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“A sociedade colonial havia pretendido situar “o negro africano” em apenas uma condição, a de escravo propriedade do senhor; mas, entre 1500 e 1800, o desenvolvimento das economias e sociedades coloniais e as ações e iniciativas dos próprios escravos e negros livres alteraram esse plano original. À medida que as economias coloniais cresciam e se diversificavam, os escravos eram designados para uma ampla variedade de funções, cada uma delas oferecendo diferentes combinações de oportunidades para pressionar seus senhores.”
(Fonte: George Reid Andrews. América Afro-latina, 1800 - 2000. Trad. de Magda Lopes. São Carlos: Ed. UFSCAR, 2007, p. 38.)
A partir do trecho transcrito ao lado e sobre o assunto abordado, é correto afirmar:
Na sociedade colonial, as relações entre os senhores e os escravos africanos e seus descendentes eram pautadas no paternalismo benevolente que impossibilitou tensões e conflitos sociais ao longo de todo período escravista.
Enquanto os escravos africanos eram contratados para trabalhar nas zonas urbanas, os seus descendentes brasileiros eram destinados a trabalhar nas plantações agrícolas. Nem os escravos africanos, nem seus descendentes, conseguiram trabalhar em ofícios com algum nível de especialização.
Aproveitando-se das brechas e de alternativas possíveis no sistema escravista, os escravos africanos e seus descendentes, a partir de suas expectativas, tentavam negociar com seus senhores melhorias em suas condições de vida e de trabalho, conquistando, muitas vezes, pequenos espaços de autonomia econômica, social e cultural.
A escravidão aniquilou por completo a humanidade dos escravos africanos, tornando-os anômicos e incapazes de integrar-se, atuar, modificar ou interferir na sociedade. Sem qualquer autonomia e agência histórica, eles reproduziam o modo como seu proprietário os via e esperava que eles agissem.
Na sociedade colonial, a mão de obra escrava africana foi fundamental para a produção na grande propriedade agrícola até o final do século XVII, quando os italianos passaram a ocupar os postos de trabalho no Brasil.