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Em relação à condução da política monetária brasileira durante os dois primeiros mandatos do governo Lula (2003−2010), no contexto do regime de metas para a inflação, é correto afirmar que (,)
a política monetária caracterizou-se pela utilização contínua da taxa Selic como instrumento exclusivo de estímulo ao crescimento econômico, com tolerância sistemática a desvios persistentes da inflação em relação à meta.
no início do primeiro mandato, a elevação da taxa Selic refletiu a necessidade de recompor a credibilidade do regime de metas para a inflação, diante da deterioração das expectativas inflacionárias e do aumento do prêmio de risco.
ao longo do segundo mandato, a política monetária foi marcada por sucessivos ciclos de aperto monetário, que resultaram em uma taxa média da Selic superior à observada no primeiro mandato.
a condução da política monetária no período foi caracterizada por ausência de autonomia operacional do Banco Central, com decisões predominantemente orientadas por objetivos fiscais e eleitorais.
a política monetária durante os dois mandatos foi conduzida de forma neutra, sem alternância relevante entre ciclos de aperto e afrouxamento monetário.
Durante os dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010), a política econômica foi marcada por certo pragmatismo e pela manutenção do chamado “tripé macroeconômico”.
A respeito desse período, considera-se coerente a seguinte afirmação:
O aumento do superávit primário foi acompanhado por redução expressiva da carga tributária e do gasto social.
A política fiscal do governo Lula seguiu os princípios da chamada “Nova Matriz Econômica”, com forte expansão do gasto corrente financiado por endividamento.
Durante o período Lula (2003-2010), o governo manteve o tripé macroeconômico: metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante. Apesar de um discurso crítico à ortodoxia, a prática econômica foi bastante pragmática, especialmente nos primeiros anos.
O governo Lula abandonou o regime de metas de inflação herdado do governo FHC, substituindo-o por uma política monetária expansionista orientada por metas de crescimento.
Se entre 1980 e 2022 a taxa de variação média anual do PIB real no Brasil foi de apenas 2,2%, no período 2004-2010, que abrange, praticamente, os dois mandatos do Governo Lula da Silva (2003-2010), essa taxa acelerou para, aproximadamente, 4,4% a.a., caracterizando notável exceção à regra de baixo crescimento das últimas quatro décadas. A economista Laura Carvalho, em seu livro “Valsa Brasileira: do Boom ao Caos Econômico”, publicado em 2018, cunhou o curto período de maior expansão entre 2004 e 2010 de miniboom.
Embora esse ciclo de expansão não se tenha sustentado posteriormente, os seguintes fatores contribuíram para o miniboom da economia brasileira entre 2004 e 2010, EXCETO a(o)
tendência de subvalorização do Real brasileiro em relação ao Dólar, em termos reais, que, ao aumentar a competitividade internacional dos produtos manufaturados domésticos, ampliou expressivamente a participação do valor exportado desses produtos no total das exportações brasileiras.
política de aumentos reais do salário mínimo e os programas de transferência de renda, como o “Bolsa-Família”, que contribuíram para o incremento do consumo agregado.
expansão expressiva do crédito, tanto a pessoas físicas quanto a pessoas jurídicas, que contribuiu para o financiamento do consumo, do investimento e da produção corrente no período.
boom de preços das commodities exportadas pelo Brasil no mercado internacional, que aliviou a restrição externa ao crescimento.
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), responsável pela expansão dos investimentos públicos, que, através dos efeitos multiplicadores, induziram o incremento dos investimentos privados.
A partir da estabilização da economia brasileira, em julho de 1994, houve no Brasil melhorias expressivas em diversos indicadores sociais e de equidade, avanços que se intensificaram ao longo da década de 2000. Nesse processo,
o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) evoluiu positivamente de 0,65 a 0,69, entre 2000 e 2010, indicando a quase eliminação da desigualdade regional, do déficit no acesso ao saneamento básico nas regiões mais pobres do país e da melhora decisiva da qualidade do ensino.
a distância entre os mais ricos e os mais pobres aumentou expressivamente ao longo da década. Entre 2001 e 2009, a renda per capita dos 10% mais ricos da população brasileira aumentou 7% ao ano, enquanto a renda dos mais pobres cresceu à taxa de 2%.
o Programa Bolsa Família (PBF), criado em 2004 e focado nas famílias de menor renda, foi uma inovação do Governo Lula que teve expressivo impacto na redução das desigualdades regionais do país. Um dos grandes problemas enfrentados em sua implementação foi o custo orçamentário relativamente alto, atingindo, em 2010, 5% do PIB.
observou-se, entre 2001 e 2009, a ascensão da Nova Classe Média (Classe C), a qual chegou a representar mais de 50% da população total. Este fenômeno decorreu do aumento da massa salarial e do maior acesso aos instrumentos de crédito, facilitado pelo Crédito Consignado e pela aprovação do Cadastro Positivo. A ampliação do crédito popularizou o acesso aos bens duráveis, uma das formas de aferição da redução da desigualdade.
a queda de 0,57 para 0,52 observada no Índice de Gini das pessoas ocupadas entre 2001 e 2009 se deveu mormente à política de valorização real do salário mínimo, ao aumento do emprego formal com carteira assinada, ao incremento da taxa de escolaridade e, por fim, à queda do trabalho infantil.
Em 2008, os preços internacionais dos alimentos aumentaram, o preço do petróleo atingiu o recorde de US$ 145, acarretando em pressões altistas à inflação brasileira. Diante deste cenário, o governo combateu a aceleração da inflação e buscou manter o crescimento econômico com as seguintes medidas fiscais e monetárias, EXCETO:
Utilização dos bancos públicos para combater a redução no crédito.
Corte de impostos indiretos sobre o preço do trigo e de seus derivados.
Aumento na rede de proteção social e no salário mínimo, e expansão do investimento público.
Realização de grandes reajustes de preços administrados como preço da energia elétrica, gasolina e transporte públicos.
O Banco Central do Brasil voltou a elevar a Selic em abril de 2008, quando a taxa básica de juro subiu para 11,75% e 13,75% em setembro de 2008.
Em relação ao governo Lula (2003-2010), considere V para a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s):
( ) A redução da desigualdade de renda pode ser atribuída tanto às políticas sociais quanto ao crescimento econômico do período.
( ) A promoção da política denominada “campeões nacionais” contribuiu para o aumento de incentivos ou subsídios estatais concedidos a grandes empresas.
( ) O custo unitário do trabalho cresceu bastante no período, mesmo que à custa de uma desvalorização real do salário mínimo.
A sequência correta é:
V – V – V;
V – V – F;
V – F – F;
F – V – F;
F – F – V.