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Considere a reportagem a seguir:
Gatos na berlinda: dilema entre preservação do acervo e apego aos animais coloca funcionários do Arquivo Nacional em pé de guerra
Questão é tratada em dois processos internos, abertos em fevereiro de 2021 e agosto de 2023
A entrada do prédio histórico em estilo neoclássico onde funciona o Arquivo Nacional, no centro do Rio, é guardada por dois imponentes leões esculpidos em rocha. Eles não são os únicos felinos ali. Na área do estacionamento, nos fundos do edifício erguido em meados do século XIX, seus primos distantes, os gatos, reinam. Deitados à sombra dos carros, esticados nos degraus de uma escada externa, são tratados a pão de ló por funcionários apaixonados pelos bichanos (e quem não seria?). Embaixo de um caminhão encostado no pátio, ração de qualidade e em abundância, brinquedinhos pendurados e caminhas arrumadas. Nada demais, a não ser pelo fato de que logo ali do lado estão os depósitos onde ficam guardados milhares de documentos importantes da História do Brasil.
Como é da natureza dos gatos não conhecer limites, eventualmente um ou outro foi visto, e fotografado, serpenteando pelas caixas do arquivo e deixando pequenas marcas de sua presença. Os responsáveis pela conservação do acervo, claro, ficaram de orelhas em pé. A situação criou uma celeuma interna e dividiu os funcionários entre os prós e contra a presença dos gatos na instituição, como mostrou o podcast Rádio Novelo Apresenta. De tão séria, a questão é tratada em dois processos internos — abertos em fevereiro de 2021 e agosto de 2023 —, cujo conteúdo está atualmente fechado para consultas externas.
A direção do Arquivo Nacional afirma que promoveu uma campanha de adoção dos animais no ano passado. Depois disso, a população de felinos no endereço diminuiu, mas temporariamente. O caso é que o prédio está localizado em frente ao Campo de Santana, conhecido local de concentração não apenas de gatinhos, mas de outros animais, como cotias e pavões, por exemplo. Para os gatos, basta atravessar a rua. A acolhida é certa. Depois que o podcast foi ao ar, nem o grupo que é a favor da permanência dos gatos no espaço, nem a turma do contra parecem querer falar mais sobre o assunto. Já a direção decidiu se manifestar. De acordo com a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, que desde março do ano passado está à frente do Arquivo, foram instaladas telas nos telhados e reforçadas medidas para evitar que os bichanos entrem pelas portas nos depósitos de documentos. Até o fim do mês, é esperada a assinatura de convênio com entidades de proteção animal para acelerar o processo de adoção. A diretora-geral, no entanto, sabe que a batalha está longe de terminar.
— Tínhamos que tomar providências quanto à principal finalidade do Arquivo Nacional que é cuidar do patrimônio ali custodiado. Se naturalizou essa presença (dos gatos), e estamos num esforço de conscientização para que se reduzam as tensões entre os grupos. Não queremos um ambiente conflagrado, mas com cuidado para não ser interpretado como a tomada de partido por um grupo ou outro, e deixando bem claro que ninguém está autorizado a praticar qualquer violência contra os gatos – diz a diretora. (...)
Fonte: O GLOBO 05/09/2024 04h30 <https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2024/09/05/gatos-na-berlinda-dilema-entre-preservacao-do-acervo-e-apego-aos-animais-coloca-funcionarios-do-arquivo-nacional-em-pe-de-guerra.ghtml>
A partir da reportagem, podemos afirmar que, para o Arquivo Nacional, os gatos estão sendo enquadrados de risco para os arquivos como:
dissociação.
força física.
insalubre.
poluente.
praga.