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Em 2016, completam-se cento e quarenta e cinco anos de nascimento e fim da Comuna de Paris. Analisemos a discussão historiográfica, em um viés marxista, referente a este tema:
“Para que uma revolução social possa triunfar são necessárias pelo menos duas condições: forças produtivas altamente desenvolvidas e um proletariado bem preparado. Mas em 1871 estas duas condições estavam ausentes. O capitalismo estava ainda pouco desenvolvido e a França era sobretudo um país de pequena burguesia (artesões, camponeses, lojistas, etc). Não existia partido operário; a classe operária não tinha nem preparação nem grande arrebatamento e, no seu conjunto, não tinha mesmo uma ideia muito clara das suas tarefas e dos meios de as realizar. Não havia nem uma real organização política do proletariado, nem sindicatos nem associações cooperativas de massa” (LENIN, apud MARX e ENGELS, 1979, p. 21).
Sobre o texto acima, podemos afirmar que:
a Comuna de Paris não havia obedecido às etapas, que, segundo Marx e seu companheiro Engels, eram essenciais à vitória da classe operária para que alcançasse seu objetivo final: a ditadura do proletariado e, posteriormente, o comunismo.
para o autor de O Capital, o movimento contava com militantes com “energia revolucionária”, mas com pouca propensão para a análise das condições objetivas da sociedade, tornando-se mais um movimento de caráter sindicalista-burguês do que socialista.
a Comuna esperou que todas as condições históricas necessárias ao processo revolucionário tivessem se desenvolvido, com os trabalhadores se organizando conforme o conceito de classe e defendendo a perspectiva básica marxista sobre a seguinte frase “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”. Assim esses sujeitos atuaram e lutaram, submetendo-se à orientação dos modelos do partido operário e a sujeições, mostrando suas lutas de forma autônoma e autogerida.
o desenvolvimento forte das indústrias e do capitalismo francês fez com que todas as condições propícias ao desenvolvimento revolucionário dos trabalhadores despertassem conforme as teorias de Marx, sob a forte liderança do Partido Comunista Operário Francês (PFOC).