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Um dos principais ensaios históricos desenvolvidos para se compreender a realidade brasileira foi escrito pelo jurista sul-rio-grandense Raymundo Faoro, o clássico, Os Donos do Poder: Formação do Patronato Político Brasileiro, no qual são apresentados alguns conceitos sociológicos e históricos que permitem uma compreensão mais acurada da realidade nacional. Nessa obra afirmou o autor que:
“A realidade histórica brasileira demonstrou a persistência secular da estrutura patrimonial, resistindo galhardamente, inviolavelmente, à repetição, em fase progressiva, da experiência capitalista (...). Característico principal, o de maior relevância econômica e cultural, será o predomínio, junto ao foco superior de poder, do quadro administrativo, o estamento que, de aristocrático, se burocratiza progressivamente, em mudança de acomodação e não estrutural”. (FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder: A formação do Patronato Político Brasileiro. Porto Alegre. Globo. 2001. p.822-823.)
Nesse contexto de conceitos úteis para a interpretação da história brasileira, pergunta-se: o que é patrimonialismo?
Conceito desenvolvido por Karl Marx em O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, no qual aponta que, na transição entre o Modo de Produção Asiático e o Modo de Produção Escravista Antigo, existiu uma faixa de transição, denominada patrimonialismo do rei perante a gleba rural e industrial.
Conceito desenvolvido pelo sociólogo francês Emile Durkheim, que busca relacionar o desenvolvimento das sociedades através de formas elementares de organização coletiva, cuja religião é um dos principais meios de se estabelecer relações de solidariedade.
Conceito desenvolvido pelo filósofo francês Raymond Aron, exposto no livro O Ópio dos Intelectuais, no qual relaciona o marxismo a uma droga alucinógena, que tira a possibilidade de os indivíduos enxergarem a realidade como ela se apresenta, devido ao torpor literário vermelho.
Conceito desenvolvido por Simone de Beauvoir, que, em Segundo Sexo, afirmou que não nascemos homens ou mulheres, mas nascemos com a marca do patrimônio acumulado pelos nossos pais, do qual somos herdeiros.
Conceito desenvolvido pelo pensador alemão Max Weber, utilizado no Brasil por Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, e por Raymundo Faoro, em Os Donos do Poder, e que observa uma falta de clareza na separação entre as esferas públicas e privadas no Brasil.