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Thais Nivia de Lima e Fonseca, em seu livro História e ensino de História, de 2011, aponta que nos livros didáticos produzidos no período da redemocratização, décadas de 1980 e 1990, havia um descompasso entre os conteúdos e a produção historiográfica.
Esse descompasso foi ilustrado com o tema escravidão, no qual a autora constatou que
a produção de livros didáticos permaneceu dentro de um perfil mais genérico, para garantir que os livros paradidáticos, nova modalidade do mercado editorial, pudessem verticalizar as análises de temas como o da escravidão.
destinados ao desenvolvimento do saber escolar, os livros didáticos são limitados pelas diretrizes curriculares nacionais, cabendo-lhes apenas as bases do conhecimento, sem a obrigação de aprofundamentos do saber acadêmico.
apesar das novas abordagens introduzidas pela historiografia, o tema recebia tratamento tradicional, persistindo questões como trabalho, tráfico e opressão, resvalando por desdobramentos como o preconceito racial.
os livros didáticos do período não absorveram as inovações de tratamento do tema, porque a maior parte dos novos trabalhos eram procedentes da Antropologia, com uso de fontes não escritas, e não da História, com fontes escritas.