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13 DE MAIO
Desprezo, odeio a distinção da cor,
pois não conheço a distinção da raça.
Acaso o negro é homem sem valor?!
Não chora, como branco, uma desgraça?!
***
Acaso o Deus soberbo não abraça,
com um carinho igual e igual calo [sic],
a Humanidade inteira que esvoaça
a suplicar o seu perdão de amor?!
***
Então, se o céu é franca moradia
De todo o pecador arrependido
Porque manter essa ousadia?!
***
Bendita abolição da escravatura que resgatou,
num gesto enobrecido,
uns anos de vergonha e de amargura.
(SILVA, Viana. “13 de maio”. In: O Democrata, Ano I, nº 21, Salvador -BA, 13 de maio de 1916)
A poesia faz menção à Lei de 13 de maio, que aboliu a escravidão, e suas representações ainda na Bahia da Primeira República. Segundo a historiografia recente sobre o fim da escravidão no Recôncavo baiano,
o 13 de maio de 1888, assim como em todo o Brasil, representou apenas a formalização de um fato consumado. Nesta data, a grande maioria dos africanos e afro-brasileiros já eram livres.
nas últimas décadas da escravidão no Brasil, os senhores de engenho do Recôncavo, assim como os proprietários da zona da Mata pernambucana, tinham se preparado para a transição do trabalho servil para a mão de obra livre.
por mais que houvesse indicativos negativos da aceitação da Lei de 13 de maio, entre boa parte dos agricultores do Recôncavo Baiano, ela foi recebida com surpresa e entusiasmo.
às vésperas da abolição, os tradicionais agricultores ainda esperavam que o governo postergasse mais a extinção do trabalho servil e que indenizasse os proprietários por terem perdido suas terras.
após os longos festejos pela abolição, observa-se que as experiências do pós-abolição foram traumáticas, tanto para ex-senhores, quanto para ex-escravos, motivo pelo qual essa data caiu no esquecimento nas décadas posteriores.