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Por “religião” entende-se as manifestações do tipo do cristianismo e das outras grandes religiões redentoras; por “Estado” entende-se as organizações políticas do tipo do Estado-Nação moderno. Para compreender convenientemente as religiões políticas devemos, portanto, alargar o conceito do religioso de maneira a poder explicar não somente as religiões redentoras mas também as outras manifestações que percebemos como religiosas no desenvolvimento dos Estados; e, depois disso, deveremos examinar o conceito de Estado, a fim de saber se este não diz verdadeiramente respeito a mais nada senão às relações de organização mundanas e humanas, sem relação com o domínio do religioso.
(VOEGELIN, Erich. As religiões políticas. Lisboa: Vega Passagens, 2002, p.24)
A fusão entre a simbologia da linguagem religiosa e o poder de Estado, na história contemporânea, é identificada
nas relações sociais erigidas sob a influência do liberalismo, que apresenta uma forte tendência à sacralização do indivíduo em detrimento da comunidade.
na missão política atribuída pelo nazismo aos seus seguidores, fundada na crença de que a sociedade alemã representava uma comunidade centrada na superioridade racial.
nos objetivos do comunismo, baseados na ideia de um destino que se manifesta em uma política de conciliação de classes e consequente realização da universalidade do ser humano.
nas pretensões dos jihadistas islâmicos, para quem a paz e harmonia no mundo serão estabelecidas com a formulação de pontes de diálogo com as demais religiões monoteístas.
na cosmovisão fascista, em que a crença na universalidade da natureza humana fortalece tendência à defesa de organismos supranacionais mediadores dos conflitos entre os povos.