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O caso a seguir expõe um tipo de relação entre mito e narrativa histórica.
A Cachoeira de Iauaretê corresponde a um lugar de referência fundamental para os povos indígenas que habitam a região banhada pelos rios Uaupés e Papuri. Várias pedras, lajes, ilhas e paranás da Cachoeira de Iauaretê simbolizam episódios de guerras, perseguições, mortes e alianças descritos nos mitos de origem e nas narrativas históricas desses povos. Para eles, é seu lugar sagrado, onde está marcada a história de sua origem e fixação nessa região, assim como a história do estabelecimento das relações de afinidade que vêm permitindo, até hoje, a convivência e o compartilhamento de padrões culturais entre os diversos grupos que coabitam naquele território, há milênios.
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Mitos de Origem e Narrativas Históricas. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/763
Assinale a opção que expressa corretamente essa relação.
A ideia de que os mitos indígenas obtêm valor na medida em que possam ser traduzidos para relatos históricos reais.
A compreensão das diversas dimensões materiais e imateriais que estão incluídas nas narrativas míticas.
A valorização dos mitos indígenas como narrativas coletivas autônomas em relação aos processos históricos concretos.
A concepção do mito como relatos de experiências e traumas que contam com ornamentos estéticos suplementares.
A incomensurabilidade entre as narrativas indígenas e os relatos factuais de tipo histórico dos ocidentais.
Segundo Marilena Chauí, na obra Convite à Filosofia, o mito narra de três maneiras distintas a origem do mundo e de tudo o que nele existe:
1. Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais.
2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre as forças divinas, ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.
3. Encontrando as recompensas ou castigos que os deuses dão a quem os desobedece ou a quem os obedece.
Podemos destacar como exemplo do item “3”:
O poeta Homero, na Ilíada, que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer uma batalha.
Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os humanos. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens? Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas nunca deveria ser aberta.
Houve uma grande festa entre os deuses. Todos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio, comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto engenhoso). Dessa relação sexual, nasceu Eros (ou Cupido), que, como sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas, como seu pai, tem mil astúcias para se satisfazer e se fazer amado.
Urano, teve diversos filhos com Gaia, as mulheres eram as Titânidas e os homens os Titãs, sendo que o mais importante deles era Cronos. Todos tinham uma força descomunal e sobrehumana e ainda possuíam uma beleza incrível. Como nasceram em meio ao Tártaro e das profundidades de Gaia, os Titãs eram tidos como amedrontadores, violentos e sempre fascinantes.
Cronos cortou as genitais do pai e lançou-os ao mar, não possibilitando Urano procriar novamente, todavia o esperma que caiu dos genitais produziu Afrodite (deusa do amor), ao mesmo tempo que o sangue de sua ferida gerou Ninfas (espíritos da natureza)
Para a análise científica da cultura, Malinowski propõe determinada formulação conceitual para expressar a unidade de organização humana. Tal conceito implica “uma concordância sobre uma série de valores tradicionais por força dos quais os homens se reúnem”.
(MALINOWSKI, B. Uma teoria científica da cultura. Rio de Janeiro: Zahar, 1970).
Tal conceito utilizado por Malinowski corresponde:
ao conceito de função, um dos axiomas gerais do Funcionalismo.
ao conceito de cultura, que abrange crenças e costumes.
ao conceito de estrutura, próprio da Antropologia Estrutural.
ao conceito de instituição, posto que, para ele, a cultura é um conjunto integral de instituições.
Em sua obra Argonautas do Pacífico Ocidental, o antropólogo polonês Bronislaw Malinowski descreveu o “kula”, sistema de trocas que permeia a vida dos habitantes das Ilhas Trobriand. Essa obra é considerada a primeira, na Antropologia, a empregar a técnica de pesquisa:
etnografia.
entrevista.
observação participante.
survey.
grupo focal.


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Segundo Mauss, existem fenômenos sociais que podem ser chamados de totais, pois neles são expressas, ao mesmo tempo e de uma só vez, todas as instituições sociais.
Certo
Errado
De acordo com Mauss, os ritos orais presentes na religião, tais como preces, juramentos, hinos e promessas, estão ausentes nas práticas da magia.
Certo
Errado
O mito pode ser considerado uma linguagem, uma forma narrativa de expressão que busca dar sentido a elementos da experiência humana, desempenhando o papel de um pensamento conceitual.
Enquanto o mito é uma narrativa aberta, sem versão definitiva, a história, por sua vez, é uma narrativa fechada, que não comporta versões distintas de um mesmo acontecimento.
O mito é uma forma de conhecimento radicalmente distinta do conhecimento filosófico e científico. É INCORRETO afirmar que o mito
tem a função de criar uma compensação simbólica e imaginária para dificuldades, tensões e lutas reais da realidade social que são tidas como insolúveis.
constitui uma lógica da compensação de conflitos reais que permite a conservação da sociedade, de modo a ocultar a experiência concreta da história.
contém sempre uma estrutura singular, de modo que é impossível estabelecer uma estrutura universal da cultura através da comparação de diferentes mitos.
opera, segundo Lévi-Strauss, pelo mecanismo da bricolage, isto é, ela é um arranjo e uma construção com pedaços de narrativas já existentes.
é um relato sobre a origem do mundo, dos homens, dos saberes e das coisas em geral.


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Tabu é a expressão com a qual são denominados, nas ciências sociais, os mitos de criação que instituem as regras de organização da produção agrícola nas sociedades tribais.
Os mitos, na antropologia estrutural, são sempre vistos como registros de acontecimentos históricos que, na falta de possibilidade de registros escritos, se perpetuaram por meio de tradições orais.
A respeito da obra de Roberto DaMatta, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta.
I Em “Carnaval, Malandros e Heróis”, DaMatta sustenta que o Carnaval é um ‘rito sem dono’, um festival com múltiplos planos. Segundo o autor, sabemos que, em geral, ali se encontram os marginais do universo socialmente reconhecido ou, quando são os ‘ricos’ que ocupam tais lugares, eles estão disfarçados ou divididos; viram deuses ou reis, são membros de um clube ou associação.
II De acordo com DaMatta, para delimitar posições e conquistar direitos dentro do espaço simbólico da “casa”, membros da sociedade brasileira recorrem ao que o autor define como a gramática do “Você sabe com quem está falando?”
III Para DaMatta, o uso do chamado “jeitinho brasileiro” acaba por engendrar um fenômeno muito conhecido e generalizado entre nós: a total desconfiança nas regras e decretos universalizantes. E essa desconfiança geraria sua própria antítese, que é a esperança permanente de vermos as leis serem finalmente implementadas e cumpridas.
IV Roberto DaMatta problematizou as noções de sagrado e profano ao analisar o carnaval brasileiro como um ritual de inversão.
Nenhum item está certo.
Há apenas um item certo.
Há apenas dois itens certos.
Há apenas três itens certos.
Todos os itens estão certos.
Lévi Strauss diz que é o simbólico que funda a sociedade.


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Nos anos 80 do século passado, Roberto DaMatta, em um artigo que se tornou famoso – A fábula das três raças –, utilizando-se fartamente do estruturalismo e das categorias de Dumont, procura explicar "o racismo à brasileira" como uma construção cultural ímpar e específica. Acerca dessa teoria, julgue os itens subsequentes.
I A teoria, no dizer de Roberto DaMatta, substitue, no Brasil, a noção de indivíduo, para recriar, em pleno reino formal da cidadania, a hierarquia racial, ameaçada com o fim da escravatura e da sociedade de castas.
II A proposta teórica de Roberto DaMatta é clara: o Brasil não é uma sociedade igualitária de feição clássica, pois convive bem com hierarquias sociais e privilégios, é entrecortada por dois padrões ideológicos, ainda que não seja exatamente uma sociedade hierárquica de tipo indiano.
III Aqueles que tentam analisar a sociedade brasileira segundo os mesmos moldes teóricos das sociedades modernas e individualistas do Ocidente, desenvolveram um sistema teórico que deu conta do modo preciso em que se articulam os diversos elementos ou aspectos do racismo.
IV Os marxistas, ao tratar a "democracia racial" como uma "superestrutura", acabaram por reforçar a ideia de mito, transformando-a em construto supraconjuntural, própria a uma formação social, muito próxima dos processos de longa duração.
V A democracia racial não é nem mais nem menos duradoura que o "racismo científico".
A quantidade de itens certos é igual a
1
2
3
4
5
A crença na infinitude do manancial da natureza está fundada, em parte, nos mitos do paraíso, fundamentais nas culturas judaica, cristã e islâmica.
Nas sociedades tribais onde o trabalho e a produção são divididos entre gêneros, geralmente as obrigações cotidianas de trabalho de um gênero não atingem nem substituem aquelas de outro gênero. Culturalmente, as etnias explicam essa divisão do trabalho por meio de sua mitologia.
É impossível analisar acontecimentos comprovadamente históricos equiparando-os aos mitos de sociedades primitivas.
Lévi-Strauss transferiu o foco do problema organicista da função (social) para o problema semiótico do sentido e, com isso, deslocou a discussão antropológica do tema sociedade para o tema cultura.