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É sabido por todos o quanto a curadoria assumiu um protagonismo exagerado no meio de arte nas últimas décadas. Não obstante o exagero, que é real, trata-se de um fenômeno que responde a certas características do nosso tempo. Uma quantidade superlativa de novos museus, centros culturais e bienais foi aparecendo por todos os lados. A lógica do entretenimento demanda um gestor competente, que pense uma agenda variada de exposições. Além disso, uma economia pautada em serviços e consumo pressupõe outra lógica produtiva, mais ligada às escolhas e à experiência. Essas são características que dão à propagação das curadorias um acento problemático, no sentido de refletir uma adequação sistêmica sem qualquer atrito crítico.
Por outro lado, vimos, desde pelo menos a década de 1960, instalar-se uma crise inequívoca da narrativa histórica teleológica, tal qual definida pelo relato modernista. Essa crise acabou por liberar a multiplicação de relatos, produzindo camadas de temporalidades simultâneas. Como explicitou o teórico Hans Ulrich Gumbrecht, “entre os passados que nos engolem e o futuro ameaçador, o presente transformou-se numa dimensão de simultaneidades que se expandem”. A razão de ser dos museus e das exposições foi deveras transformada a partir daí e mais claramente desde os anos de 1980. Para o bem e para o mal. Há que se rearticular, a partir dessa nova situação, o vínculo entre historicidade e experiência; melhor dizendo, o modo como as múltiplas narrativas históricas se inscrevem no corpo e na cultura, produzindo, paradoxalmente, empatia e estranhamento, pertencimento e divisão. É no meio desse conjunto diferenciado de problemas que devemos rever os sentidos do que chamamos de arte, das suas possibilidades de interferir no mundo e os modos de fazermos e avaliarmos as exposições.
OSORIO, Luiz Camillo. A função-curador: discurso, montagem, composição. ARS (São Paulo) [online]. 2019, v. 17, n. 37, pp. 29-44, com adaptações.
A partir das provocações do autor do texto, é correto afirmar que o trabalho curatorial, na contemporaneidade,
ao pensar o mundo globalizado, que não pode ser estruturado apenas em centro e periferia, torna-se determinante na multiplicação das formas de exposição a partir da qual, e somente então, a arte se apresenta e se constitui historicamente. Nesse sentido, cada obra produz efeitos específicos, que demandam uma resposta sensível e intelectual própria e protegida de uma discursividade construída.
segue o modelo que provoca empatia e estranhamento pelo seu gesto assertivo, contudo, essa ação não está apenas a serviço da espetacularização e da mercantilização da arte, mas é o desdobramento de transformações no modo como a arte assume sua historicidade e redefine suas pretensões críticas e políticas.
por meio do discurso narrativo proposto, desmascara e subtrai, fica entre o antifetichismo e o positivismo e, assim, encontram-se os seus limites.
com relação a sua vocação relacional, indica outra forma de crítica, interessada na especificidade e na delimitação de uma disciplina.
produz relações conceituais, afetivas, históricas, políticas, formais, ou seja, evidencia semelhanças no seio das diferenças e constitui diferenças onde tudo parece idêntico.