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(...) ao falarmos de Europa Medieval tratamos quase sempre de França, Inglaterra, Alemanha e Itália. Outra seria a Europa do Leste Europeu, a Europa Nórdica e, segundo nos interessaria mais saber, a Europa Ibérica. Descolonizar o ensino de História significa, portanto, reconhecer identidades em geral deixadas por nós em segundo plano.
(José Rivair Macedo, Repensando a Idade Média no ensino de
História, In Leandro Karnal (org.), História na sala de aula:
conceitos, práticas e propostas)
A partir do excerto, assim como do debate trazido pelo autor no referido artigo, é correto afirmar que
se deve reconhecer a importância do estudo dos aspectos históricos da Península Ibérica durante a Idade Média porque contribui para uma compreensão mais ampla das tradições culturais ibero-americanas e da constituição de identidades coletivas no Brasil e na América Latina.
entre os povos ibéricos ocorreu o domínio das organizações feudais mais ortodoxas e complexas, com as quais as relações servis de produção separaram radicalmente senhores feudais e servos da gleba, condição que se reproduziu na América, como no caso das capitanias hereditárias.
a ocorrência do feudalismo na região ibérica merece uma atenção especial de quem pretender estudar as origens de Portugal e a colonização do Brasil, porque o formato de tal feudalismo esteve associado a uma economia de mercado, representada pela liberdade do comércio colonial.
o estudo da Idade Média não deve ser priorizado na formação dos estudantes brasileiros, porque essa etapa da História da humanidade tem poucos vínculos com o Mundo Moderno e, consequentemente, com a formação das estruturas coloniais do Brasil.
durante toda a Idade Média europeia, principalmente nas regiões centrais do continente, verificou-se a ausência de circulação monetária, condição diversa da Península Ibérica, onde as atividades comerciais e manufatureiras nunca cessaram, mesmo durante a crise do século XIV.