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“Por exemplo, Cortés torna-se um personagem mais interessante e crível quando seu mito é explorado e desconstruído (...) As revelações de que a maioria dos conquistadores não eram soldados e de que os americanos nativos não acreditavam que os invasores espanhóis fossem deuses levantam a necessidade de investigar o emaranhado de fontes que produziram tais equívocos, ao mesmo tempo que possibilitam leituras alternativas” (RESTALL, M. Sete mitos da conquista espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, pp. 17-18).
nas narrativas históricas, estabelecidas o papel dos guerreiros africanos, acostumados ao clima tropical e experientes, é completamente apagado, revelando uma grande marca do racismo em nossas análises.
o mito da superioridade espanhola, em que se supervaloriza o papel da tecnologia (armas da fogo e aço) assim como, da escrita e seus efeitos simbólicos, ainda hoje deixam marcas no nosso relacionamento com os povos originários.
podemos falar numa crença equivocada na conclusão da Conquista, em que, no século XVI, ela teria se completado com a “destruição” dos astecas e incas. Depois, não temos mais sociedades e povos nativos organizados, apenas a sociedade colonial.
ainda hoje se supervaloriza o impacto das doenças europeias com seu “potencial genocida” sobre as populações ameríndias, revelando um profundo desconhecimento biológico e um total desprezo pela medicina nativa.
a historiografia tradicional do encontro e da conquista negligencia de forma brutal o papel das alianças locais entre espanhóis e sociedades nativas rivais no processo de conquista e derrota dos principais impérios ameríndios, reforçando uma visão colonial homogeneizante dos povos originários.