, poligâmicas, monogâmicas
Nessa sociedade, todo filho e filha de um filho de homem Silva é Silva.
No tocante às principais teorias do parentesco elaboradas na antropologia, assinale a opção correta
A chamada teoria da aliança foi desenvolvida por Murdock, antropólogo americano que a expôs no Livro Social Structure
Na teoria da aliança dá-se grande ênfase analítica às linhagens corporadas, pois são elas que formam as peças fundamentais desse modelo teórico.
A chamada teoria da descendência está associada à obra do antropólogo francês Claude Lévi- Strauss
A teoria da descendência dá especial destaque aos elementos psicológicos, oriundos da análise freudiana, que operam na constituição do parentesco
A teoria do parentesco desenvolvida pela escola britânica de Antropologia enfatiza os aspectos jurídicos-políticos do fenômeno, dando grande atenção aos grupos unilineares de parentesco, enquanto a abordagem estruturalista dá atenção aos modelos de trocas matrimoniais